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informes - ABONG

54502/06/2016

OPINIÃO | Rumo ao ‘bem viver’

Por Ivo Lesbaupin*

 

Estamos num momento decisivo na história da humanidade. O que os seres humanos estão fazendo, o modo como estão vivendo e produzindo, particularmente nas últimas décadas, tem sido determinante para a degradação ambiental, as mudanças climáticas, a destruição das condições que nos permitem viver. É o nosso modelo de desenvolvimento o responsável por esta situação. Ele implica produzir sem cessar, fazer consumir cada vez mais para alcançar lucros sempre maiores. O sistema econômico dominante, para gerar lucro, precisa ser produtivista e consumista. As pessoas não nascem com propensão a consumir, elas ‘são tornadas’ consumidoras, graças à publicidade esmagadora que é descarregada sobre nós pelo rádio, pela televisão, no meio das novelas, pelos jornais, pela internet.

 

Os produtos não são feitos para ter durabilidade, mas sim para se tornar rapidamente obsoletos, de modo que as pessoas tenham necessidade de comprar um novo. Mais produtos, mais embalagens, tudo isso exige uma quantidade imensa de matérias primas, além de aumentar o volume de lixo que é descartado, bem maior que a capacidade do meio de absorvê-lo.

 

Sendo a Terra finita, um modelo de produção incessante chegará, em algum momento, ao esgotamento dos bens naturais não renováveis. E a utilização desmedida dos bens renováveis impede que eles se regenerem a tempo, como está ocorrendo em muitos lugares com a água doce. Inúmeros rios em diferentes regiões do mundo estão secando ou já não correm o ano inteiro e o número dos que secam cresce a cada ano. Por outro lado, as condições de pluviosidade vão se deteriorando em função do desmatamento (especialmente da Amazônia e do Cerrado) e da degradação dos rios. O modelo de desenvolvimento vigente é inviável e levará a humanidade ao desastre.

 

É mais que nunca o momento de pensar outra forma de organizar a sociedade, a economia, a produção e o consumo, de forma que respeitemos os limites da natureza, reduzamos o aquecimento global, controlemos as mudanças climáticas. Os povos indígenas, entre os quais os povos andinos, formularam uma concepção de vida harmoniosa com a natureza e com os semelhantes que intitularam de ‘bem viver’ e pode nos inspirar. Pensar a economia a serviço dos seres humanos é algo que vem sendo feito e proposto por vários movimentos, por organizações da sociedade civil e por vários/as autores/as nas últimas décadas.

 

Segundo estes autores, é preciso fazer a transição da matriz energética atual, baseada em combustíveis fósseis (carvão, gás, petróleo), para uma matriz alternativa, baseada nas energias renováveis (solar, eólica, geotérmica, oceânica, etc.). Não precisamos de megaprojetos de transposição de rios nem tampouco de novas usinas hidrelétricas para gerar energia. As fontes de energia que já temos, o sol e os ventos são perfeitamente suficientes para obter a energia de que necessitamos. É preciso pensar a cidade para o ser humano e não para os automóveis, deve-se priorizar o transporte público – especialmente sobre trilhos (trens, metrô, veículos leves sobre trilhos) - em lugar do transporte individual. Podemos produzir nossos alimentos de forma saudável, sem agrotóxicos, sem transgênicos, como é feito em vários lugares do Brasil e do mundo pela agroecologia. Algumas destas práticas se encontram disponíveis no Banco de Práticas Alternativas.

 

Outra forma de organização da sociedade é possível e é certamente melhor do que a forma atual. Este é o tema do seminário organizado pela Abong e pelo Iser Assessoria que será realizado em São Paulo nos próximos dias 13 e 14 de junho sob o título "Novos Paradigmas: Rumo ao Bem Viver”. Mais informações sobre o evento podem ser encontradas no site da Abong.

 

 

*Ivo Lesbaupin, diretor do Iser Assessoria - Religião, Cidadania e Democracia, organização associada à Abong



Este é um espaço aberto à opinião de organizações associadas à Abong, organizações e redes parceiras e movimentos sociais que atuam pela garantia de direitos e bens comuns. Os artigos publicados não refletem o posicionamento institucional da Abong.

 

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