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53801/10/2015 a 05/11/2015

“Não vamos aceitar mais nenhuma morte. O povo indígena está unido!”

Lindomar Terena, da APIB, lamenta a morte de seu companheiro indígena Simeão e fala sobre a situação dos Guarani-Kaiowá no Mato Grosso do Sul


Por Marcela Reis 

Durante os dias 3, 4 e 5 de setembro, ruralistas atacaram o povo Guarani-Kaiowá da aldeia Guyra Kambi'y, que se localiza na Terra Indígena (TI) Panambi-Lagoa Rica, no Mato Grosso do Sul, entre os municípios de Itaporã e Douradina. Os fazendeiros portavam projeteis e cartuchos de armas de fogo de diversos calibres.

Simeão Vilhalva Guarani-Kaiowá, 24 anos, foi assassinado durante outra ofensiva de ruralistas, na TI Ñande Ru Marangatu, no dia 29 de agosto. A tragédia é fruto da invasão desses ruralistas à Fazenda Fronteira, que é de ocupação indígena. A terra fica dentro dos limites de Antonio João, município do Mato Grosso do Sul próximo à fronteira com o Paraguai.

Simeão, que foi pai de uma menina de quatro anos, é a terceira vítima Ñande Ru Marangatu dos conflitos de terra na região. O Ministério Público Federal (MPF) abriu um inquérito para investigar a possível prática de formação de milícia privada por ruralistas.

“Não vamos aceitar mais nenhuma morte de companheiros. Nós queremos finalmente ser tratados como humanos que têm direitos e não mais como animais”, apela Lindomar Terena, uma das lideranças indígenas da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB).

Demarcação de Terras Indígenas

Cleber Buzatto, secretário executivo do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) declara que a situação é de tensão e pressão oligárquica, e que o governo federal é omisso.

“Não existe a preocupação em demarcar as terras indígenas, que é um direito garantido pela Constituição Federal. A colonização foi desastrosa, esquecendo do povo Guarani-Kaiowá, e o governo continua sustentando esse esquecimento.”

O MPF pede que a União indenize os proprietários rurais que tiverem seus títulos declarados nulos e garanta a posse da área para os indígenas Guarani-Kaiowá. Caso a medida seja descumprida, o MPF pede multa diária de mil reais.

A aldeia Guyra Kambi'y reúne cerca de 80 indígenas e foi reconhecida como de ocupação tradicional indígena por um relatório de identificação da Fundação Nacional do Índio (Funai) de 2011.

Lindomar Terena acrescenta que não é só a vida dos/as indígenas que está em jogo com a falta de demarcação das terras. “A garantia dos direitos dos povos tradicionais também contribui para evitar mudanças climáticas. A preservação do meio ambiente e o compromisso com um futuro melhor estão relacionados”.

Sociedade Civil

O líder indígena afirma que as manifestações contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215 – que transfere a atribuição de oficializar Terras Indígenas, Unidades de Conservação e Territórios Quilombolas do governo federal para o Congresso – mostram que muitos movimentos sociais estão exigindo os direitos dos povos indígenas.

“A sociedade deve aprender sobre a situação dos Guarani-Kaiowá como compreendeu nossa lutas e desafios em relação à PEC 215. As pessoas têm que entender que o que nos afeta também afeta toda a sociedade."

A visibilidade é uma das maiores contribuições que a sociedade civil pode dar à luta dos/as Guarani-Kaiowá e dos povos de todas as demais etnias, defende Cleber: “a mídia comercial e ampla é financiada pelo agronegócio, então não há espaço para a luta indígena. Quando a questão é abordada, é para distorcer a realidade e criminalizar esses povos.”

Quer ajudar?

Uma das maneiras de dar visibilidade à luta dos/as Guarani-Kaiowá é compartilhando o forte apelo de Daiara Tukano, do povo Tukano da Amazônia, que explica a situação dos/as indígenas no MS e pede a colaboração da sociedade civil. Assista ao vídeo aqui e ajude a disseminá-lo!

 

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