ABONG -  - Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais

associe-se

conheça nossas associadas

Procure pelo nome em um dos campos abaixo:

selecione
selecione

Ou faça aqui uma busca detalhada:

selecione
selecione
selecione
selecione
  • APOIO

    • Petrobras
  • REDES

    • ALOP
informes - ABONG

43413/11/2008 a 28/11/2008

Crise, desigualdade e cooperação: uma reflexão necessária

A conjuntura internacional aponta para um novo desenho das instituições multilaterais, com possíveis reformas no FMI e no Banco Mundial. Neste momento, processos políticos como a ajuda a bancos em alguns países, as eleições americanas com a vitória de Barack Obama, as cúpulas internacionais de G20 e G8 – para debater a crise financeira mundial -, são ferramentas de um mesmo sistema, que deve ser avaliado.


A crise atual – mais um indício da necessidade desta revisão - exige que decisões sejam tomadas e cabe à sociedade civil lutar, defender e estar atenta para os reflexos destas decisões nas dimensões financeira, econômica, energética, alimentar, climática e de direitos em todo o mundo. É uma crise global, mas as soluções não podem ser vistas somente no âmbito internacional. A desigualdade entre as nações é imensa e pode ser mais dramática conforme os caminhos a serem seguidos. É hora de acertar as contas e reduzir as desigualdades e injustiças.


Em encontro em Paris, de 27 a 30 de outubro, onde cerca de 70 articulações de ONGs criaram o Fórum de Plataformas Nacionais de ONGs, a Mesa de Articulación (plataforma latino-americana da qual a ABONG faz parte e a qual representou na reunião) afirmou que “não será possível alcançar a paz e a segurança tanto em nível nacional como internacional se não se consegue reduzir de forma significativa a desigualdade econômica e política”.


O encontro provou que há certa confluência nas expectativas e demandas entre as organizações ali presentes. Todos exigem atenção para o atual momento e uma ação concreta no controle dos governos e instituições internacionais.
Seis temas prioritários foram aprovados para se pensar numa agenda comum internacional. São eles: APD – financiamento ao desenvolvimento; mudanças climáticas; regulação dos mercados agrícolas; acesso à água e ao saneamento; prevenção e resolução dos conflitos e luta contra a exclusão e desigualdades sociais.


A ABONG considera que os temas propostos são de máxima urgência, e que há perspectivas positivas de parceria e cooperação entre países do Norte e do Sul. No entanto, para a América Latina, o tema da desigualdade é central, dado que os países do Sul vêm pagando as injustiças sofridas com seus recursos financeiros, naturais e humanos e devem exigir mudança. Para isso, alguns temas devem ser debatidos em todos os espaços político-institucionais, como, por exemplo, a questão da migração e do fluxo de pessoas de países do Sul para o Norte.


Há uma enorme contradição no discurso sobre a liberalização econômica e a migratória. Países pobres abrem seus mercados para o mundo, o fluxo de mercadoria é intenso e aprovado, enquanto o fluxo de seres humanos é uma questão inegociável. Países devastados pela guerra, pela desigualdade e injustiça transferem populações – atrás de uma vida melhor – para regiões mais ricas, principalmente os Estados Unidos e Europa. No caso do Brasil, a situação de alguns imigrantes na cidade de São Paulo, provenientes principalmente da Bolívia e de alguns países africanos, como Nigéria, é degradante e ausente de direitos, o que nos conduz a acompanhar e controlar a ação de nossas polícias e governos.


É preciso discutir o porquê de essas pessoas estarem saindo de seus países. Claro que há a migração voluntária, mas por que não se discute que é justamente a desigualdade e a injustiça que obrigam as pessoas a fugirem? Não se deve ver a questão da migração como mais um reflexo da desigualdade global em que vivemos?


E para eliminar as desigualdades, o papel da cooperação internacional é definitivo. Não há como ter um sistema internacional mais equilibrado sem a cooperação e a transferência de recursos de países do Norte para o Sul. Também é fundamental fortalecer as organizações não-governamentais e os movimentos sociais, tanto no plano nacional quanto no plano internacional, porque estes são os sujeitos capazes de ação para a transformação social radical.


A Mesa realça a importância do compromisso dos países membros do Comitê de Assistência para o Desenvolvimento de dedicar 0,7% de seu PIB para este fim. Hoje, apenas cinco países cumprem esta meta e isso aponta para um necessário fortalecimento e redesenho da cooperação internacional.


* Os temas aqui abordados foram apresentados na reunião em Paris através do texto analítico “Alternativas democráticas contra a desigualdade e a injustiça, em tempos de crise global” lançado pela Mesa de Articulación. O texto é um convite à reflexão e aponta algumas propostas defendidas pela Mesa de Articulación. Leia na íntegra o texto no site da Abong em www.abong.org.br

lerler
  • PROJETOS

    • Compartilhar Conhecimento: uma estratégia de fortalecimento das OSCs e de suas causas

Rua General Jardim, 660 - Cj. 71 - São Paulo - SP - CEP: 01223-010 - Tel.: 11 3237-2122

Horário de funcionamento do escritório: segunda-feira à sexta-feira, das 9h às 19h

design amatraca