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informes - ABONG

43710/02/2009 a 17/02/2009

Debate explora relação entre comunicação e modelo de desenvolvimento

O modelo de desenvolvimento em curso no mundo - e em especial no Brasil e nos países da América Latina é excludente, predatório, injusto, concentrador e gerador de desigualdades. E é articulado, legitimado e reproduzido pelos meios de comunicação da “grande mídia”. Uma comunicação desde os povos, para afirmar a real possibilidade de existência de um outro modelo também construído desde os povos é possível?

 

Os participantes da atividade “Comunicação e desenvolvimento – o desafio de uma política de comunicação desde os povos”, realizada durante o Fórum Social Mundial em Belém acreditam que sim. “O ethos da crise de dimensões ainda não estimadas que estamos vivendo é de ganância e voracidade de acúmulos de bens materiais. A mídia convida todos as serem consumidores quando na verdade, precisávamos de uma comunicação que zelasse pela economia do suficiente e do consumo sustentável”, afirma o economista Marcos Arruda, do Pacs, concluindo que uma comunicação desde os povos teria a missão de introduzir no plano subjetivo outra concepção de desenvolvimento.

 

O pesquisador Gilberto Maringoni concorda. Ele fez uma apresentação que explorou a íntima relação entre o desenvolvimento dos meios de comunicação e os processos de industrialização no Brasil, bem como seu vínculo com a disputa pelo poder político. “Os meios de comunicação sempre exerceram um papel de integração social. Hoje, os grandes veículos se afirmam independentes, mas cada vez mais as grandes corporações e a mídia estão mais relacionados”, explica o pesquisador, que também é da executiva nacional do Partido Socialismo e Liberdade – PSOL.

 

“Às vezes nos penalizamos, afirmando que não temos competência para nos fazermos notar por esta mídia, o que nos distancia da sociedade. Mas não podemos nos iludir. Esta mídia nos invisibiliza e faz isso com todos que vão contra o status quo”, afirma a jornalista Tânia Pacheco, da Rede Brasileira de Justiça Ambiental.

 

O que fazer? Segundo Maringoni, produzir é uma das saídas, mas não é suficiente. “Sites, blogs, vídeos, jornais... fazer guerra de guerrilha é uma das alternativas, mas devemos ir além. Nossa energia deve estar concentrada em cobrar a presença do Estado, que é o único ente capaz de fazer frente a este cenário”, afirma o professor, lembrando que 60% da verba publicitária do Governo Federal vai para a Rede Globo, sob o argumento dos 52% de audiência, quando na verdade, trata-se de um ciclo virtuoso, que seria dever do Estado regular e distribuir.

 

Maringoni sugere como caminhos o fortalecimento da conferência nacional de comunicação e a TV Brasil, televisão pública federal. “Sabemos que não podemos contar com a mídia burguesa. Temos clareza da comunicação que não queremos, representada por esta mídia que legitima e reproduz este modelo e acaba com a possibilidade de qualquer alternativa a ele.

 

Experiências alternativas de comunicação são imprescindíveis, mas é preciso um projeto”, afirma Igor Felippe, assessor de comunicação da secretaria nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST. “Se antes, a mídia era porta-voz deste modelo, hoje os veículos de comunicação são parte deste sistema complexo que domina a economia, a política e a comunicação. Precisamos de uma contra-comunicação que tenha um eixo, pois o eixo da grande mídia está claro”, completa.

 

Ele afirma que a única alternativa está na luta social. “Não há transformação sem a classe trabalhadora se movimentar. E a luta social vai mostrar para todos os movimentos o quanto a comunicação é central na disputa de um outro modelo”, diz.

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