ABONG -  - Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais

associe-se

conheça nossas associadas

Procure pelo nome em um dos campos abaixo:

selecione
selecione

Ou faça aqui uma busca detalhada:

selecione
selecione
selecione
selecione
  • APOIO

    • Misereor
  • REDES

    • Plataforma Reforma Política
informes - ABONG

53703/09/2015 a 01/10/2015

A invisibilidade lésbica tem 364 dias por ano

O Dia Nacional da Visibilidade Lésbica é comemorado em 29 de agosto, simbolizando a importância da luta das mulheres lésbicas, que sofrem com o machismo e com o preconceito em relação a sua sexualidade

No último sábado, 29 de agosto, o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica completou 19 anos. Mulheres lésbicas se auto-organizaram durante toda semana que antecedeu a data para denunciar seu apagamento dentro da sociedade. Passados todos esses anos de luta, essas mulheres ainda precisam afirmar sua sexualidade, seus direitos, seus corpos e suas vozes todos os outros dias do ano.


“Esse dia é importante para nos lembrar que existimos, mostrar para a sociedade que fazemos parte dela e conscientizar outras mulheres da força que é ser lésbica e da resistência e afronta que isso significa”, conta Renata Alves, lésbica, gorda, periférica e militante feminista.

“Somos invisíveis diariamente e excluídas de todos os espaços. Somos alvo de violência e de machismo, nossa sexualidade é sempre questionada e a opressão que sofremos é naturalizada. Por isso é um dia importante”, afirma Rute Alonso, lésbica que integra a ONG União de mulheres de São Paulo.

A luta dessas mulheres por seus direitos específicos ganha um marco no dia 19 de agosto de 1996, quando aconteceu o primeiro Seminário Nacional de Lésbicas (SENALE), no Rio de Janeiro, marcando esse dia de luta contra a invisibilidade. Os sete dias que antecedem 29 de agosto são conhecidos como Semana da Visibilidade Lésbica. Em algumas cidades, acontecem oficinas e programas de saúde voltados para esse grupo de mulheres. “É essencial que as prefeituras organizem programações para lésbicas e que sejam debatidos temas relevantes, como saúde e inclusão no mercado de trabalho”, aponta Brenna Costa, lésbica, negra e gorda, que criou a página do Facebook Feminiciantes.

Opressões combinadas


De acordo com a pesquisa do Grupo Gay da Bahia (GGB) há em média um homicídio da população LGBT a cada 28 horas. Entre 1980 e 2010, foram assassinadas no país mais de 92 mil mulheres – o dado é do Mapa da Violência 2012, produzido pela FLACSO. E os dados específicos sobre violência contra as lésbicas no país? Não existem ou são rasos – o que reafirma a necessidade da invisibilidade das lésbicas ser pautada. Mas mesmo sem os índices, se olharmos em conjunto para as duas pesquisas citadas, podemos ver que o machismo e o preconceito contra a população LGBT são significativos, logo, as duas opressões combinadas têm um nome: lesbofobia.


“O machismo é o pai de toda a violência contra a humanidade, então a lesbofobia está diretamente ligada a essa opressão. Por isso que é importante nos mobilizarmos no dia 29: é uma maneira de mantermos nossas vozes vivas, lutar contra a invisibilidade e exigir direitos”, afirma Luana Hansen, lésbica, negra e periférica, que leva sua música de resistência para outras mulheres.


“A palavra ‘lésbica’ deve parar de ser vista como agressão. Usar o termo ‘lesbofobia’ é para tentar tornar visíveis as mulheres que vivem à margem da sociedade o tempo todo e que não são representadas”, explica Roseane Arévalo, lésbica, indígena e membro da Marcha Mundial de Mulheres.


Para Andressa Oliveira, que é lésbica, gorda, mãe e membro do coletivo da Revista Geni, “o dia 29 de agosto é fundamental para prevenir violência, exposição e assassinatos cometidos contra lésbicas”. E completa dizendo que pautar a lesbofobia é denunciar o apagamento e a marginalização dessas mulheres.


