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51607/11/2013 a 05/12/2013

Organizações e movimentos lutam para resgatar o debate sobre “Mulheres e Meio Ambiente”

Por Nana Medeiros

 

Durante a Rio+20, realizada em junho de 2012, organizações e movimentos participaram de conversas oficiais e discussões sobre o território global e o envolvimento das mulheres, no sentido de analisar como o feminismo encararia, dali pra frente, a questão do meio ambiente.

 

Nesse sentido, um debate realizado no dia 26 de outubro pela Articulação de Mulheres Brasileiras - AMB em parceria com o Instituto EQUIT – Gênero, Economia e Cidadania Global pretendeu retomar a reflexão da relação da mulher com a natureza, reaproximando o feminismo da luta pela justiça socioambiental. O evento “Mulheres e Natureza” contou com o lançamento do livro As mulheres na Rio + 20, uma reunião dos debates realizados em 2012 e seus encaminhamentos.

 

Segundo Graciela Rodriguez, coordenadora do EQUIT e membro da AMB, nos anos 40 e 50, houve uma rejeição do feminismo em relação a essa questão por conta de um certo medo da “naturalização” do papel da mulher na sociedade baseado apenas na sua condição de maternidade. Essa simplificação errônea não seria defendida pelas então “ecofeministas”, mas um pensamento inadequado baseado na dicotomia natureza/cultura teria afastado o feminismo da questão ambiental. Taxadas de “essencialistas”, as feministas que atendiam à discussão ambiental foram colocadas de lado e, suas pautas, praticamente esquecidas.

 

De acordo com Graciela, o ecofeminismo tentou, na ECO92, fazer seu debate e trazer sua contribuição e, novamente, teve boa acolhida. Mas as evidentes consequências dos impactos ambientais decorrentes de um violento processo de mercantilização e financeirização da vida começaram a revelar a necessidade de uma reaproximação das pautas e superação dessa dicotomia antiquada.

 

O esgotamento de recursos naturais e a acelerada degradação do meio ambiente, extraindo da natureza tudo aquilo que pode gerar lucro, incitaram novas discussões e reflexões sobre o relacionamento do ser humano com as consequências dessas ações, tais como mudanças climáticas, alteração e contaminação dos solos e das águas e desastres ambientais como as enchentes, queda de barragens, escassez de recursos, entre muitos outros.

 

De fato, todas essas consequências são enfrentadas principalmente pelas mulheres que, por muitas vezes serem as responsáveis pela casa, enfrentam a seca, a escassez de alimentos e de energia. Isso fica explícito no protagonismo cada vez mais expressivo de mulheres em movimentos de luta contra as barragens, o uso de agrotóxicos, a privatização da água, a agricultura exclusivamente baseada na grande produção, a devastação e, em suma, na luta organizada pelo direito e incentivo à sustentabilidade e alternativas de âmbito local e territorial, como a agroecologia e agricultura familiar que se contrapõem ao modelo de desenvolvimento atual que aumenta casos de desastres ambientais. Segundo Graciela, “a agenda da exploração dos recursos naturais e sua vinculação com a vida cotidiana tem sido especialmente assumida e visibilizada pelas mulheres [...] Enfatizar os impactos que o modelo de desenvolvimento provoca sobre a vida cotidiana da população é tarefa carregada permanente pelos movimentos feministas.”

 

Em julho deste ano, a ONG Grupo Mulher Maravilha promoveu eventos para discutir as dificuldades trazidas pela seca no sertão do Pajeú, em Pernambuco, e como as mulheres eram motivadas a liderarem a luta por justiça socioambiental.

 

Outra abordagem nessa relação mulher e natureza é reconhecer as suas semelhanças e desafios frente a um sistema explorador baseado no pensamento de superioridade do homem. Para Graciela, tanto a mulher como a natureza são subjulgadas pelo sistema patriarcal. Isso ocorre de diferentes formas, mas baseia-se na relação de dominação e poder. Para ela, “ambas fazem trabalhos que são desvalorizados pelo sistema capitalista por não fazerem parte do “mercado”. O trabalho doméstico feito por muitas mulheres, pelo fato de não passar pelo mercado, é completamente subjulgado. A natureza, por sua parte, possui muitos processos importantes – como as marés, os ventos, a fotossíntese, entre outros – que não são valorizados por não serem capitalizados. No entanto, esses esforços sustentam o sistema capitalista. Isso mostra como as duas lutas – pelos direitos das mulheres e por justiça socioambiental – devem se articular e fortalecer uma a outra contra a supremacia do “Humano sobre o Natural” e o “Masculinho sobre o Feminino”.”

 

Desse modo, em relação à reflexão e compreensão da pauta ambiental dentro dos movimentos feministas já existe uma mobilização que, no entanto, ainda necessita de aprofundamento. O envolvimento maior das mulheres organizadas na agenda ambiental pode contribuir para uma maior incidência no campo de negociações e reforçar a participação de mulheres em outras lutas, tanto em âmbito nacional como internacional. Para Graciela, “o feminismo foi e continua sendo uma perspectiva filosófica da sociedade, mas que precisa de uma atualização”. Dessa forma, o ecofeminismo talvez seja uma forma de revisitar o feminismo, trazendo questões que talvez até agora não tenham sido abordadas da perspectiva política ou prática do movimento.

 

Veja artigo “nome” escrito por Graciela Rodriguez.

 

 

Abaixo, vídeos que tratam mais sobre o assunto:

 

Mulheres na Rio+20

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=V7G-xR7cy78

 

As novas perspectivas ecofeministas limites e possibilidades – Graciela Rogriguez

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=ouLBMxEn7E8

 

Papel da Mulher - Graciela Rodriguez e Vandana Shiva - Rio+20

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=OKjqk8cu2js

 

 

 

 

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