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51906/03/2014 a 03/04/2014

A violência e o preconceito têm cor

Por Silvia Patricia Costa, diretora estadual da Abong - Tocantins

 

Casos como o do menino negro acorrentado e violentado no Rio de Janeiro por “justiceiros”, do ator e psicólogo que foi preso por engano sendo confundido com um assaltante no Rio de Janeiro, do pedreiro Amarildo que desapareceu após ser detido pela polícia carioca e do jovem negro de Salvador que foi preso por roubar três livros para estudar evidenciam atos de violência e de discriminação racial.

 

O adolescente que foi encontrado nu, acorrentado pelo pescoço por uma trava de bicicleta a um poste, com sinais de lesões e um pedaço da orelha cortada, numa rua movimentada do Rio de Janeiro, palco de uma espécie de pelourinho contemporâneo, são também cenas que remetem ao período da escravidão, mesmo depois de 125 anos da Lei Áurea. E tudo isso para que servisse de exemplo aos outros “ladrõezinhos” que frequentam os bairros da elite carioca, segundo disseram os justiceiros para o adolescente.

 

Atos praticados como forma de justiça por pessoas que se auto-intitulam “justiceiros”, fundamentam-se na crueldade, na forma de castigo por ações eventualmente ilícitas, e mostram, de certa forma, uma das feições do nosso Brasil: a de um país que não é pacífico como por tantos anos se apregoou.

 

Fatos como os relatados trazem, ainda, um agravante: alcançam especialmente pessoas empobrecidas e de cor negra. É por isso que já se afirma, em nosso país, que o preconceito por aqui tem cor.

 

Mas, na verdade, toda pessoa pode ser vítima dos grupos de extermínio e chacinas. Quase sempre, estes grupos praticam tais barbáries em nome da justiça. Eles agem nas favelas, nos guetos e nas periferias de norte a sul do país e não são responsabilizados pelos atos criminosos, espalhando medo e ódio nas noites e dias das favelas.

 

Diante de tudo isso, os movimentos de luta pela desmilitarização perguntam-se: polícia para quem? Parafraseando Titãs: “polícia para quem precisa de polícia”.

 

A maioria das pessoas que consegue fugir da mira dos grupos de extermínio acaba submetida a outras formas de violência, também intensas tais como a tortura e as celas abarrotadas do sistema prisional brasileiro, cada vez mais desumano, criminalizador e racista.

 

Os/As jovens negros/as, moradores/as da periferia, são incriminados/as e estigmatizados/as por sua negritude, por morarem nas zonas de ocupação.

 

Encontrar um cadáver estendido, jogado pelos becos, infelizmente, faz parte do cotidiano das periferias brasileiras, algo que tem se tornado natural, aceito por significativa parcela da sociedade brasileira, que insiste em não ver que os alvos da violência são exatamente eles/as (os/as jovens negros/as), todos muito bem retratados na proporção de 70% de negros/as vítimas de assassinatos no país, conforme dados recentes que aparecem todos os dias nos jornais e nas pesquisas sobre violência.

 

Segundo pesquisas do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) de 2013, 53 mil pessoas são assassinadas por ano no Brasil e a maioria são jovens de 15 a 29 anos, todos/as pobres e negros/as, literalmente marcados/as pra morrer.

 

São dados de uma dura realidade que precisamos repudiar, tornando-a pública, até porque é ainda encoberta para a maioria da população que insiste em não enxergar o extermínio da juventude negra e favelada, vítima da desumanidade cotidiana.

 

Verdade seja dita: o/a negro/a é o bode expiatório deste país. Daí termos que ler e escutar a estranha frase do deputado federal Luiz Carlos Heinze em relação às minorias do nosso país: “quilombolas, índios e homossexuais são tudo o que não presta”. Cabe a todos nós, brasileiros e brasileiras, refutarmos este tipo de atitude e, mais que isso, enfrentarmos, juntos/as, tamanha desigualdade, violência e preconceito contra as populações empobrecidas e injustiçadas do nosso país, além de reagirmos ao crescimento dos atuais “justiceiros”, que nos fazem lembrar os “esquadrões da morte” dos anos 70.

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