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informes - ABONG

54704/08/2016

EDITORIAL | Abong 25 Anos: Juntas Somos Mais! - Construir a Unidade na Diversidade

Quando em 1991, dezenas de organizações da sociedade civil decidiram reunir-se em torno de uma associação nacional, a realidade brasileira e internacional era bem distinta da atual. Havia uma esperança no ar. No Brasil, após vinte e um anos de ditadura militar, havia sido promulgada uma nova Constituição denominada de cidadã e também depois deste longo tempo, havia assumido um governo eleito pelo voto direto. Eram boas novas, apesar de este governo ser declaradamente neoliberal e vir a sofrer, meses depois, o impedimento por desvio de recursos públicos. No cenário internacional, preparava-se a Conferência do Clima, realizada no Rio de Janeiro, a Rio92, e havia um amplo e crescente processo de mobilização e organização social ecoando em várias partes do mundo.

 

Com a criação da Abong, a primeira intenção era retirar da clandestinidade o trabalho das organizações não governamentais e dos então centros de educação popular que haviam atuado, por mais de duas décadas, na base da sociedade brasileira, sendo, junto com as várias matizes de outros grupos políticos e religiosos, um dos poucos espaços de resistência a sobreviverem à dura repressão política da ditadura civil-militar. Reunir numa entidade nacional este trabalho orgânico de base espalhado por quase todo o território nacional era, e continua sendo, um grande e importante desafio para as ambições democráticas daquela época.

 

Nestes 25 anos, a serem completados no dia 10 de agosto, pode-se afirmar que a Abong consolidou-se como uma voz na defesa da democracia, dos direitos das pessoas e dos bens comuns. Ocupou lugar de destaque em vários espaços e temas da maior relevância para a sociedade civil brasileira, latino-americana e mundial. Participou de forma direta no alargamento das lutas democráticas, apostou na troca de experiências, incentivou o debate político, elaborou e executou pesquisa em várias áreas sociais e participou da produção de novos conhecimentos. Até os dias de hoje, a Abong vem cumprindo um papel relevante na conjuntura nacional, latino-americana e mundial. A Abong é sim uma referencia nacional e internacional resultado de pouco mais de duas décadas de trabalho e organização cotidiana, responsável e criativa. Por certo, um impacto importante e significativo, ainda mais se tomarmos por base o tamanho e dimensão de suas próprias pernas, que são pequenas.

 

Se em 1991, a conjuntura apontava tempos propícios para a ampliação dos espaços e processos de disputas democráticas, atualmente, a realidade começa a apresentar-se de forma distinta. Para qualquer lado que se observe é possível depreender que a conjuntura está sofrendo mudanças vertiginosas e profundas. O lento processo de democratização das nossas sociedades tem sofrido golpes que estão promovendo retrocessos e colocando em risco não só os direitos e protagonismos recém conquistados e reconhecidos, mas a própria noção de cidadania, de democracia e de dignidade humana.

 

A legitimidade de existência de nossas organizações sociais que lutam por direitos é uma questão que está sendo questionada pelo pensamento conservador. Até as ideias liberais da liberdade de pensamento, da liberdade de opinião e de livre organização são tratadas de forma pejorativa e combatidas como se fossem um mal. Tais pensamentos embalam propostas absurdas como a escola sem partido que, na prática, defende uma escola de pensamento único. Estes fatos só reforçam que a agenda conservadora tem crescido em todos os cantos e tem contado com o apoio dos grande meios de comunicação e das grandes empresas transnacionais que veem nestes movimentos a possibilidade de enfraquecer, deslegitimar e até eliminar a luta popular que questiona, em toda parte do mundo, a lógica do lucro e da acumulação de riquezas nas mãos de poucos seres humanos.

 

Soma-se a este novo momento, a afirmativa já assumida pela Abong de que há um sentimento de emergência social, ambiental e econômica que precisa ser incorporado em nossas dinâmicas. No entanto, uma das maiores emergências é a democrática.  Isso porque não há futuro para a humanidade que não seja pelo alargamento das práticas democráticas. Esta afirmativa, colocada ao lado de um processo de redução do ambiente democrático, é uma profunda contradição que nos coloca frente a um novo desafio.

 

Devemos, então, nos perguntar: nossa forma de organização está à altura deste desafio? Parece que não. Apesar dos enormes avanços, nestes 25 anos, a Abong, na maioria das vezes, abriu mão de agir como organização nacional. Quase não foram produzidas ações coletivas com temas comuns ou mesmo elaborados processos que culminassem em compromissos conjuntos sobre determinados temas ou agendas. No entanto, a recente experiência com a construção do novo marco legal de acesso a recursos públicos pelas OSCs – a Lei 13.019 - demonstrou que é possível criar um processo de atuação conjunta nacional e a Abong pode buscar agir coletivamente em espaços e processos específicos.

 

É verdade que, como associadas, somos muito diversas em tamanho, área temática de atuação, tipo de organização e até mesmo visão ideológica. Mas isso, em si, não é um problema e sim um valor. O desafio é como podemos aprender a construir consenso apesar de nossas diferenças e divergências. Como aproximar as organizações menos estruturadas daquelas com maior estrutura?Como criar condições para somar ativos e experiências?

 

Nesta nova conjuntura, em que a própria existência das organizações da sociedade civil de defesa de direitos está sendo questionada, a ordem é a construção da unidade na diversidade. Não uma unidade imposta por uma maioria, mas construída na base do debate franco e fraterno. Isso passa por repensar a própria Abong. Não apenas como mais uma associação, mas como uma rede articulada de associações que possuem militância social, estão presentes em mais de quinze Estados da federação, com atuação em praticamente todas as áreas de interesse da sociedade brasileira, com capacidade de mobilização de recursos - não só financeiros, mas humanos, sociais e culturais que representam uma riqueza enorme para as lutas de nossas comunidades. Somos sim uma força. E, se soubermos organizar nossa incidência, se tivermos capacidade e vontade de construirmos juntos/as estratégias comuns, nossas ações poderão ter maior impacto e produzir maiores resultados e transformações.

 

Os desafios e questionamentos que estamos vivenciando nos exige repensar as estratégias no sentido de radicalizar as posições políticas que, nos dias de hoje, são definidoras, em si mesmas, do significado da democracia que queremos. Para além da luta contra a intolerância, temos que ser firmes na luta anti-racista, anti-homofóbica, pelos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres, pela descriminalização das drogas e pelo direito de usufruirmos de forma responsável de nossos territórios. Se a direita esta radicalizando no enfrentamentocontra os poucos avanços que conseguimos conquistar nos últimos anos, temos que radicalizar reafirmando posições e valores inegociáveis para a democracia brasileira. A Abong é depositária, na sua origem, desse legado de transformação para um mundo mais justo.

 

Neste sentido, acreditamos que o desafio para os próximos 25 anos é a Abong se colocar para além de uma associação, assumindo uma dinâmica de rede nacional de organizações da sociedade civil. Se é verdade que, individualmente, estamos na linha de frente e ao lado das lutas mais importantes do povo brasileiro, se somarmos estas experiências, movimentos e processos coletivos, podemos contribuir de forma mais efetiva para o nosso fortalecimento e da organização e mobilização popular. Acreditamos que nosso desafio é transformar este potencial numa realidade concreta porque sabemos: Juntas Somos Mais!

 

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