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informes - ABONG

43216/10/2008 a 30/10/2008

Olhares sobre a crise: o impacto nas lutas e organizações

Turbulência global, pânico dos mercados, crise mundial. Nas últimas semanas, o que vem sendo entendido por muitos(as) também como uma crise do sistema capitalista tomou as agendas dos países, a atenção das pessoas e as manchetes de jornais.

 

Movida por este contágio e pela necessidade de pensar em perspectiva, o Informes ABONG foi buscar análises adensadas e com um olhar para o campo político das organizações que lutam por direitos humanos, justiça social e pela radicalização da democracia no Brasil. Que mensagem esta turbulência deixa para as organizações? Como ficam nossas lutas e bandeiras neste cenário? Que análise podemos fazer em relação à sustentabilidade das organizações? É cedo falar em impacto para o Brasil?

Candido Grzybowski, diretor do Ibase e integrante do Conselho Internacional do Fórum Social Mundial

Há um lado positivo e um negativo na crise. O que está acontecendo dá vazão a uma luta histórica contra o livre mercado e a falta de regulação. É como se tivéssemos sido visionários(as), porque tudo isso confirma a loucura que anunciamos e o tamanho desta loucura, que surpreende, porque é certamente maior do que dimensionávamos. Há também um sentido negativo. A globalização concentrou riqueza no mundo. Uma riqueza fictícia calcada em mecanismos de mais-valia e distorção mundo afora. Isso funcionou como uma verdadeira bomba de sucção em escala planetária, concentrando riquezas, valores e distribuindo migalhas. Aparentemente, os indicadores nos diziam que a pobreza estava diminuindo no mundo, a partir da relação dólar/dia, mas, na verdade ela se expandiu de forma exponencial nos últimos tempos.


A crise tende a ser a justificativa para coisas que já estão em andamento ou anunciadas em relação ao cenário de cooperação, que já vinha sendo repensando e redesenhado. A crise interfere na luta, na medida em que a prioridade passa a ser a maneira de regular esta crise. Não serão critérios de preservação dos direitos humanos os levados em conta nesta reconfiguração necessária a partir deste momento. Uma forma de manter minimamente o sistema funcionando será buscada.


No Brasil, não conseguimos ainda dimensionar o tamanho da confusão que a liberalização trouxe. Isso, porque o Estado tem um poder limitado de controle. A liberalização é isso: significa não saber qual o tamanho desta encrenca. E, por outro lado, sabemos que ninguém está imune. O Brasil está numa situação em tese mais vantajosa, mas vamos descobrir futuramente os demais problemas e como e o quanto vão afetar a nossa economia. As organizações da sociedade civil vão passar por algumas turbulências. Precisamos, com mais rapidez, ajustar nossas prioridades e concentrar esforços para desenhar uma agenda política mais concreta. Estávamos muito na defensiva e estamos dando respostas políticas muito pequenas e limitadas a uma conjuntura que exige mais firmeza.

 

Vínhamos pensando modelos alternativos de desenvolvimento, outras maneiras de agir e temos que pensar alternativas ao todo. A perspectiva é mais radical. A regulação em si preserva o sistema, mas o sistema avançou muito nas suas contradições e a recomposição não pode ser simplesmente a recomposição de um mundo adequado aos negócios. Terá que ser uma recomposição que reconheça a interligação entre os vários problemas. O que está em crise não é um sistema. O que está em crise é um paradigma de civilização.

Gabriel Strautman, secretário executivo da Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais

A crise abre oportunidades para organizações. Faz tempo que falamos das contradições do sistema econômico e em especial do sistema financeiro e afirmamos que este modelo levaria a uma maior vulnerabilidade dos países e uma menor capacidade de resposta do Estado. Neste momento em que a crise se arma sobre as economias do mundo inteiro, isso fica mais claro. A crise foi causada pela irresponsabilidade e pela ganância de quem especula. O que aconteceu foi o efeito ‘castelo de cartas’. Tirou-se uma carta da base e tudo desmoronou.

 

A oportunidade é de refletir sobre isso, porque depois de toda quebradeira, o mercado vem para a sociedade pedir socorro aos Estados, dizendo que os BCs e as reservas devem ser colocadas à disposição das instituições financeiras (bancos e agências de créditos) que foi quem assumiu o risco arbitrariamente. A crise é uma oportunidade de reafirmarmos que não é possível tolerar isso.


Esta é uma oportunidade de ver as contradições explícitas e denunciar isso tudo. Para as organizações que trabalham com direitos (educação, saúde, habitação, cidade), é uma oportunidade de afirmar que os orçamentos dos estados nacionais têm estado a serviço desta política. No Brasil, 33% do orçamento da União é para pagar a dívida. E isso para quê? Para obedecer as regras do jogo, conquistar o respeito dos mercados e alavancar o grau de investimento do país, receber mais capital especulativo e ficar mais vulnerável em momentos como este. O que temos que mostrar é que o pagamento dos juros da dívida compromete a capacidade do Estado em avançar com as políticas sociais e nos insere numa lógica perversa que gera este tipo de crise.


* Leia a íntegra da entrevista com Gabriel Strautman, secretário executivo da Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais: http://www2.abong.org.br/final/caderno2.php?cdm=19275


* Leia a íntegra da entrevista com Candido Grzybowski, diretor do Ibase e integrante do Conselho Internacional do Fórum Social Mundial: http://www2.abong.org.br/final/caderno2.php?cdm=19276


* Leia mais no site da Rede Brasil: http://www.rbrasil.org.br/ e no Portal Ibase: http://www.ibase.br

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