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53408/06/2015 a 02/07/2015

EDITORIAL | Novos Paradigmas de Desenvolvimento

A humanidade está hoje na direção da não-sustentabilidade, caminhando rapidamente para tornar a Terra inabitável: estamos desmatando numa velocidade incrível, nossa água doce está sendo utilizada em uma quantidade muito acima de sua capacidade de reposição (vide a crise hídrica recente em São Paulo) e está sendo poluída pela ausência de saneamento, pelos herbicidas e pesticidas, pela mineração. Por outro lado, o aquecimento global está derretendo fontes de água doce que são as geleiras, os glaciares e as calotas polares, o que tornará a vida muito difícil em inúmeros lugares do mundo.

 

Nossos alimentos são cada vez mais envenenados pelos agrotóxicos – o Brasil é o maior consumidor mundial destas substâncias, à frente dos EUA. Nós os ingerimos em quantidade pequena, mas, dia a dia, ano a ano, continuamente, estes venenos produzem doenças.

 

A principal fonte de energia utilizada pelos seres humanos é, há mais de duzentos anos, constituída por combustíveis fósseis (carvão, petróleo, gás). Estes são causadores do aquecimento global, altamente poluentes e prejudiciais à saúde humana. À medida que o automóvel se converteu no principal critério do desenvolvimento econômico, as cidades passaram a ser construídas em função deste veículo individual.

 

Nosso sistema econômico, para gerar lucro, precisa incessantemente produzir e vender: nossas sociedades se transformaram em "sociedades de consumo" porque é necessário que as pessoas consumam sem cessar. Os produtos não são feitos para durar e, sim, para se tornarem rapidamente ultrapassados ("obsolescência programada"), de modo que haja necessidade de comprar um novo. Tudo isso exige um consumo permanente de recursos naturais, além de gerar uma enorme quantidade de lixo, descartado num volume superior à capacidade do meio ambiente de absorvê-lo.

 

Em consequência, os bens naturais do planeta estão desaparecendo. Alguns destes bens não são renováveis e, em algum momento, deixarão de existir, em razão do consumo excessivo. Outros são renováveis, mas a velocidade com que estão sendo utilizados e a não-sustentabilidade de seu uso fazem com que não haja tempo de regeneração.

 

As pessoas comuns tomam cada vez maior consciência da gravidade da crise ecológica, inclusive por causa dos eventos extraordinários que nos têm atingido. Mas os governos, em sua maioria dominados pelos interesses do poder corporativo, se recusam a mudar de direção.

Se continuarmos assim, o atual modelo de desenvolvimento - produtivista-consumista - levará a humanidade à autodestruição.

 

É mais do que nunca o momento de pensar uma concepção de desenvolvimento centrada nas necessidades humanas, que garanta a reprodução da natureza, evite o desperdício e não esgote os bens de que precisamos para viver. Um desenvolvimento que esteja voltado para a vida e não para a maximização do consumo.

 

Preocupados com esta situação, a Abong, junto ao Iser Assessoria (sua associada), está desenvolvendo um projeto intitulado Novos paradigmas de desenvolvimento - pensar, propor, difundir.

 

Nosso objetivo é ampliar o debate e contribuir para a construção de outra concepção de desenvolvimento. A ideia é aprofundar a discussão de propostas já existentes e produzir novas propostas - não apenas parciais, mas globais, pensando a organização da sociedade como um todo e o tipo de economia de que precisamos. Isto será feito por meio de debates virtuais e de seminários presenciais.

 

Desde 2010 promovemos quatro seminários e, em 2012, reunimos algumas das exposições em um livro intitulado Por um outro desenvolvimento, disponível no site da Abong. A Abong foi uma das entidades que contribuiu para organizar a Cúpula dos Povos por ocasião da Conferência Internacional Rio+20 (2012).

 

Recentemente, no Fórum Social Mundial, em Túnis, realizamos, junto com outras Organizações – CIDSE, DKA (Áustria), Focus on Global South, Fórum Internacional de Plataformas nacionais de ONGs (FIP), People’s Dialogue, Rural Women Assembly (RWA) - um debate sobre o tema "Para além do desenvolvimento: como construir sociedades justas e sustentáveis".

 

Em meados de março deste ano, publicamos um livreto (80 páginas) com o título Caminhos para um desenvolvimento justo: a sociedade civil na linha de frente da luta socioambiental, disponível no site do Observatório da Sociedade Civil e também em forma impressa.

 

Os textos produzidos serão divulgados em vários sites que já se dispuseram: os sites da Abong (www.abong.org.br), do Iser Assessoria (www.iserassessoria.org.br), do Observatório da Sociedade Civil (observatoriosc.wordpress.com), do Outras Palavras (outraspalavras.net), da MESA de Articulação de Associações Nacionais e Redes de ONGs de América Latina e do Caribe (mesadearticulacion.org) – que publica em espanhol -, do Fórum Internacional de Plataformas Nacionais de ONGs (FIP) (ifp-fip.org) – que publica em quatro línguas (português, espanhol, francês, inglês).

 

Outra proposta prevista pelo Projeto é desenvolver um cadastro de práticas sustentáveis por meio de um levantamento de experiências existentes no Brasil, como agroecologia (produção de alimentos saudáveis, sem agrotóxicos, sem transgênicos), recuperação de rios, energia solar, saneamento básico e tantas outras. Para além de levantar essas práticas, queremos torná-las disponíveis para acesso público. Já existem iniciativas deste tipo - não somos pioneiros -, o que queremos é contribuir com este esforço.

 

O que queremos é demonstrar que existem alternativas e que várias delas já estão sendo praticadas, trazendo resultados em termos de qualidade de vida e evitando os prejuízos gerados pelas políticas dominantes. Queremos provar que é possível mudar e, deste modo, evitar o desastre que se anuncia.

 

Queremos apresentar estas ideias e práticas a políticos/as – tanto parlamentares quanto autoridades do executivo – e debater com eles/as os caminhos para transformar tais ideias e/ou práticas em políticas públicas.

 

Entre as publicações que pretendemos produzir, vamos também elaborar cartilhas para uso popular, contendo tanto ideias quanto práticas. Algumas cartilhas nesta direção já foram publicadas pelo Iser Assessoria em conjunto com o CEBI (Centro de Estudos Bíblicos) para utilização de comunidades de base: uma sobre a Amazônia, outra sobre o semiárido, outra sobre o "bem viver". O projeto pretende dar continuidade e ampliar este tipo de produção de conteúdos.

 

Esta ação pretende ainda estabelecer intercâmbio com entidades de outros países da América Latina, onde já existem parceiros/as com preocupações semelhantes, alguns/mas dos/as quais já estão fazendo atividades no mesmo sentido que aquelas que estamos propondo neste Projeto.

 

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