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4066/11/2007 a 12/11/2007

Zumbi, feriado e consciências - há o que comemorar?

No dia 20 de novembro é celebrado o Dia Nacional da Consciência Negra, e este ano será comemorado com feriado em 217 cidades e 11 Estados brasileiros. Dedicada à reflexão sobre a situação da população negra, esta data foi escolhida  para homenagear  Zumbi dos Palmares, o mais importante líder negro brasileiro, que liderou a maior comunidade de escravos/as fugidos, o Quilombo dos Palmares, que chegou a reunir uma população aproximada de 35.000 pessoas. Zumbi foi assassinado em 20 de novembro de 1665.

A data foi celebrada pela primeira vez em 1971, por sugestão do poeta gaúcho Oliveira Silveira, que propunha que o dia da morte do líder Zumbi fosse comemorado em contraposição ao 13 de maio, Dia da Abolição da Escravatura, pouco representativa para a comunidade negra. Desde então, são inúmeras as atividades realizadas por todo o país, reunindo ativistas, religiosos/as, movimentos culturais, sempre com o objetivo de dar visibilidade à problemática do/a negro/a e trazer essa reflexão para a sociedade brasileira. Atualmente essas comemorações têm-se estendido para diferentes movimentos sociais que incorporaram a data em seus calendários de luta.

Passados 307 anos da morte de Zumbi, o que temos de fato a comemorar? Existem alguns avanços.  No início de seu mandato, o presidente Lula criou a Seppir – Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. Criou também  a  Lei n 10.639, que inclui o 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, no calendário escolar e tornou obrigatório o ensino de História da África e Cultura Afro-brasileira nas escolas públicas e particulares do país, com o objetivo de promover o resgate das contribuições dos povos negros na  sociedade brasileira.

Entretanto, as estatísticas e os indicadores sociais produzidos pelo próprio governo demonstram que essas medidas não têm sido capazes de modificar a vida 65% da população brasileira que vive, no país, situação de extrema desigualdade em razão do racismo que permeia a sociedade. 

E é por conta deste racismo que a juventude negra está sendo dizimada pela polícia; que as mulheres negras encontram-se no mais  baixo estrato social;  que proliferam teses sobre inconstitucionalidades sobre cotas e ações afirmativas; que o neo-malthusianismo é revivido nas afirmações eugenistas  do governador do Rio de Janeiro; que intelectuais se unem para desconstruir conceitos produzidos historicamente pelo movimento negro e brincam de determinismos genéticos; que as religiões de matriz africana são satanizadas por veículos de comunicação, tudo isso formando um caldo de cultura que aprofunda o nível de desigualdades entre pessoas negras e brancas, levando 65% da população brasileira à margem de qualquer projeto de desenvolvimento. Qualquer indicador social vai demonstrar que as desigualdades neste país têm cor, gênero e nome: chama-se racismo.

Mas o que temos a comemorar? A força, a alegria e a resistência de milhões de brasileiros e brasileiras que se orgulham de sua identidade racial e lutam para a concretização de um real estado democrático.

Mais do que celebração a um grande herói nacional, que foi Zumbi dos Palmares, o 20 de novembro representa a oportunidade de mostrar o Brasil que grande parte dos/as brasileiros/as desconhece. Então, que seja um dia de reflexão e comemoração para todas as pessoas, negras e brancas, que acreditam na utopia de um país verdadeiramente livre e democrático. (Por Nilza Iraci).

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