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informes - ABONG

54801/09/2016

EDITORIAL | Comunicação: desafio para a defesa de direitos ameaçados

As graves ameaças aos direitos conquistados no Brasil nos últimos anos, nascidas de propostas em discussão no Congresso Nacional ou anunciadas pelo Poder Executivo, demandam da sociedade civil um grande esforço de mobilização para impedir retrocessos. Só a força de uma sociedade organizada, pautando o debate e pressionando as diversas instâncias de governo – incluindo aí o Judiciário – pode assegurar a manutenção dos direitos adquiridos, em sua maioria consagrados na Constituição de 1988.


Nesse contexto, um dos grandes desafios postos à sociedade civil organizada é o de comunicar à sociedade em geral de que direitos estamos falando, que lutas estão associadas a tais direitos e a que riscos estão expostos. É na “opinião pública” que a disputa pela posição dos diversos setores da sociedade se dá, e é preciso desenvolver estratégias que viabilizem um espaço para essa disputa nesse cenário de domínio dos meios de comunicação por grupos empresariais e de ainda grande influência dos veículos de massa.


A comunicação é, cada vez mais, parte constitutiva da luta por direitos, sendo o direito à comunicação em si, abrigo de uma série de outros direitos e liberdades. É fundamental para as organizações da sociedade incorporar ações de comunicação para atingir seus objetivos, e a para a Abong não é diferente. Nos últimos anos conseguimos instituir rotinas e produtos de comunicação visando ampliar a circulação de informação entre as organizações filiadas e as instâncias da Abong. Consolidamos assim o Informes Abong e o De Olho na Abong; fortalecemos a presença da Associação nas redes sociais, principalmente no Facebook e no Twitter, e criamos o Observatório da Sociedade Civil, para dar visibilidade ao trabalho das entidades, ampliando a transparência e qualificando o debate social a respeito do tema, com especial atenção à mídia.


As novas ferramentas têm cumprido um papel importante na disseminação de informações sobre a atuação e a incidência política da Abong. Mas no campo dinâmico da comunicação e das redes sociais é preciso constante adaptação, e os desafios atuais que vivemos certamente exigirão de nós inovações criativas para que, além da circulação de informação, nossa comunicação seja cada vez mais mobilizadora e emancipatória, e que seja instrumento de promoção de autonomia e participação, contribuindo para que a Abong e suas filiadas sejam, cada vez mais, capazes de interferir no mundo e construir a própria realidade. Nesse sentido, com base em nosso planejamento estratégico, estaremos nos próximos meses buscando novas ferramentas e estratégias para que a comunicação da Abong esteja cada vez mais a serviço de nossa missão e projeto político. Para isso, vamos trabalhar em uma proposta de política de comunicação a ser discutida e partilhada no âmbito do Conselho Diretor.


O desafio posto à sociedade civil no campo da comunicação é garantir condições de atuação considerando a complexidade do contexto atual, as diversas interações entre os interlocutores das organizações da sociedade e os discursos e narrativas mobilizadoras que precisamos construir nessa perspectiva.


Essas interações são cada vez mais fortes no âmbito das redes sociais, onde a comunicação se dá de modo global e circular, em que todos são ao mesmo tempo produtores, disseminadores e receptores de informação. A comunicação nos tempos atuais não se faz de modo linear nem isolado, mas sim em processos vivos e integrados.


Para uma Associação como a Abong, a comunicação deve ser capaz de garantir um espaço para construção de entendimentos comuns, a partir da diversidade de opiniões e posições existentes. Ou seja, nossa comunicação deve servir como processo de organização de perspectivas compartilhadas, apoiando o desenvolvimento de ações e interações entre as organizações, fundamentais para o processo de mobilização social.


Entendemos que essa organização de uma comunicação mobilizadora não pode ser um processo unilateral ou passivo, mas sim um processo construído coletivamente, dinâmico, em interação com as distintas instâncias da associação.


O direito à comunicação também traz um grande desafio ao campo das organizações de defesa de direitos. Nesse sentido, a Abong definiu sua entrada no Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), que congrega organizações e movimentos de diversos setores na luta por uma mídia mais plural e que mostre a diversidade social, étnica, regional e política do Brasil.Uma verdadeira democracia precisa abrir espaço para que todas as vozes da sociedade sejam ouvidas, o que não pode acontecer sem a efetiva democratização dos meios de comunicação, hoje concentrados nas mãos de poucas famílias.


Para além disso, se entendermos como parte dele o direito à participação na esfera pública em condições de igualdade material, trazemos o debate sobre a efetividade e a qualidade da participação social nos espaços públicos de tomada de decisão, tais como conselhos, comitês, audiências públicas, etc. A qualidade da nossa democracia direta depende de nossa capacidade de fazer com que esses espaços cumpram de modo adequado seus papéis. Para isso, é fundamental que informação, representação e tomada de decisão sejam levados a sério nessas instâncias.


Fortalecer nosso processo de articulação e mobilização para fortalecer a participação social deve ser um dos objetivos de nossa comunicação. É preciso dar visibilidade às mobilizações da sociedade, e estimular a identificação e o engajamento da sociedade com nossas causas e valores.

 

 

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