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Solidariedade da FASE com o Grupo Cultural AfroReggae

21/08/2013

O Rio de Janeiro, após as manifestações de rua no mês de junho, tornou‐se um “cartão‐postal” às avessas. A cidade carioca transformou‐se na síntese de um Brasil extremamente desigual e de ter péssimos serviços públicos urbanos, de saúde, educação etc. Todos os efeitos da nossa desigualdade socioeconômica e do autoritarismo das nossas instituições estatais, marcas que nos acompanham por séculos, manifestam-se despudoradamente em todas às dimensões, como há muito não se via.

 

A população que vive em bairros periféricos, nas favelas e nas cidades, que compõem a metrópole fluminense, já identificava e, como podia, manifestava‐se contra as mazelas sociais e todo o tipo de violações aos direitos humanos essenciais. A eliminação da vida, a interdição do direito de ir e vir, o péssimo transporte público e serviço de saúde, falta de equipamentos culturais, falta de moradia descente, entre outras chagas sociais, tem afligido crianças, jovens e adultos, homens e mulheres, com ínfimos poderes econômico e político.

 

Seguramente, após o anúncio da Copa do Mundo, dos Jogos Olímpicos e a descoberta do pré‐sal, acompanhada da ampliação da produção de petróleo e gás, as contradições sociais e econômicas do Rio de Janeiro, aprofundaram. Opulência concentrada na mão de poucos e pobreza para muitos, polarizam a sociedade fluminense e desnudam um modus operandi, que solapa ou ignora princípios basilares de um Estado Democrático de Direito. Concomitantemente, os governos, municipal e estadual, são colonizados pelas grandes empreiteiras, indústrias imobiliária, do entretenimento, do petróleo e do turismo, entre outras, que só desejam auferir lucro.

 

O interesse público esvaiu‐se para dar lugar aos negócios escusos e à relação promíscua entre agentes públicos e agentes econômicos privados. A cidade passou a ser uma mercadoria, um espaço para uso e apropriação seletiva, em que os pobres são pressionados a sair ou a ficar confinados na periferia ou nas favelas ‐ essas com a Unidade de Polícia Pacificadora que expressou a sua face mais perversa através do sumiço do Amarildo, morador da favela da Rocinha; pessoas são assassinadas no complexo da Maré, a organização social AfroReggae sofre ataques, tendo uma de suas salas incendiadas e a fachada alvejada por munição de arma de fogo, e continua sofrendo ameaças. São fatos que se agregam a outros para demonstrar os desacertos das políticas de segurança, urbana, cultural e econômica. Evidencia a desfuncionalidade de um modelo que aparentava que a cidade, a olhares distantes ou incautos, estava bem.

 

Qual o nível de segurança que doravante terão as instituições sociais que através de sua atuação manifestam o seu descontentamento frente contradições postas na sociedade? A que forças opressoras estaremos todos vulneráveis?

 

Desta forma, manifestamos publicamente a nossa solidariedade e contrariedade à violência desfechada contra o Grupo Cultural AfroReggae, como faríamos frente a mesma condição imposta a qualquer instituição de caráter público . Uma organização de caráter público que há mais de duas décadas cumpre inegavelmente um papel de destaque na cidade.

 

Rio de Janeiro, 21 de agosto de 2013

A Diretoria Executiva

 

 

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