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41218/12/2007 a 20/12/2007

Dom Cappio e o rio São Francisco: uma água, muitas vidas

“O projeto de transposição não é democrático, porque não democratiza o acesso à água para as pessoas que passam sede na região semi-árida, distante ou perto do rio São Francisco. O governo mente quando diz que vai levar água para 12 milhões de sedentos. É um projeto que pretende usar dinheiro público para favorecer empreiteiras, privatizar e concentrar nas mãos dos poucos de sempre as águas do Nordeste, dos grandes açudes, somadas às do rio São Francisco.”

Estas são afirmações de Dom Luiz Cappio, bispo diocesano do município de Barra (BA), em seu artigo "Jejuo também por democracia real", publicado no dia 12 no jornal Folha de S.Paulo (Tendências e Debates).

Hoje, 20 de dezembro de 2007, faz 24 dias que Dom Cappio iniciou uma greve de fome, na tentativa de evitar que o projeto de transposição das águas do Rio São Francisco prospere. Hoje, ele corre risco de morte. Movimentos, organizações, grupos, redes, artistas, profissionais, dos mais variados campos da sociedade, estão manifestando publicamente apoio a Dom Cappio e à causa das populações que necessitam verdadeiramente de água para viver, e não de falsas promessas.

Dom Cappio doa sua vida como um último recurso capaz de fazer com que os movimentos redescubram suas identidades abafadas pela retórica desrespeitosa do governo federal e pela demagogia de seu representante maior.

 

Somente sua atitude tornou possível dar visibilidade nacional e internacional aos verdadeiros interesses vinculados a essa obra – os interesses dos políticos, empresários, empreiteiros, banqueiros e latifundiários –, que precisam cada vez mais da água privatizada para a produção de fruticultura irrigada, a criação de camarão em cativeiro, a produção de aço e de etanol, tudo para saciar a sede de mais lucros do mercado internacional.

Seu ato corajoso e radical, alimentado pelo sonho de uma sociedade em que se possa viver com liberdade e igualdade social, tem permitido, aos/às seguidores/as deste sonho, mostrar que é possível executar uma política de atendimento às necessidades de água da população, por meio de soluções menos agressivas ao meio ambiente, respeitadoras das populações, a um custo bem menor e de forma permanente.

É preciso que o Nordeste se subleve diante de mais uma obra supostamente redentora dos/as desprovidos/as do semi-árido. Mais do que isso, é preciso que esse gesto se amplie para todo o país, assim como se amplia a solidariedade, pois obras como esta se assentam numa única lógica: desnacionalizar a água, a terra e a energia, destruindo a biodiversidade, apagando a memória do povo e transformando o patrimônio das populações em bens privados. É o que está acontecendo hoje com o projeto complexo  hidrelétrico do Rio Madeira, com muitos impactos negativos para os povos de Brasil e Bolívia. É o que tem acontecido em Itaparica, Belo Monte, Barra Nova, dentre outras.

Diante dessa situação, faço um chamado a todas as pessoas que ainda se emocionam com as expressões de desapego material e de solidariedade com quem está perto e longe. Um chamado à consciência de que, num mundo dominado pelos acumuladores de capital, é impossível haver felicidade. Por isso, é necessário que, cotidianamente, realizemos o que for bastante para sermos melhores, para um mundo melhor.

Valério Arcary, em belíssimo texto, nos motiva dizendo que:  "O lugar dos socialistas é, portanto, ao lado de D. Luiz Cappio".  Diz ainda que a grandeza de seu sacrifício deve servir para nos mobilizar para a luta. Movida por este sentimento, faço minhas as palavras de tantos revolucionários e revolucionárias que deram suas vidas pelas nossas vidas: Socialistas deste País, Uni-vos!


(Por Magnólia Azevedo Said).

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