ABONG -  - Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais

associe-se

conheça nossas associadas

Procure pelo nome em um dos campos abaixo:

selecione
selecione

Ou faça aqui uma busca detalhada:

selecione
selecione
selecione
selecione
  • APOIO

    • Fundação Ford
  • REDES

    • Action2015
informes - ABONG

40927/11/2007 a 3/12/2007

1° de dezembro - Dia Mundial de Luta Contra a AIDS: o desafio continua

Avaliando as últimas décadas da epidemia, observamos muitas conquistas e realizações no Brasil e no mundo, mas, também, muitas barreiras e desafios na prevenção e assistência sobre os quais precisamos refletir e mobilizar-nos para superá-los. Como o avanço do crescimento de casos em regiões mais pobres e de maior exclusão social e entre populações mais vulneráveis.

Conforme dados do recente Boletim Epidemiológico1, o Brasil registrou 32.628 novos casos de Aids em 2006, apresentando uma queda quando comparados a períodos anteriores, como aos 38.816 casos notificados em 2002. No entanto, a queda nas taxas de incidência são significativas apenas para as Regiões Sudeste e Sul do país (queda de 25% e 18,4%, respectivamente, para o período entre 2002-2006), com um aumento extraordinário principalmente na Região Norte (crescimento de 39,6%) e preocupante para a Região Nordeste (aumento de 13%). A Região Centro-Oeste apresenta uma tendência à estabilização da incidência (queda de 4%).

Verifica-se também que a categoria de transmissão do HIV por meio de relações heterossexuais na última década cresceu de forma expressiva, apresentando índices de crescimento muito maiores do que a transmissão homossexual e refletindo diretamente na razão dos casos notificados entre os sexos, com 1,5 casos em homens para cada caso do sexo feminino, contrastando com a razão de 15 casos em homens para cada caso entre mulheres em 1995. Além disso, na faixa etária de 13 a 19 anos, observa-se uma inversão nessa razão de sexo, com a maioria dos casos entre meninas desde 1998.

Para o sexo masculino, os dados apresentam estabilidade na proporção de casos devido à transmissão homo/bissexual (27,6% dos casos entre homens em 2006), aumento proporcional da heterossexual (de 25,6%, em 1996, para 42,6%, em 2006) e redução importante e consistente dos casos em usuários/as de drogas injetáveis ( de 23,6% em 96 para 9,3% em 2006).

Quanto à faixa etária mais afetada pela epidemia, verificamos que as faixas entre 20 e 49 anos de idade continuam sendo as mais atingidas para ambos os sexos, para todas as Regiões do país, com um aumento de casos na população acima dos 50 anos de idade.

Cabe ressaltar também um decréscimo importante de óbitos por Aids a partir do final da década de 1990, mas que, infelizmente, ainda contabilizamos uma média de 11 mil mortes por ano em decorrência da Aids no país, acumulando mais de 180 mil óbitos até dezembro de 2005. Nota-se também o crescimento persistente da proporção de óbitos por Aids nas categorias de raça/cor “preta” e “parda”, em ambos os sexos, entre 1998 e 2004 (Tabela XIII do Boletim Epidemiológico Aids DST 2006), expondo a iniqüidade no acesso aos serviços de saúde para diagnóstico e tratamento precoces das populações empobrecidas.

Os números descritos acima refletem um complexo cenário no qual a epidemia de Aids se insere, o qual ainda é agravado por sérias questões econômicas, sociais e educacionais. No que diz respeito aos aspectos econômicos, não podemos deixar de citar o alto preço dos novos medicamentos anti-retrovirais, que são essenciais para o tratamento das pessoas soropositivas. Tais medicamentos são proibidos de serem produzidos localmente como genéricos devido a nossa Lei de Patentes e pelo atual sistema de propriedade industrial internacional.

 

Esta impossibilidade reforça o monopólio das grandes indústrias farmacêuticas internacionais sobre os medicamentos, e a conseqüente alta de preços pode significar uma ameaça para a ampliação e sustentabilidade do programa brasileiro de distribuição universal dos medicamentos anti-retrovirais.

No campo social, o estigma continua sendo um dos principais obstáculos para a prevenção e assistência. As pessoas soropositivas ainda enfrentam enormes dificuldades no mercado de trabalho, no exercício da sua sexualidade e no respeito aos seus direitos reprodutivos. Barreiras culturais relacionadas à opressão de gênero, raça, idade e classe social fazem com que jovens homossexuais, jovens mulheres homossexuais, afrodescendentes, pessoas em situação de pobreza, estejam entre aqueles/as mais vulneráveis à infecção pelo HIV e com acesso mais limitado a serviços de saúde e a escolas e possibilidades de educação.

É nesse contexto que precisamos resgatar a importância dos movimentos sociais e reafirmar os princípios básicos e fundamentais da política de saúde pública brasileira (SUS), em que prevalece o movimento pela atenção integral e integrada à saúde, com base nos princípios dos direitos humanos e da inclusão social. Precisamos nos mobilizar para que o acesso aos serviços de saúde de diagnóstico e tratamento, aos insumos e medicamentos de prevenção possa se tornar um direito de todos e todas.

É reconhecido que a sociedade civil organizada e os movimentos e organizações que dela originaram foram e continuam sendo fundamentais para a luta dos direitos das pessoas que vivem com HIV e Aids, na luta pelo respeito à diversidade sexual e na constituição das respostas brasileiras à epidemia. Esta importância reside não só no desenvolvimento de trabalhos inovadores no campo da prevenção e assistência, mas principalmente na mobilização social, na proposição e defesa de princípios orientadores de políticas de saúde, entre eles, a solidariedade com as pessoas mais afetadas, a garantia dos direitos humanos, a promoção da cidadania e o controle social das ações governamentais.

Para finalizar, fazemos um chamado de união de todos os setores da sociedade civil organizada para um trabalho conjunto na luta por um país mais justo e solidário. (Cristina Pimenta e Veriano Terto Jr., da coordenação-geral da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids – Abia).
____________________________
1 BOLETIM EPIDEMIOLÓGICO AIDS DST 2007. Brasília: Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância Sanitária, PNDST/AIDS, 2007. 14 p. Disponível em: http://www.aids.gov.br. Acesso em: 25 nov. 2007.

lerler
  • PROJETOS

    • Programa de Desenvolvimento Institucional (PDI)

Rua General Jardim, 660 - Cj. 71 - São Paulo - SP - CEP: 01223-010 - Tel.: 11 3237-2122

Horário de funcionamento do escritório: segunda-feira à sexta-feira, das 9h às 19h

design amatraca