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4275/08/2008 a 19/08/2008

Três experiências de comunicação feminista

“Sujeito político é aquele(a) que tem voz ativa na esfera pública. O feminismo é um pensamento crítico e político de mulheres que querem construir a liberdade. E isso não cabe na grande mídia”. Seguindo estes preceitos, mulheres de Pernambuco demonstraram as suas contribuições para a construção de uma esfera pública mais democrática.

Durante o seminário “Democratizar a Comunicação para democratizar a vida social”, apresentaram experiências comunicativas e de intervenção política no cenário da comunicação.

Eliane Nascimento, do Programa Rádio Mulher, falou sobre a sua experiência à frente do programa que tem 11 anos e é transmitido hoje em dia pela Rádio Quilombo dos Palmares. Fruto de um projeto da ONG Mulheres do Cabo, o programa é feito para e por mulheres da região de canavial, em Pernambuco. “No começo, era um verdadeiro desastre, porque não tínhamos técnica para produzir e falar, mas com o tempo, descobrimos que o discurso da técnica serve apenas para impedir que as pessoas arrisquem. Hoje, eu opero até mesa de som”, conta Eliane.

 

“As mulheres ligam para a rádio e nos abordam na rua, para dizer que parece que falamos diretamente com elas”, diz. Ela conta que o programa é feminista, usa linguagem de gênero, e trata de temas cotidianos e da vida das mulheres, com informações de interesse público. “Sabemos que, inclusive entre os homens, temos uma grande audiência”, conta Eliane. Para ela, um dos grandes resultados da rádio é a reorganização da Articulação de Mulheres da Mata Sul. “Dentro de um contexto rural e repressor, conseguimos um espaço em que as mulheres têm voz e vez. Isso permite que nós falemos de nossos problemas e façamos política”, conclui.

Gigi Bandler, do grupo de teatro Loucas de Pedra Lilás, apresentou a proposta ousada das artistas que estão juntas desde 1989. “Tínhamos uma inquietação e queríamos fazer o feminismo descer mais redondo com humor, irreverência e sem ter medo do ridículo”, conta, parodiando o bordão de uma marca de cerveja.

 

Em 1996, as ‘Loucas’ (como são carinhosamente conhecidas e chamadas) se tornaram uma ONG, com o objetivo de dar visibilidade, pela arte, aos direitos das mulheres. “Nossas expressões são principalmente espetáculos teatrais, instalações, canto, programas de rádio e clipes de TV”, conta Gigi. Hoje, as ‘Loucas’ têm um espaço na TV Universitária local onde exibem seus clipes da série “Loucas por direitos”, em que falam de direitos das mulheres.

A terceira experiência apresentada foi a da assessoria de imprensa do Fórum de Mulheres de Pernambuco. A jornalista Manuela Marinho contou como o trabalho de assessoria tem contribuído para ampliar o poder de fala das mulheres e a visibilidade pública dos seus direitos. “Nossos principais objetivos são de usar a comunicação como instrumento político de ação; pautar a mídia em relação aos temas dos direitos das mulheres; e sensibilizar os profissionais de comunicação para estes temas”, afirma Manuela.

 

Para Rosario de Pompéia, do Centro de Cultura Luis Freire e do Observatório de Mídia Regional da UFPE demos contar com o apoio da mídia. “Precisamos atuar nas brechas de conteúdo, mas é fundamental que construamos uma intervenção na estrutura”, diz. Para Gigi, das Loucas de Pedra Lilás, fazendo comunicação, as mulheres se tornam sujeitos históricos ativos e isso já é uma forma de fazer contra-cultura. A jornalista Aline Lucena, da Sinos, afirma estas iniciativas são “fissuras no modelo comunicacional em que vivemos” e é preciso integrar estas práticas com a luta por políticas públicas para mudar de forma consistente e perene o cenário das comunicações no Brasil.

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