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informes - ABONG

43710/02/2009 a 17/02/2009

Opinião: FSM 2009: novas vozes em cena e lutas mais convergentes

Na edição especial do Informes ABONG sobre o Fórum Social Mundial em Belém, afirmamos a importância de um encontro desafiado pela conjuntura e que daria vozes aos povos da Amazônia. O evento confirmou nossas expectativas e as extrapolou.

 

O FSM 2009 na Amazônia trouxe para a cena pública não só novos sujeitos políticos - que provaram que a questão amazônica não é apenas ambiental -, como a própria situação de não garantia de direitos a povos que lutam por eles. Belém provou que a cidade não foi apenas um lugar para o Fórum estar, mas um lugar em que as lutas políticas dos povos da Amazônia são vividas.

 

A ABONG contribuiu com o processo de construção política, de mobilização e de estruturação do FSM em Belém. Em todas estas dimensões, podemos apontar avanços e aprendizados, dentre os quais destaca-se a visibilidade dos povos pan-amazônicos, indígenas, quilombolas, as mulheres (entre elas, pescadoras, seringueiras, quebradeiras de coco) e os povos sem Estado, sujeitos que fizeram das Assembléias de convergência (realizadas no último dia do encontro) uma real inovação na metodologia deste ano.

 

Outro ponto importante a ser ressaltado é a reativação do Fórum Social Pan-Amazônico, que estava parado há três anos. A consolidação dos encontros sem-fronteiras potencializou o debate com países de fronteira amazônica com o Brasil e o aprofundamento de temáticas – como a questão energética, a IIRSA (Integração Regional Sul-Americana), do PAC, da militarização, da defesa de reservas e terras indígenas e quilombolas – e novos sujeitos, motivados pela questão amazônica e o processo de diálogo com lutas que estão sendo travadas em outros continentes, em especial o europeu, como a questão das migrações.

 

Ressalte-se ainda o diálogo que emergiu a partir das questões trazidas pela Coordenação Andina das Organizações Indígenas, como o direito coletivo dos povos e a crise civilizatória.

 

Outros legados do FSM podem ser localizados no âmbito da criação de condições objetivas para que ele existisse, tivesse sucesso e conseguisse reunir os povos amazônidas, a partir do recorte da luta contra o modelo de desenvolvimento predatório, baseado na monocultura, no desmatamento e no avanço da pecuária na região. Duas iniciativas se destacaram: a articulação com o Fórum dos Povos Indígenas do Pará e o movimento Justiça nos Trilhos, este denunciando o abandono das populações da região da ferrovia dos Carajás pela Vale e seu completo descaso com a vida.

 

O Pará e a Amazônia, portanto, complexificaram o espectro político do FSM, ao trazerem à tona novas questões e possibilitarem diálogos e alianças que vão para além do Fórum.

 

Além disso, a Amazônia promoveu uma inédita capacidade de sinalizar em que pontos as diversas lutas reunidas neste diagrama político do FSM se tocam. Apesar de o processo de construção de propostas ainda precisar amadurecer, encontramos, neste FSM, pontos de conexão e convergência reais entre as lutas dos povos.

 

Muito se disse – em especial nos meios de comunicação da grande imprensa – que este FSM retomou seu poder de contraponto ao Fórum Econômico Mundial de Davos e que traria respostas à crise. O Fórum veio mostrar que a crise não é pontual, não começou agora e que, na realidade, é o colapso de um modelo civilizatório, contra o qual lutamos desde sempre e contra o qual o Fórum se contrapõe desde sua primeira edição em 2001.

 

No Fórum Social, pautamos em nossas atividades temas que são caros para a ABONG enquanto rede de organizações, como a questão da reforma política, da relação entre comunicação e modelo de desenvolvimento, a cooperação internacional, a questão amazônica e o debate sobre democracia e desigualdades na América Latina.

 

Vale pontuar, no entanto, que apesar de diversos avanços metodológicos, estruturais e políticos, o Fórum ainda demanda amadurecimentos.

 

É preciso debater melhor a relação com os partidos políticos no evento e o envolvimento e participação dos líderes e chefes de Estado em atividades do encontro ou paralelas a ele. Até que ponto a entrada em cena destes sujeitos descaracteriza o FSM como um espaço da sociedade civil?

 

Alguns destes aspectos que elencamos neste balanço político do FSM 2009 devem ser certamente aprofundados durante a reunião do Conselho Internacional do FSM, que será realizada de 6 a 9 de maio no Marrocos. E serão explorados também em um balanço político que a ABONG vai produzir e lançar ainda no primeiro semestre deste ano.

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