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informes - ABONG

51705/12/2013 a 06/02/2014

Abong promove na ONG BRASIL debate sobre a relação entre Imprensa e as Organizações da Sociedade Civil

Por Nana Medeiros e Nicolau Soares

 

Generalizações feitas pela mídia e distanciamento de veículos alternativos

comprometem a comunicação e visibilidade das OSCs

 

Entre os dias 28 e 30 de novembro, a Abong esteve presente na ONG BRASIL, dividindo espaço com a Articulação D3, Cese, Gife, e as Plataformas por um Novo Marco Regulatório para as Organizações da Sociedade Civil e Pela Reforma do Sistema Político Brasileiro. As organizações se juntaram no estande “Redes pelos Direitos Sociais e Bens Comuns”, para dar visibilidade às suas causas e reforçar a importância da ação coletiva, que reúne diferentes em prol de uma causa comum.

 

Vera Masagão, diretora executiva da Abong, participou da abertura oficial do evento e do debate “As parcerias entre Estado e Organizações da Sociedade Civil e o marco regulatório”, organizado pela Secretaria Geral da Presidência.

 

Adriana Ramos, da direção executiva e membro da Plataforma por um Novo Marco Regulatório das OSCs, esteve na mesa “Pós 2015 - Municipalização dos ODMs e o processo de construção dos ODSs”, também organizado pela SGP/PR.

 

No dia 29, a Abong promoveu o debate “A Imprensa Brasileira e as Organizações da Sociedade Civil”, mediado por Vera Masagão. Participaram do diálogo Adriana Ramos e os convidados Veet Vivarta, da Andi – Comunicação e Direitos e Antonio Martins, jornalista e editor do site Outras Palavras.

 

O debate apontou caminhos para qualificar a discussão a respeito das Organizações da Sociedade Civil, passando por ações de formação para profissionais da mídia e por mudanças nas estratégias de comunicação das próprias organizações.

 

O secretário-executivo da Andi, Veet Vivarta, apresentou os primeiros resultados disponíveis de uma pesquisa que analisou a cobertura da mídia a respeito do campo das ONGs. Foi avaliada uma amostra de 2.369 notícias de veículos nacionais e regionais entre janeiro de 2007 e dezembro de 2012, o que equivale a uma projeção de quase 25 mil matérias no período.

 

Segundo Vivarta, os resultados mostram uma cobertura que aponta aspectos mais positivos que negativos. De modo geral, as matérias falam positivamente das ações das ONGs, como divulgação de pesquisas. Os aspectos negativos estão diretamente associados ao financiamento público das organizações, o que foi reforçado em 2011 por conta das denúncias no Ministério dos Esportes e outros - o ano concentra 38% das menções a esse tipo de relação.

 

O principal problema apontado por Vivarta são as generalizações feitas pela mídia ao abordar esses aspectos negativos. Ao tratar caso de desvio envolvendo uma ONG, a mídia aplica o mesmo julgamento à totalidade do campo, numa operação que Vivarta classifica de "tecnicamente equivocada".

"Há denúncias de corrupção envolvendo a relação de empresas com o governo estadual de São Paulo e a mídia não diz que todo o setor privado tem que ser jogado no lixo, mas aponta para as empresas específicas", exemplifica. "O setor é reconhecido como importante, não se pode dizer que existe má vontade na cobertura como um todo. É quando o dinheiro público entra que a má vontade, a generalização e a irresponsabilidade se apresentam nas redações", afirma Vivarta.

 

Outra distorção sobre o tema acontece nas matérias que mencionam a fonte dos recursos: 68,1% cita o poder público, apenas 11% fala de recursos vindos de empresas privadas, 2,5% de organizações internacionais e 0,5% de ONGs nacionais. É uma distorção em relação à realidade do campo, muito mais diversa do que o cenário que a imprensa apresenta para seu público.

 

Para Antonio Martins, os dados traçam um cenário importante sobre a relação do setor com a mídia tradicional. No entanto, considera importante que a pesquisa analise a visão da imprensa a respeito das diferentes formas de atuação das ONGs. “Os jornais tendem a olhar com simpatia para atividades relacionadas a promoção social, como organizar coleta de sangue, fazer piquenique para ajudar o parque, que são ações importantes. Nessas, o grau de positividade deve ser próximo de 100%”, afirma Antonio. “Mas a característica fundamental da nossa atuação é a de empoderar a sociedade, para que ela aja politicamente 365 dias por ano, não só na eleição. É o caráter da cidadania ativa, de uma nova cultura política, da ONG como articulador de novo ator político que quer dialogar com seus representantes. Isso a imprensa não engole, por seu caráter intrinsicamente conservador”, defende.

