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54607/07/2016

EDITORIAL | A cultura do estupro: instrumento do Patriarcado para submeter as mulheres

O mês de maio parece que foi escolhido a dedo, pois foi exatamente neste mês que uma jovem de 16 anos, moradora do Rio de Janeiro, foi estuprada por 33 rapazes e as fotos deste crime bárbaro estampadas nas redes sociais. A reação das mulheres nas mídias sociais e dos movimentos feministas e de mulheres foi também na mesma proporção. As mulheres tomaram as ruas por este país afora protestando e gritando “Chega de violência contra as mulheres!”, lutando e convocando a sociedade contra a cultura do estupro, que tem no sistema patriarcal a sua âncora para o exercício do machismo, sexismo, misoginia (ódio contra as mulheres) e a desculpa para submeter as mulheres.

 

No Brasil, segundo dados divulgados pelo Anuário Nacional de Segurança Pública no ano de 2013, 143 mil mulheres fora vítimas de estupro, o que representa um estupro a cada minuto. Estes são dados notificados, mas que não correspondem à dura realidade do número real de casos de estupro porque muitas mulheres não chegam a fazer a denúncia, a procurar o sistema de saúde para realizar a profilaxia necessária para prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e uma gravidez decorrente de um estupro garantido por Lei. Essa é uma situação tão crítica porque na maioria das vezes, o crime de estupro começa dentro de casa, cometido pelo pai, padrasto, amigos da família ou amigo da própria vítima, o que torna, muitas vezes, mais difícil a denúncia ou a credibilidade na vítima. A mulher se sente culpada, procura em si mesma a responsabilidade por um gesto, uma roupa que ela vestiu, um lugar que ela frequentou, uma rua mal iluminada, alguma coisa que justifique o ocorrido.

 

O estupro é odioso porque submete as mulheres e viola a sua dignidade, deixando sequelas em muitas mulheres para o resto das suas vidas. Algumas, por vergonha, por medo, não suportam a carga tão pesada e chegam até mesmo a cometer suicídio, como aconteceu, recentemente, com a aluna da Universidade Rural do Rio de Janeiro, que se suicidou porque, mesmo lutando contra a cultura do estupro, participando de audiência pública da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro sobre a violência contra as mulheres e denunciando a Universidade, o seu agressor e também agressor de outras jovens recebeu apenas uma advertência, fazendo com que ela tivesse que conviver com ele todos os dias.

 

Falar sobre a cultura do estupro é falar para a sociedade que as mulheres podem e devem andar como quiserem, “de burca ou de shortinho”, e que todos devem respeitar. A culpa nunca é da vitima! Falar sobre a cultura do estupro é dizer que a escola tem partido sim, ela deve discutir sobre gênero, racismo, lesbofobia e transexualidade para que as nossas crianças, desde cedo, aprendam que a nossa sociedade é diversa e é plural e para que possam no futuro respeitar as diferenças e não cultivar a cultura do ódio e do preconceito.

 

Chega de violência contra as mulheres! Basta de estupro! O Estupro é crime!

 

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