ABONG -  - Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais

associe-se

conheça nossas associadas

Procure pelo nome em um dos campos abaixo:

selecione
selecione

Ou faça aqui uma busca detalhada:

selecione
selecione
selecione
selecione
  • APOIO

    • Pão Para o Mundo
  • REDES

    • ALOP
informes - ABONG

39811/09/2007 a 17/09/2007

Ações e manifesto se solidarizam com as vítimas do Césio-137

Os 20 anos de descaso em relação às vítimas do acidente com o Césio-137, ocorrido em Goiânia em 13 de setembro de 1987, estão sendo bem lembrados nesta semana: o Greenpeace está realizando ações de protesto em várias capitais, exigindo a indenização para as famílias das vítimas deste que é considerado o maior acidente radioativo em área urbana do mundo e o fim do programa nuclear brasileiro.

A ONG também redigiu o Manifesto 20 anos de Césio-137: Brasil, país da insegurança nuclear, em solidariedade às vítimas do acidente e contra a retomada do programa nuclear brasileiro e a possibilidade de construção da Usina Angra 3. De acordo com a coordenadora da Campanha Antinuclear do Greenpeace, Rebeca Lerer, o documento, que está sendo assinado por diversas entidades e parlamentares, será entregue amanhã, 14 de setembro, no Palácio do Planalto, na Casa Civil, no Congresso Nacional e em diversos Ministérios.

Conforme apontado no manifesto, como conseqüência da contaminação radioativa, a Associação das Vítimas do Césio-137 estima que cerca de 60 pessoas já morreram e mais de 6 mil ainda sofrem dos efeitos da contaminação. O documento também informa, entre outros, que em 2006 o Grupo de Trabalho da Comissão do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados publicou relatório sobre Fiscalização e Segurança Nuclear, que demonstra as deficiências na estrutura de segurança e fiscalização nuclear e radioativa no Brasil e aponta caminhos para que o País não venha a ter um novo acidente como o de Goiânia.

“O que o relatório do Congresso denuncia é justamente o abandono das vítimas do Césio-137 pelo Estado brasileiro”, frisa Rebeca. “O governo federal só reconheceu indiretamente sua responsabilidade na tragédia em 2001, ou seja, 14 anos depois. Mas, até hoje, não reconheceu nenhuma vítima oficialmente. E apenas 104 vítimas foram reconhecidas e recebem pensão do governo do Estado de Goiás.”
Ainda de acordo com o relatório do Congresso, observa a coordenadora do Greenpeace, "o caso das vítimas de Goiânia é um testemunho vivo a depor contra o programa nuclear brasileiro porque ele questiona a capacidade do país em lidar com as vítimas de acidentes radiológicos. É lamentável que estes que justificam a falta de recursos para tratar de vidas humanas sejam tão enfáticos na defesa do programa nuclear, que exige cifras milionárias".


Toneladas

Segundo Rebeca, estima-se que os 19 g de Césio-137 contidos na fonte que causou o acidente geraram mais de 20 toneladas de lixo radioativo. “Este volume de resíduos é, na verdade, as casas e pertences das vítimas que foram destruídos. O lixo ficou armazenado durante anos a céu aberto e, mais recentemente, foi aterrado em Abadia de Goiás, próximo à Goiânia.”

Nesse sentido, o Ministério Público tem sido o maior aliado das vítimas e move ação pedindo indenização ao Fundo Estadual de Meio Ambiente de Goiás, além da garantia de atendimento médico, odontológico e psicológico até a terceira geração de vítimas, assim como o novo cadastramento das vítimas não listadas originalmente, entre outras medidas.

“Ou seja, passados 20 anos do acidente com o Césio-137, pouca coisa mudou: o Estado não reconhece nem ampara todas as vítimas, não tem capacidade estrutural de lidar com as instalações nucleares já existentes e não resolveu definitivamente a questão do lixo radioativo”, avalia Rebeca. “Ainda assim, o governo federal quer investir bilhões de reais de dinheiro público na construção da usina nuclear Angra 3 e no ciclo de enriquecimento de urânio, o que só deverá agravar os problemas de segurança já existentes. É simplesmente inaceitável.”


Desnecessária

 

A coordenadora da Campanha Antinuclear do Greenpeace explica que além de desnecessária, a opção nuclear para gerar energia é a mais dispendiosa de todas. As usinas Angra 1 e 2 custaram mais de R$ 20 bilhões. Já o investimento necessário para construir Angra 3 pode chegar a R$ 7 bilhões para gerar apenas 1.350 MW. Com este volume de recursos, poderia ser criado um parque eólico com o dobro da potência, sem produzir lixo radioativo, sem o risco de acidentes nucleares e gerando 32 vezes mais empregos.

“E, por falar em custos, mesmo entre os defensores das energias sujas existe o consenso de que a forma mais barata de gerar energia é justamente economizando energia”, relata, dando um bom exemplo dos benefícios de investir em eficiência energética: o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), do governo federal. Ao longo de 20 anos e com recursos da ordem de R$ 850 milhões, o Procel conseguiu economizar o equivalente à capacidade de geração de uma usina de 5124 MW, ou quase quatro vezes o potencial de Angra. “O Brasil tem todas as condições de estar na vanguarda do desenvolvimento sustentável, apostando em tecnologias limpas e renováveis de geração de energia. Ao olhar para trás e fazer a opção nuclear, que data da época da ditadura militar, corremos o risco de, mais uma vez, perder o bonde da história. Esta é a hora de a sociedade brasileira se mobilizar e impedir a retomada do programa nuclear no país.”

Saiba mais e participe da Campanha antinuclear enviando uma mensagem diretamente ao presidente Lula pelo link http://www.greenpeace.org/brasil/nuclear/

lerler
  • PROJETOS

    • FIP - Fórum Internacional das Plataformas Nacionais de ONGs

Rua General Jardim, 660 - Cj. 71 - São Paulo - SP - CEP: 01223-010 - Tel.: 11 3237-2122

Horário de funcionamento do escritório: segunda-feira à sexta-feira, das 9h às 19h

design amatraca