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informes - ABONG

52604/09/2014 a 02/10/2014

Sedup lança campanha para incentivar a participação popular das mulheres na luta contra a violência

“A política do corpo tem uma importância revolucionária muito maior do que qualquer reforma agrária ou a luta pela constituinte porque é a partir daí, do de dentro do ser humano que ele é incapaz de resistir a isso que tá aí”

Rose Marie Muraro

 

Por Kel Baster, educadora popular do Sedup - Serviço de Educação Popular


Mesmo em um Brasil no qual mais da metade da população é formada por pessoas do sexo feminino, a participação de mulheres nos espaços públicos seja como sociedade civil ou gestora pública é ainda pouco expressiva em relação à força do patriarcado e o espaço de poder que ele destina aso homens. O site especializado “Mulheres no Poder” apresenta dados sobre a presença feminina no Poder Legislativo Brasileiro: onde menos de 10% das prefeituras são dirigidas por mulheres: nas câmaras de vereadores/as, apesar de um pouco mais alta, esse percentual não ultrapassa 12%. Nas assembleias dos estados, a porcentagem fica em cerca de 10%. Em Guarabira, no interior da Paraíba, por exemplo, atualmente há somente uma secretária do sexo feminino e duas vereadoras que atuam na Câmara Municipal.

 

Sem a presença da mulher nos espaços de poder é mais difícil propor e sensibilizar outros políticos para as causas que envolvam questões relacionadas ao universo feminino. As políticas públicas voltadas à mulher são recentes e foram alcançadas por grande pressão e mobilização de grupos organizados da sociedade civil. Entender como funciona todo o sistema e estrutura de participação social é importante para poder criticar e agir sem confundir politicagem com o fazer político. A Associação do Serviço de Educação Popular (Sedup) que atua na Paraíba há mais de 30 anos apoiando causas coletivas e contribuindo para a transparência das ações e recursos públicos, lançou no início deste ano em Guarabira a campanha virtual “Viva Mulher: Participação Popular para Violência Acabar”.

 

O objetivo é estimular reflexões sobre a condição da mulher e os diversos tipos de violência existentes a partir de depoimentos de mulheres que estão inseridas nos espaços de discussão sobre políticas públicas. “O caminho é o processo educativo. É preciso reeducar, refletir sobre essa problemática social e procurar alternativas para superá-la. A violência psicológica é tão agressiva quanto à física. Até perceber que vive numa situação de violência, uma mulher pode levar anos acomodada, sem autoestima”, afirma Gisânia Carla de Lima, educadora do Sedup. "Os encontros de mulheres trouxeram algo novo na minha vida e era um jeito de eu sair de casa", ressalta, em um dos vídeos, Maria da Luz, de Guarabira.

 

Através da sensibilização ou até identificação de mulheres para as mais diversas situações que diariamente muitas vivem em um cenário de múltiplas violências busca-se apresentar como a participação popular é fundamental para acabar com a violência e fortalecer a democracia. A campanha quer ainda tornar essa discussão permanente para que as reflexões e ações não se pautem somente nas datas comemorativas, como no dia internacional da mulher ou no aniversário da Lei Maria da Penha, outra conquista da luta pelo reconhecimento e existência da mulher. "Aprendi no movimento (entrei em 1986) que ser mulher é lutar pelos seus direitos e não nos deixar violentar", afirmou Luzia Soares Ferreira, presidente do Movimento da Mulher Trabalhadora (MMT-PB), em seu depoimento audiovisual. "Quando eu era agente de saúde eu conheci muitas mulheres que nem sabiam que estavam sendo violentadas", destaca Simone da Silva, do município de Cuitegi, Paraíba.

 

Grupo prioritário


Além da divulgação dos vídeos da Campanha, o Sedup vem realizando ou e participando de uma série de ações sobre a temática de gênero na região do brejo paraibano. Em março, foi realizada pela ONG a roda de diálogo "Mulher: Participação e Políticas Públicas contra a Violência” cujo objetivo foi lançar a Campanha e propor reflexões sobre os avanços da aplicação dos direitos relacionados à mulher.

