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42122/04/2008 a 5/05/2008

OPINIÃO: Mapa das Desiguldades: Região Sul do Brasil pede socorro

Historicamente conhecida como Sul maravilha, há pelo menos duas décadas a Região Sul do Brasil tem sofrido com as conseqüências do modelo de desenvolvimento econômico adotado no país. Os fenômenos do aumento da pobreza e da desestruturação social têm sido acompanhados por especialistas, em função de que, há vários anos, a Região era considerada como um lugar onde o capitalismo deu certo.

A verdade é que o novo modelo, chamado de neoliberal, que prometia progresso e desenvolvimento social, apenas serviu para desmantelar a estrutura produtiva, baseada na pequena propriedade rural, em um parque industrial formado por uma centena de pequenas e médias empresas e um Estado forte e presente na vida dos cidadãos e cidadãs, com serviços de educação, saúde, moradia e transportes.

 

Este Estado forte, com capacidade de interação e controle sobre a economia, foi sendo paulatinamente desestruturado por meio de um discurso com um forte cunho liberal, como se a responsável pelas mazelas sociais fosse a ineficiência pública. Daquela época de orgulho pelos altos índices de escolaridade e de politização da base da sociedade, esta última característica talvez seja a única que restou, em virtude do elevado grau de mobilização social que vemos todos os dias.

Contudo, quais os motivos dessa mudança? Algumas pessoas podem pensar que esta degradação econômica, com sérias conseqüências sociais, é fruto de uma crise econômica mundial. Mas não é. Uma recente pesquisa realizada por ONGs, entidades ecumênicas e movimentos sociais da Região Sul – organizados/as em torno do Processo de Articulação e Diálogo (PAD) –, denominada Mapa das Desigualdades, demonstra que as crises econômica e social são justamente o resultado de um “bem-sucedido” processo de implantação das bases do neoliberalismo na Região.

 

Mais do que isto: o estudo, que foi elaborado para ser enviado às agências de cooperação internacionais européias, identifica que, no Sul do Brasil, está em curso um processo de disputa entre dois projetos explicitamente delineados. Um, de caráter neoliberal e alicerçado nas premissas e valores do mercado; e outro, que vem sendo vivenciado por uma extensa rede de organizações e movimentos sociais em contraposição a este modelo. O estudo mapeia e analisa esta realidade regional, identificando cinco conflitos estruturantes que colocam, de um lado, o modelo neoliberal e, de outro, a resistência e as políticas de caráter social.

O primeiro dos cinco conflitos estruturantes identificados pelas organizações foi apresentado como Mídia, Educação e Ideologia – e tem como base o monopólio dos meios de comunicação social e a forma privada e mercadológica como são administrados. O fato marcante que exemplifica este conflito foi o tratamento dado pela mídia às ações das mulheres camponesas, apresentado à sociedade como ações criminosas; por outro lado, o tratamento parcimonioso com o agronegócio da soja, que plantou milhares de hectares de soja transgênica à margem da lei.

Outro conflito mapeado, o Agronegócio versus Agroecologia, mostra as ações do agronegócio que desagregam a pequena propriedade rural, em contraposição às ações e aos projetos da Rede Ecovida, já reconhecida como uma ação afirmativa de sucesso. O Modelo energético e o Hidronegócio compõem mais um conflito apresentado. Neste particular, as ações de criminalização dos movimentos sociais, em especial do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), lideradas pelas empresas de energia, se contrapõem à série de denúncias de mau uso do dinheiro público em obras faraônicas inacabadas e aos altos preços pagos por megawatt pelas residências familiares – além das isenções e dos subsídios das empresas multinacionais, que chegam a pagar 54% a menos pelo megawatt.

 

Os dois últimos conflitos, denominados Modelo de gestão pública e Precarização das relações de trabalho, alertam para a falta de um modelo de Estado que seja democrático e participativo e demonstram que a juventude é a grande vítima das políticas de flexibilização das relações de trabalho: mais de 50% dos/as jovens da Região não têm perspectiva de emprego.

As conclusões são evidentes. As políticas neoliberais, que foram e estão sendo a espinha mestra das políticas implementadas na Região Sul, continuam sendo hegemônicas. O resultado é desagregação social, pobreza e crise constante. Há uma resistência cada vez mais articulada em redes e ações, que tem unificado as entidades regionais e começa a esboçar uma reação organizada.

 

No entanto, com a retirada paulatina da cooperação internacional no apoio a ONGs, movimentos sociais e entidades ecumênicas da Região, esta resistência está cada vez mais difícil de ser sustentada. Os recursos públicos nacionais, é óbvio, não servem e nem mesmo devem servir para organizar a mobilização social contra o modelo que o próprio Estado brasileiro defende.

Além disso, o alerta que o Mapa coloca sobre a realidade brasileira é uma reflexão fundamental, neste momento de ascenso econômico nacional: não é qualquer modelo de desenvolvimento que produz justiça e igualdade social, requisitos essenciais para um desenvolvimento duradouro. O que este estudo aponta para o resto do Brasil é que justamente onde o capitalismo “deu certo”, cresce a exclusão social. Por isto, o Sul pede socorro: porque a desigualdade cresce assustadoramente e o apoio às ações de resistência, protagonizadas por ONGs, movimentos sociais e entidades ecumênicas, está cada vez mais escasso. O Mapa das Desigualdades é um alerta de que está na hora de uma reação ampla, da qual a Abong já faz parte.

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