Invisíveis também no movimento


O movimento LGBT brasileiro nasceu no final dos anos 1970, predominantemente formado por homens homossexuais. A primeira sigla usada foi GLS (Gays, Lésbicas e Simpatizantes), que era a expressão utilizada para denominar o que era destinado a esse grupo restrito dentro do mercado. A sigla evoluiu para GLBT e, após o Congresso Nacional de Lésbicas, Bissexuais, Gays e Transexuais de 2003, mudou para LGBT, devido às reivindicações feministas.


O nome mudou, mas a realidade não: o maior evento organizado pelo chamado movimento LGBT é conhecido como ‘Parada Gay’, nome que só visibiliza homens homossexuais. “Esse movimento não representa as lésbicas. Não tem espaço para nós, não há problematizações e pautas que nos contemplem enquanto mulheres” acredita Andressa.


Para Mara Minassian, lésbica e negra, que é também integrante da Marcha Mundial de Mulheres, a lesbofobia não está somente ligada ao machismo, mas também ao racismo – e que essas são as principais formas de opressão contra mulheres. Completa que “se assumir como lésbica é um ato político que ataca diretamente as estruturas heteronormativas”.


“Não somos lembradas pela sociedade, a lesbofobia ainda não é considerada crime e estamos lutando diariamente para garantir nossos direitos”, aponta Luana. Renata complementa: “somos totalmente apagadas em todos os espaços e por todos. As lésbicas estão sozinhas, somos apenas nós por nós mesmas e temos que ficar unidas”.


“Não posso andar na rua com a minha namorada sem sofrer machismo e o preconceito por sermos um casal lésbico. Não tem como separá-las, nós, lésbicas, sofremos as duas opressões”, aponta Roseana.


Políticas Públicas


Há cinco meses, o prefeito Fernando Haddad e a ministra de Direitos Humanos, Ideli Salvatti, inauguraram o Centro de Cidadania LGBT no Centro de São Paulo. Seis psicólogos/as, advogados/as e assistentes sociais dão apoio jurídico e psicológico gratuitamente para vítimas de preconceito.


Rute trabalha no Centro de Cidadania LGBT e diz que raramente as lésbicas procuram ajuda nos equipamentos do Estado: “a invisibilidade e o machismo que sofrem é tão grande, que não se sentem sujeitos de direito, a opressão está naturalizada”.


Além disso, na cidade de São Paulo não existe um órgão do Estado que faça o recorte de sexualidade e gênero e cuide só das mulheres lésbicas. “Os atendimentos voltados para saúde na mulher são precários no serviço público, então imagine para lésbicas: muitas não consultam ginecologistas por medo de constrangimento”, conta Brenna.


Nos anos 80, com o avanço da Aids, começaram campanhas intensas pelo sexo seguro e pelo uso da camisinha masculina. As lésbicas são invisíveis até no combate às doenças sexualmente transmissíveis (DSTs): existe a camisinha feminina, que não é distribuída em postos de saúde e nem vendida em todas as farmácias. Além disso, esse método de proteção é útil para algumas prevenções no sexo lésbico, mas não para todas – que mostra a invisibilidade também na pesquisa médica.


Mara relata que “geralmente, no atendimento ginecológico, quando falamos que não nos relacionamos com homens, a consulta acaba. A maioria dos/as médicos/as só faz o trabalho contraceptivo, e como não temos relação com homens, parece que não fazemos sexo e que não estamos sujeitas a ter DSTs ou outras doenças ginecológicas”.

 

PALAVRAS-CHAVE

lerler
  • PROJETOS

    • Observatório da Sociedade Civil

Rua General Jardim, 660 - Cj. 71 - Osasco- CEP: 01223-010 - São Paulo - SP - Tel.: 11 3237-2122

Horário de funcionamento do escritório: segunda à sábado, das 9h às 19h

design amatraca