 

A equipe do Sedup também participou do Seminário “Guarabira no Enfrentamento à Violência” organizado pela Secretaria de Políticas Públicas para Mulheres. “Sentimos falta neste seminário de uma participação da população, da educação (espaço importante para professores participarem dessas discussões) e dos próprios representantes da Câmara Municipal (local de realização do evento). Seguimos em frente para estimular reflexões, e, mais ainda, ações”, chamou a atenção o coordenador do Sedup, Luciel Araújo. No mês da mulher também foi organizada uma prosa sobre “Mulher e Políticas Públicas” para turma da Educação de Jovem e Adultos (EJA), na Escola Estadual John Kennedy, em Guarabira.

 

Ainda no primeiro semestre as educadoras do Sedup participaram da capacitação “Orçamento sensível a gênero” ministrada pela equipe da Cunhã – Coletivo Feminista de João Pessoa. O objetivo foi capacitar sobre a distribuição e mobilização dos recursos públicos que definem os programas específicos para as mulheres e a importância da criação pela sociedade civil de instrumentos de monitoramento sobre o orçamento. Também houve a presença do Sedup nas discussões da mini-plenária “Mulher: violação e conquistas” dentro da programação do 5º Encontro da Semana Social Brasileira com o tema “O Nordeste que temos e o Nordeste que queremos”.

 

Realização da oficina “Saúde da Mulher e Políticas Públicas” promovida pelo Sedup, em Ingá, Paraíba, em parceria com o Movimento das Mulheres Trabalhadoras da Paraíba (MMT-PB) e o Movimento da Mulher Trabalhadora Rural do Nordeste (MMTR-NE). E colaboração no planejamento da audiência pública proposta pelo MMT com o objetivo de discutir as diversas violências sofridas pelas mulheres e reivindicar mecanismos de proteção à mulher em âmbito municipal e estadual no município de Alagoa Grande-PB. Como resultado desta ação a gestão municipal comprometeu lançar ainda em julho deste ano uma coordenadoria de políticas públicas para mulheres e solicitou uma representação do MMT como parte integrante da equipe que atuará no espaço.

 

Durante todo o semestre a equipe do programa de rádio Atuação, coordenado pelo Sedup, também elaborou uma série de pautas com a temática sobre a mulher. Foram entrevistadas representantes da Rede de Mulheres em Articulação da Paraíba, do MMT, da Secretaria de Estado da Mulher e da Diversidade Humana (SEDMH), professoras, lideranças de bairro, etc. O programa de rádio Atuação vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 12h, pela rádio comunitária Nordeste FM (104,9 FM ou www.comunidadegeralfm.blogspot.com. A participação política das mulheres é urgente e necessária quando pensamos na luta pelos direitos das mulheres em um contexto que ainda prevalece a discriminação e a desigualdade, e a que a maioria do espaço público é ocupada por homens. Este cenário mudou, mas ainda continua como sombra e fantasmas rondando o direito feminino.

 

O caminho que o Sedup acredita para que se possa mudar essa realidade é através do fortalecimento de um dos inúmeros papéis sociais que a mulher exerce: o primeiro a de ser mulher, simplesmente existir como tal e o segundo incentivar sua participação e pensamento sobre a ótica política. “Sem políticas públicas de combate à violência não podemos avançar em seu enfrentamento. Queremos dar um passo à frente e precisamos que os/as vereadores/as e as prefeituras da região venham juntos nessa caminhada. Democracia só ocorre desse jeito”, destacou Gisânia Lima, educadora do Sedup.

 

A Campanha


A Campanha Viva Mulher: "Participação popular para a violência acabar" consiste na produção de vídeos de curta duração feitos a partir de conversas informais com diversas mulheres que moram, trabalham, estudam e são mães na Paraíba. Já foram produzidos 12 curtas documentários apresentando os diversos tipos de violência e vivência nos espaços e grupos que combatem qualquer tipo de discriminação e violação dos direitos humanos. A Campanha foi lançada pelo Sedup, no dia 28 de março de 2014, na roda de diálogo "Mulher: Participação e Políticas Públicas contra a violência", em Guarabira-PB. Ela pode ser acessada pela página do Sedup no youtube: https://www.youtube.com/user/sedupguarabira ou pelo facebook: Sedup Guarabira. Acesse e contribua com sua opinião!

 

Com informação da assessoria de imprensa do SEDUP

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