 

Antonio destaca a importância das organizações aumentarem seus investimentos em comunicação, tornando-se elas mesmas produtoras de informação qualificada sobre seus campos de atuação. “Estamos vivendo uma mudança de paradigma na comunicação e uma nova forma de comunicação terá cada vez mais credibilidade. Podemos traçar um paralelo entre a ação autônoma da sociedade civil e uma comunicação também autônoma. Temos que trabalhar para incidir nos meios que atingem a maioria do público, mas também começar a sermos produtores de comunicação”, defende.

 

Ele aponta para dificuldades na comunicação das próprias ONGs, que não conseguem dar a dimensão do universo em que atuam. Segundo ele, há pouco investimento no setor, com poucos profissionais de comunicação mesmo em organizações grandes. “Os sites ficam defasados, a presença nas redes sociais é menor ainda. O Outras Palavras, que é uma organização recente, tem dez vezes mais seguidores no Facebook que uma entidade do porte do IBASE, por exemplo”.

 

Além da comunicação com a grande mídia, Antonio destaca a falta de articulação das entidades com os meios de comunicação alternativos. “Não pode faltar essa atenção para a grande mídia, que atinge a maior parte da sociedade, especialmente os tomadores de decisão. Mas falta também olhar para a mídia livre, abrir diálogo sobre os temas prioritários, um diálogo crítico. A publicidade nos meios alternativos é um décimo do que o alcance que eles têm. Temos espaços publicitários subaproveitados que podem ser ocupados pelas entidades”, defende.

 

Para Adriana Ramos, diretora-executiva da Abong, há baixa visibilidade das boas práticas das ONGs. “Aquilo que a gente tem de melhor para mostrar e que reforça a importância das organizações para a sociedade aparece pouco”, afirma.

 

Ela aponta ainda para o baixo investimento em comunicação das OSCs em geral como sendo um dos fatores que diminui a capacidade das entidades de falar para público em geral. “Há uma barreira de interação que é o fato de construirmos nosso discurso e nossa narrativa com base em direitos, e num jargão específico. Nós lidamos com os jornalistas como se fossem especialistas que estão entendendo nossos jargões, quando na verdade eles são cada vez mais generalistas, que lidam com outras pautas além das que você trabalha”, avalia.

 

Para Adriana, é importante pensar em formas de trabalhar internamente para superar os limites das estratégias de comunicação das próprias organizações. “O quadro da grande mídia é mais difícil de mudar estruturalmente, então fica o desafio de mudar nossas práticas”, avalia.

 

Na avaliação de Vera Masagão, o assunto é essencial para as organizações que se veem como defensoras de causas e direitos. "A comunicação é quase a essência do que estamos fazendo. Se não conseguirmos nos comunicar com a sociedade, estamos malogrando no nosso objetivo, que não é resolver problema imediato, mas consagrar direitos sociais", afirma.

 

Os dados disponíveis, no entanto, apontam que as ONGs não dependem de recursos públicos para sobreviver, mas conseguem sua sustentabilidade de diversas fontes. “Temos os dados da Abong e o financiamento público nunca foi majoritário. Antes, era 80% do financiamento de cooperação internacional. Este vem caindo e aumentando os recursos de empresas, principalmente públicas, e das três esferas de governo. E a gente espera que cresça muito mais, pois é legítimo que as entidades recebam dinheiro público”, afirma Vera Masagão.

“Em qualquer país democrático do mundo elas recebem, mas elas não vivem de dinheiro público, vivem da doação de seus membros, da própria sociedade.”

“A pesquisa mostra que, quando a mídia trata das ONGs individualmente, elas fazem bonito. Mas quando falam do setor, é o contrário. Isso é também uma forma de não revelar que as organizações formam um campo político, um conjunto que defende certas ideias. Não mostra esse lado mais político do fenômeno”, analisa Vera.

 

 


 

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