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52806/11/2014 a 04/12/2014

Feiras agroecológicas são alternativa a modelo de desenvolvimento convencional

Por Nana Medeiros

 

Em relatório divulgado em 2012, a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO) registrou que, desde 2008, o Brasil se tornou o maior consumidor de agrotóxicos, sendo despejado nas lavouras brasileiras o equivalente a 5,2 litros da substância por pessoa ao ano.

 

Para representantes da sociedade civil organizada, esta situação revela a necessidade de se formular alternativas ao modelo do agronegócio que, representado por empresas transnacionais e grandes proprietários de terra, coloca em risco a saúde da humanidade, a preservação do meio ambiente e a sobrevivência das famílias agricultoras.

 

Para Davi Fantuzzi, do Núcleo de Mobilização de Recursos da ONG Centro Sabiá, as feiras agroecológicas surgem como uma alternativa à produção e ao mercado tradicionais.

 

Localizado em Recife (PE), o Centro Sabiá acompanha e auxilia famílias agricultoras da Zona da Mata Sul, do Agreste e do Sertão do Pajeú. Segundo Fantuzzi, existem, hoje, cerca de dezoito feiras agroecológicas em Recife. Ele explica que a produção familiar é muito mais diversificada do que a tradicional e garante, em primeiro lugar, a segurança nutricional da família produtora, sendo comercializado seu excedente.

 

O papel das Organizações da Sociedade Civil (OSCs), neste caso, é orientar produtores e produtoras, criando estratégias de comercialização e ampliando a articulação entre eles/as para que possam ter pleno controle de sua produção.

 

Para Ana Flávia Borges Badue, do Instituto Kairós, sediado em São Paulo (SP), uma das formas mais efetivas de se estimular a adoção da produção orgânica em lugar da tradicional é propiciar canais de escoamento desses produtos mais diretos com o/a consumidor, sendo as feiras fundamentais neste processo. “As feiras permitem o contato direto entre consumidor/a e produtor/a. Assim, é possível entender melhor os desafios da produção agrícola. Ficamos mais conscientes de que há sazonalidades a serem respeitadas para o bem do meio ambiente e da própria qualidade dos alimentos consumidos”, afirma.

 

Recentemente, a sociedade civil paulistana se mobilizou em torno da permanência da Feira do Modelódromo, localizada no Ibirapuera. Foram coletadas mais de cinco mil assinaturas, além do apoio de mais de 80 instituições, vereadores/as, deputados/as e gestores/as públicos/as. Como resultado, a feira permaneceu no local e o prefeito Fernando Haddad assinou o Decreto nº 55.434, que permite a instalação de feiras orgânicas e de produtos de transição agroecológica em equipamentos esportivos da Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Recreação.

 

Na opinião de Ana Flávia, sem um espaço de comercialização adequado, não há como estimular que os/as 400 produtores/as da cidade de São Paulo implementem a produção orgânica, deixando assim de gerar o impacto da produção convencional na qualidade da água de represas como Billings e Guarapiranga, que abastecem cerca de 30% da população de São Paulo.

 

Para ela, o decreto assinado por Haddad foi um exemplo de que a gestão atual da prefeitura de São Paulo tem oferecido maior abertura às feiras, ampliando o apoio a este tipo de produção, previsto inclusive no Novo Plano Diretor do município. Em outubro, para comemorar o Dia Mundial da Alimentação, foi realizada, no Mercado Municipal de São Paulo, uma feira com produtos oriundos exclusivamente da agricultura familiar e de assentamentos da Reforma Agrária.

 

As mesmas ações afirmativas para a agricultura familiar e para a agroecologia, no entanto, não são encontradas em todos os Estados do País. Segundo Davi Fantuzzi, no Nordeste, o Poder Público ainda deixa muito a desejar no que se refere ao apoio às feiras. Para ele, as feiras cumprem um papel social muito importante, inclusive para a saúde pública, e, neste sentido, falta reconhecimento.

 

De acordo com Fantuzzi, a lógica de organização das feiras no Nordeste difere das iniciativas do Sudeste do País, que partem, em sua maioria, de uma demanda e da mobilização dos/as consumidores/as. Ele explica que no Nordeste, as feiras nascem da própria necessidade das famílias agricultoras, que se organizam e se empoderam coletivamente. Mesmo assim, a necessidade de auxílio do Poder Público ainda é grande.

 

A falta de amparo aos/às agricultores/as, para Fantuzzi, passa por dificuldades organizativas, como falta de infraestrutura e segurança, e influencia na própria gerência das feiras. “Alguns agricultores alugam barracas de uma espécie de gerente da feira, voltando à lógica do negócio. O agricultor acaba perdendo a pouca autonomia conquistada, que é limitada por uma figura que exerce novamente uma relação de poder”, afirma.

 

Para ele, em alguns espaços e regiões, a agroecologia, assim como a agricultura orgânica, tem recebido mais atenção do governo. O que não quer dizer, no entanto, que o mesmo esteja acontecendo com as feiras agroecológicas. “Temos que ficar atentos. Nem todo orgânico é agroecológico. A agroecologia tem como centro os camponeses, enquanto a produção orgânica pode ser feita por uma empresa, inclusive numa lógica de monocultura. Uma lei que prioriza o orgânico é muito boa para o agricultor que consegue se organizar, mas, ainda assim, é preciso focar no produtor familiar, que não consegue competir com as empresas capitalistas. É preciso prestar atenção ao agricultor familiar, ao produtor indígena e quilombola e compreender quem são esses sujeitos sociais e quais são suas necessidades”, afirma.

 

Saiba mais

 

O vídeo "Produzido em São Paulo", realizado pelo Instituto 5 Elementos, é um chamado ao reconhecimento da área rural e dos/as agricultores/as que produzem respeitando a terra e os alimentos. O filme faz parte do esforço da Plataforma de Apoio à Agricultura Orgânica na Cidade de São Paulo, lançada em 2012, para comprometer os/as então candidatos/as a vereadores/as e prefeito/a do município com a produção orgânica e adquiriu a dimensão de uma bússola para as políticas públicas a favor da conservação das áreas rurais de São Paulo.

 

Assista ao vídeo aqui.

 

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