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Carta Aberta à Rede Globo

13/04/2015

Programa "Fantástico"

O GIV (Grupo de Incentivo à Vida) é uma Organização Não Governamental que trabalha pelos direitos das pessoas com HIV/AIDS e os grupos vulneráveis a essa infecção. Ela foi fundada em 1990. Sua diretoria é formada por pessoas vivendo com HIV/AIDS. 

Neste sentido estamos nos manifestando sobre a reportagem exibida neste domingo, 15 de março, durante o programa “Fantástico”, da Rede Globo. Evidentemente nosso posicionamento é contrário e concorda com a lei em vigor que penaliza a transmissão intencional de uma moléstia venérea. Porém, enfatizamos que a mera realização de um ato sexual de uma pessoa com HIV com uma pessoa sem HIV não configura por si só a intencionalidade de transmitir o HIV. As pessoas com HIV/AIDS têm relações sexuais pelos mesmos motivos do que qualquer pessoa: desejo, amor, prazer, etc. O HIV não muda isto!

Assistindo ao programa veiculado lembramos que uma das pessoas afirma que ela está em tratamento tomando o “coquetel”. A outra nada afirma sobre este assunto, nem isto é esclarecido pelo jornalista. Provavelmente sim, porque na atualidade o Ministério de Saúde (WWW.aids.gov.br) recomenda o tratamento com antirretrovirais para todas as pessoas com HIV, com a finalidade de reduzir a transmissão do HIV.
Examinemos mais de perto quais são as chances de transmissão do HIV por uma pessoa que usa o coquetel.

A Comissão Federal Suíça de AIDS publicou artigo no qual afirma que as pessoas com HIV/AIDS em tratamento eficaz nos seis meses antes da relação sexual e sem nenhuma úlcera genital não transmitem o HIV. Um estudo denominado HPTN-o52 realizado em casais sorodiscordantes (ou seja onde um dos parceiros tem HIV e o outro não) mostrou uma redução do 96% na taxa de transmissão do HIV dentro dos casais cujo parceiro com HIV estava tomando antirretrovirais. O único caso de infecção que ocorreu foi o de uma pessoa que tinha iniciado o tratamento com antirretrovirais havia ao redor de um mês. Um estudo em curso denominado Partner, que já acompanhou durante dois anos casais sorodiscordantes heterossexuais e de homens onde o parceiro com HIV usava antirretroviral, não observou infecção alguma durante este período. Por último citamos das Diretrizes de Tratamento com Antirretrovirais do Departamento de Saúde dos EUA de 2013, que afirma “...estes resultados mostram que a terapia com antirretrovirais precoce é mais efetiva na prevenção do HIV que todas as outras intervenções de prevenção estudadas até hoje, incluindo o uso de preservativos, circuncisão masculina, microbicidas vaginais, vacinação para HIV e profilaxia pré exposição”.

Ou seja, a terapia eficaz com antirretrovirais é pelo menos tão protetora quanto os preservativos, na opinião embasada dos cientistas que compõem o painel desse Departamento de Saúde.
Assim, se a pessoa que afirma ser “carimbadora” estiver tomando o coquetel de forma adequada, provavelmente não poderá transmitir o HIV, mesmo que assim o deseje! 

Vários inquéritos do Ministério de Saúde comprovam que a população brasileira está muito informada (mais de 90%) sobre os modos de transmissão do HIV e as formas de prevenção mais usuais, como o uso do preservativo. Entendemos de todos modos que as relações sexuais consensuais entre adultos são de responsabilidade das partes envolvidas, às quais cabe tomar os cuidados do caso. Se um casal desejar deixar de lado o uso do preservativo poderia fazê-lo realizando os testes adequados periodicamente e confiando no comportamento do parceiro(a). Por outro lado, muitas pessoas com HIV não sabem que estão infectadas, e por isso também não é possível deixar a responsabilidade sobre o próprio organismo em mãos de terceiros. Também, muitas pessoas atribuem terem adquirido HIV através do parceiro cuja sorologia positiva foi revelada e não pelos parceiros cuja sorologia foi desconhecida. 

Finalmente, pensamos que o enfrentamento da epidemia de HIV/AIDS precisa do esforço e da solidariedade de toda a sociedade, minimizando o estigma e discriminação e atualizando a população sobre os avanços em matéria de prevenção e assistência. Neste sentido, acreditamos que esse programa não colaborou nesse enfrentamento do estigma, colocando toda a responsabilidade desta luta sobre as pessoas com HIV. 
Para tentar remediar – em parte – o dano causado à sociedade em geral e às pessoas com HIV/AIDS em particular, solicitamos que igual tempo do programa no mesmo veículo nos seja dado, sem edição alguma.

Fonte: GIV

 

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