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informes - ABONG

4235/06/2008 a 19/06/2008

Reflexões sobre uma outra integração da América Latina

A Abong sempre se colocou como um espaço de reflexão e construção de referências no debate sobre desenvolvimento e democracia. Para nós, nenhum dos dois existe sem a participação ativa dos movimentos sociais, partidos políticos e organizações da sociedade civil para trazer, debater, ampliar e aprofundar idéias, construir alternativas e politizar lutas contra o neoliberalismo, o racismo, o patriarcado, os crimes ambientais e para lutar pelo fortalecimento daqueles/as que historicamente têm seus direitos violados, como os povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e tantos outros no Brasil e na América Latina.

São fundamentais as alianças que se constroem para compreender os processos em curso protagonizados pelos movimentos sociais, partidos políticos e ONGs e também para se posicionar em relação às/aos responsáveis pela violação dos direitos, aprofundamento das desigualdades, desnacionalização dos povos e desrespeito à vida, que nos desafiam a criar alternativas, construir plataformas de ação que efetivamente invertam a lógica perversa desse desenvolvimento e que democratizem e fortaleçam a sociedade.

São muitos os desafios para a construção de uma outra integração da América Latina. E são muitas as propostas locais e nacionais para superar as barreiras em torno de uma agenda comum para a região. Acreditamos que esta outra integração que queremos, alternativa aos modelos atuais, baseados na integração física e comercial dos países, é possível, respeitando as diversidades, sociabilidades e as necessidades dos povos da região.

Esta construção será possível se apertarmos o passo, engrossarmos as nossas vozes e denunciarmos esse modelo integrador que vem sendo aprofundado na região: uma integração de capitais, com incorporação de territórios e desintegração de processos de resistência. E não uma integração entre povos.

A aplicação deste modelo – que vem sendo liderada pelo Brasil – reproduz na América Latina a política estadunidense de apropriação das riquezas dos países, convertendo-as em mercadorias exportáveis, cujos excedentes servem para pagar suas dívidas.

Enquanto serve de indutor deste projeto físico-comercial de integração (inclusive através do BNDES e dos sistemas Eletrobrás e Petrobrás, que, consorciados com grandes empreiteras, bancos privados e grandes corporações do agronegócio, reproduzem uma relação de dominação assemelhada à que o Banco Mundial tem com os demais países da região), internamente, o governo brasileiro quer dividir a agenda de debates entre temas sociais e econômicos, deixando apenas os sociais para discutir com a sociedade civil. Deste modo, quer de fato a participação?

Recorramos ao exemplo do Mercosul. Não sabermops ao certo que participação pode levá-lo para além do livre comércio. Ou qual o peso real da integração proposta neste projeto para cada governo da região. Também não há definições claras sobre qual a agenda do governo brasileiro em relação ao Mercosul.

 

Estas são questões podem ser extendidas do debate do Mercosul para outros projetos de integração que seguem este mesmo modelo e que, aparentemente, não têm respostas, mas elas vão sendo construídas em gabinetes, sem diálogo com a sociedade. Há muitos debates no âmbito da sociedade civil, mas não existem espaços institucioinais entre Estado e sociedade e mecanismos formais de participação na discussão da integração que queremos: um projeto que rompa, de fato, com as estruturas do capitalismo.

Apenas rediscutir o sistema com base nas estruturas existentes não proporciona a superação das desigualdades. Mais do que isso, tende a reproduzi-las. Por isso, a ruptura necessária passa pelas questões estruturais e passa fundamentalmente pelos valores. Neste sentido, os movimentos sociais, ONGs e sujeitos da sociedade civil têm um papel histórico fundamental, como em qualquer processo de refundação.

Nosso próximo grande desafio é fazer com que o Forum Social Mundial seja, efetivamente, um espaço de articulação de lutas e de construção de plataformas de ação, no caminho do mundo que queremos fazer possível.

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