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Carta das lideranças do movimento organizado de mulheres

29/10/2013

rede fem de saude

 

Nenhuma mulher deve morrer de câncer sem diagnóstico e tratamento

As mulheres de 15 estados brasileiros, reunidas em Oficina Nacional de Lideranças do Movimento Organizado de Mulheres para a Prevenção e Controle do Câncer nos dias 23 a 25 de outubro de 2013, no Rio de Janeiro, a convite do INCA, em parceria com a Rede Nacional Feminista de Saúde Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos, vimos reafirmar nosso compromisso com o direito das mulheres à saúde e à vida.


Apesar da histórica luta pela garantia da atenção integral à saúde, surgem a cada ano 52 mil novos casos de câncer de mama e 17 mil casos de câncer de colo de útero no Brasil, uma tragédia anunciada, pois a cada ano 17 mil mulheres perdem a vida em função desses dois cânceres. Essa é uma tragédia que pretendemos evitar, criando novas perspectivas às mulheres brasileiras.


Há uma soma de fatores que precisa ser reconhecida e enfrentada. Além das desigualdades sociais, as mulheres são atingidas de forma diferenciada pelas doenças em função das discriminações de gênero, pelo racismo, lesbofobia e outras manifestações de exclusão e discriminação.


As dificuldades de acesso à informação, à prevenção, diagnóstico, tratamento e cuidados paliativos, levam à persistência de mitos relacionados à doença e à crença de que câncer é sinônimo de morte. Infelizmente, para muitas mulheres essa é uma cruel realidade que desejamos mudar.


A nossa disposição como ativistas organizadas pauta-se pela defesa dos interesses das mulheres e da população brasileira, acima dos mercadológicos que envolvem algumas iniciativas relacionadas ao câncer. 
Defendemos o Consenso do Câncer de Mama, que prevê a realização de exames clínicos a partir dos 40 anos e a mamografia de rastreamento em mulheres dos 50 aos 69 anos. E a investigação profunda de 
todos os casos quando da descoberta de sinais e sintomas.


Defendemos que todas as mulheres possam realizar os exames preventivos ao câncer de colo de útero (Papanicolaou) e que recebam resultados e acesso ao tratamento nos casos positivos em prazos já previstos em lei e que permitam conter e tratar as possíveis doenças.


Coerentes com os direitos humanos, nossa posição é de que a morte de muitas das mulheres é plenamente evitável e de que nenhuma mulher pode morrer ou sofrer sequelas, como mutilações 
desnecessárias ou inevitáveis e a sua não reparação, por falta de acesso à prevenção, ao diagnóstico, ao tratamento e cuidados paliativos.


Assim, consideramos fundamental a participação ativa na busca de estratégias pautadas na afirmação do direito à vida, aos direitos humanos e à cidadania. Isso implica em intenso diálogo com o 
movimento organizado de mulheres em todos os níveis do Sistema Único de Saúde/SUS.


Em relação ao INCA, propomos a manutenção de uma agenda de continuidade nessa parceria, na medida em que um espaço estratégico vem sendo construído com base no respeito e na autonomia dos movimentos.


Somando-nos aos movimentos que atuam no controle social da saúde no Brasil, defendemos o adequado financiamento da saúde, em especial da saúde integral das mulheres e dos seus direitos sexuais e reprodutivos; a garantia de atendimento universal pelo SUS com qualidade, na perspectiva da integralidade 
e da equidade.


Mulheres da cidade, do campo e da floresta, trabalhadoras, ativistas, negras, quilombolas, lésbicas, indígenas, ciganas, vivendo com HIV, com deficiências, mulheres com diferentes sexualidades, 
comunicadoras, dos interiores e das capitais do Brasil, de todas as idades, declaram que estão unidas pela vida e saúde de todas as brasileiras, um direito humano fundamental para a efetivação de nossa cidadania. 

Rio de Janeiro, 25 de outubro de 2013


Rede Nacional Feminista de Saúde Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos 
Articulação de Mulheres Negras Brasileiras - AMNB 
Liga Brasileira de Lésbicas - LBL 
União Brasileira de Mulheres - UBM Plataforma Brasileira dos Direitos Humanos Econômicos, Sociais, Culturais – DHESCA BRASIL
ICW/Brasil – Comunidade Internacional de Mulheres Vivendo com HIV/Aids 
Articulação de Mulheres Brasileiras - AMB 
Rede de Mulheres Negras do Paraná 
Federação de Trabalhadores Rurais do Rio Grande do Sul/Contag 
Federação de Trabalhadores Rurais de Pernambuco/Contag 
UNEGRO 
Fórum Nacional de Mulheres Negras 
Rede de Mulheres em Comunicação 
Fórum de Mulheres da Amazônia Paraense/PA 
Rede Sapatá 
Casa da Mulher Catarina/SC 
Coletivo Feminino Plural/RS 
IMAIS – Instituto Mulheres em Defesa da Atenção Integral à Saúde/BA 
Ile Mulher/RS 
Movimento Articulado de Mulheres da Amazônia 
SEMPRE MULHER- Instituto de Pesquisas e Intervenção sobre Relações Raciais / RS 
Associação Cultural de Mulheres Negras – ACMUN/RS 
Coletivo de Mulheres do Calafate/BA 
ODARA – Instituto de Mulher Negra/BA 
Casa Laudelina de Campos Mello/Organização das Mulheres Negras/SP 
Articulação de Mulheres do Amapá 
Conselho Distrital de Saúde/RJ 
Fórum Permanente em Defesa dos Direitos das Mulheres do Amapá 
Federação de Mulheres do Amapá 
Instituto de Estudos Feministas da Amazônia 
Conselheiras Nacionais, estaduais e municipais de saúde

 

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