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4385/03/2009 a 26/03/2009

8 de Março é dia de luta das mulheres

Data de luta das mulheres, o 8 de Março é a única destas datas que foi apropriada pelo mercado e transformada em uma data comercial pela mídia e pela publicidade. “Ninguém faz promoção do dia do trabalhador. No dia das mulheres, tem promoção de panela, de lingerie, de roupa, de eletrodoméstico. Virou uma data que agrega valor. O poder e a dominação se apropriam da data para esvaziar seu conteúdo político, mas nós voltamos a afirmá-lo todos os anos”, pontua a feminista Taciana Gouveia, da diretoria da Abong e da SOS Corpo (PE).

 

Para ela, o desafio é construir um outro 8 de Março, que dê visibilidade para as mulheres “que não vemos e que fazem a vida real”. “Não queremos ver as ‘conquistas das mulheres’ no mercado de trabalho, nos casamentos, na beleza. A mídia e o mercado tratam de invisibilizar as mulheres reais, os direitos das mulheres e mantém as mulheres nos seus mesmos lugares”, critica.

 

Este ano, as mobilizações que acontecem em todo o Brasil no domingo devem levar milhares de mulheres às ruas para denunciar a ofensiva conservadora contra aquelas que praticam aborto e para pedir a legalização. “Em São Paulo, haverá também uma ênfase na relação entre a crise e os direitos das mulheres”, informa Camila Furchi, feminista da SOF e integrante da Marcha Mundial de Mulheres. (Leia aqui o release do ato em SP).


Segundo Camila, este tema emergiu com força no Fórum Social Mundial, quando se avaliou a insustentabilidade deste modelo de desenvolvimento e sua consequencia para a vida das mulheres. “As demissões, a onda de precarização do trabalho, especialmente o trabalho doméstico, afetam em especial as mulheres e são questões invisibilizadas por este modelo”, afirma Camila.

Ela conta que na cidade de São Paulo, o movimento feminista deve retomar com força a luta pela garantia de creches. “Esta é outra questão que não é publicizada. Apenas 15% das crianças em idade de atendimento por creches estão sendo atendidas em São Paulo. A demanda publicada pela prefeitura é menor do que a real, e este é um tema relacionado diretamente ao direito das mulheres chefes de família ao trabalho”, exemplifica. “O resultado é que, por terem que cuidar dos filhos, e precisarem de flexibilidade, elas terminam se empregando informal ou precariamente”, conclui.

 

Questões para trazer à cena

Algumas questões estão completamente invisibilizadas. Outra circulam na cena pública, mas de maneira distorcida. Taciana aponta estas distorções e fala de temas e situações que deveria ser públicos.

 

A última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), de 2007, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulga, por exemplo, a diferença de rendimento entre mulheres e homens. As mulheres ganham – exercendo os mesmos cargos ou funções - 66,1% da remuneração média masculina. “Na comparação, a análise da pesquisa diz que a diferença era maior nos anos anteriores - 65,6% em 2006 e 64,5% em 2005. mas 66% não é igual. Ainda vivemos uma situação insustentável que não é criticada em nome da conquista de meros 1%”, pondera Taciana.

 

A mesma PNAD aponta que as mulheres freqüentam mais a escola que os homens. São mais mulheres estudando por mais tempo que os homens. Somente a partir dos 50 anos é que esse indicador se iguala, com média de 6,1 anos de estudos para homens e mulheres. “Seria importante contextualizar que, entre as mulheres, as mais velhas são mais analfabetas.

 

Explicar que o contexto escolar funciona melhor com as mulheres, porque a escola é um espaço de socialização que possui características que se ambientam melhor às pseudo-características da mulher”, conta Taciana. “E o mais importante” – alerta a feminista - “a escolaridade e os anos de estudo são mais decisivos para as mulheres do que para os homens no acesso ao emprego. Elas precisam ser muito melhor qualificadas para disputar uma mesma vaga ou um mesmo salário com um homem menos qualificado”.

 

Taciana conta que esta mesma pesquisa aponta para uma taxa de mortalidade mais baixa para os homens do que para as mulheres. “O que significa isso num contexto de precarização da previdência num país em que a maioria das mulheres se dedica toda a vida ao trabalho doméstico, que tem uma legislação, mas opera de modo escravocrata?”, questiona, Taciana. “Nisso, não se fala. Como uma mulher pobre e viúva que nunca trabalhou formalmente se sustenta na velhice no Brasil?”, pergunta.

 

Outras questões tão importantes quanto estas são mais invisíveis ainda e, para Taciana. É urgente trazê-la à tona. “O debate sobre a vida das mulheres nas cidades vem me mobilizando muito”, conta. “A falta do direito à mobilidade e o transporte público precário atinge – como toda omissão na garantia de direitos – mais fortemente as mulheres, especialmente as mulheres pobres, que se vêem privadas do direito de ir e vir, de circular na cidade”.

 

E isso é um ciclo. Estas mulheres geralmente são aquelas empregadas com trabalhos informais, precários ou desempregadas. “São mulheres que andam a pé em cidades que não são feitas para se andar a pé; mulheres que não ganham vale-transporte ou que, quando ganham, o entregam para o companheiro ir em busca de emprego, porque tendem a fazer uma economia para a família e cuidar do outro primeiro; são as mulheres que fazem a vida real e que a gente não vê”, relata.

 

Em relação à saúde das mulheres, um dado é alarmante. Nos anos 80, a proporção da contaminação pelo vírus HIV era de 20 homens para 1 mulher. Hoje, esta proporção está em 1 pra 1. A proporção cresce cada vez mais entre as mulheres em idades mais avançadas e a curva de contaminação das mulheres é a única tendência ascendente entre os grupos. “Esta questão veio à tona na recente campanha de prevenção, veiculada no carnaval em todo país, mas é preciso fazer mais”, afirma Taciana. “Não é só uma questão de saúde pública. Precisamos pensar na vida e nos direitos das mulheres soropositivas. Como uma mulher pobre e analfabeta lida com a questão do remédio? Como se remedia sem ter o que comer? Como se motiva a usar um remédio que pode deformar seu corpo”? São questões sobre as quais não costumamos refletir, completa Taciana.

 

Para ela, o grande objetivo do 8 de Março é de denunciar estas invisibilidades e trazer para a cena a luta por direitos das mulheres.

 

Leia mais sobre os direitos das mulheres e o 8 de Março: PE: Crise financeira é um dos temas do Encontro Estadual de Mulheres

PB: Associação das Domésticas e CENTRAC lançam Campanha pela Valorização do Trabalho Doméstico

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