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53105/03/2015 a 02/04/2015

Como conter a juvenização da aids no Brasil?

Por Diego Callisto*


Entra ano, sai ano, e cada vez mais temos um cenário complexo e desafiador em relação ao enfrentamento da epidemia de aids no Brasil. E é pensando nisso que jovens brasileiros vivendo com HIV tentam se organizar de forma coletiva  para desenvolver estratégias de informação sobre  prevenção do HIV e outras DSTs, ou seja, queremos destacar a importância da prática do sexo seguro.

A Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/Aids (RNAJVHA) acredita na importância do diálogo de pares e da prevenção positiva como forma de reforçar não só o uso da camisinha, mas também de informar sobre a profilaxia pós-exposição (PEP), além de informar sobre educação sexual com o intuito de garantir que adolescentes e jovens não banalizem a infecção pelo HIV.

Hoje, por mais que tenhamos, por parte do governo, campanhas voltadas para a TV, sabemos que elas ainda não atingem os jovens e não contemplam nossas necessidades. É preciso avançar ainda mais e seguir estruturando parcerias e ações estratégicas e eficazes, explorando amplamente as tecnologias de informação e comunicação.

Nos últimos 10 anos, o número de jovens portadores de HIV cresceu em 32%.  Na população de 15 a 24 anos a incidência tem aumentado, passando de 9,6 casos por 100 mil habitantes em 2004, para 12,7 casos por 100 mil habitantes em 2013. Ao todo, 4.414 novos casos foram detectados em jovens em 2013, enquanto em 2004 foram 3.453.

O cenário é no mínimo preocupante, precisamos fortalecer e estimular o protagonismo juvenil, dar voz e vez a juventude e permitir que ela esteja inserida em espaços estratégicos de tomada de decisão. Fica aqui o meu questionamento: como ser protagonista nessa luta quando estamos, dia após dia, perdendo os nossos jovens?  Mesmo depois de 30 anos de luta contra a aids, os jovens continua morrendo.

Poderia citar inúmeros jovens que encabeçaram essa luta da juventude contra a aids e que hoje já não estão mais entre nós, mas gostaria de falar especialmente sobre a jovens Marina Ferreira, uma grande mulher,   que nos deixou há um ano.

Marina era jovem, ativista, universitária e se dedicou incansavelmente para essa luta da juventude contra a aids. Contraiu o HIV via transmissão vertical (mãe para filho). Já adulta passou a fazer parte da RNAJVHA e logo se tornou representante regional sul da rede, tendo como atribuição contatar, mobilizar, mapear, acolher, apoiar e capacitar adolescentes e jovens da região sul vivendo com HIV para somar essa luta e fortalecer a resposta da epidemia de aids não só na Região Sul, mas em todo o Brasil.

Em fevereiro de 2014 Marina nos deixou, junto com a partida dela foi-se também um pouco da alegria e brilho do movimento juvenil na Região Sul. Ela nos deixou bons exemplos e boas práticas de como trabalhar e tecer redes, nos ensinou que custe o que custar e haja o que houver, devemos lutar sempre sem esmorecer e sermos otimistas e resilientes perante as adversidades da vida, encarando tudo com coragem e esperança de que dias melhores virão.

Enquanto puder e tiver consciente, não deixarei que os meus pares, jovens vivendo com HIV, sejam perdidos de vista, principalmente aqueles que dedicaram suas vidas nessa luta e já não se encontram mais no campo de batalha. Marina ensinou que cada um a seu modo pode fazer a diferença. Com seu jeito tímido e introspectivo, ela conseguiu deixar seu legado e sua marca para a juventude de uma região do nosso Brasil. Ser jovem, mulher e líder, tudo isso ela foi.

Lembro-me de uma citação muito particular, de um dos livros de Harry Potter, saga da qual ela e inúmeras pessoas, sobretudo adolescentes e jovens, são fãs no mundo todo: "O que tiver de vir, virá, e apenas teremos de lidar com isso quando vier.! - J. K Rowling". Essa citação me marcou muito, porque em um de nossos últimos momentos, ela me disse que a morte era uma das poucas certezas da vida e que, enquanto ela não chegar, que era importante viver a vida e distribuir sorrisos. Até no fim ela esteve sorrindo e acreditando que dias melhores viriam. Não vieram. Ela partiu e mais uma estrela jovem acendeu no céu, iluminando nosso campo de batalha na luta contra aids.

Jovens, de todas as raças, de todas as regiões do país, de sorologia positiva ou não para o HIV, juntem-se, mexam-se, se agrupem, se fortaleçam, não podemos mais perder a nossa juventude, seja para o HIV ou para qualquer outra coisa. Que tenhamos em pessoas como a Marina exemplo para seguir adiante, combater toda e qualquer forma de discriminação e fortalecer o protagonismo juvenil nesse país.

Somente com união, determinação, amor e solidariedade vamos reverter esse cenário e fazer desse mundo um mundo melhor, com zero discriminação e com jovens conscientes, informados, capacitados e protagonistas de suas próprias vidas.

* Diego Callisto é membro da Rede Nacional de Adolescentes e Jovens vivendo com HIV/Aids, do Pacto global para o pós-2015 e da coalizão brasileira de jovens para o pós-2015.


Fonte: Agência AIDS

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