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Bancos não garantem recusar crédito ao agronegócio por impactos socioambientais negativos

23/01/2017

Estudo mostra que instituições ainda desconsideram riscos socioambientais específicos do setor e têm poucos recursos para assegurar que projetos que não cumprem requisitos não sejam financiados 


O Idec lançou ontem (16) um estudo sobre como os principais bancos brasileiros aplicam critérios socioambientais ao conceder crédito para empresas e projetos agropecuários.  


A pesquisa avaliou os cinco bancos comerciais que têm maior exposição da carteira de crédito ao setor: Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, Itaú e Santander. Juntos, eles emprestaram cerca de R$ 200 bi ao setor agrícola em 2015. 

Sob o título Os bancos colhem o que plantam? – Questões socioambientais no financiamento ao setor agropecuário, a publicação faz parte do projeto Guia dos Bancos Responsáveis (GBR).  

O estudo constatou que as cinco instituições declaram avaliar e monitorar empréstimos concedidos em questões sociais e ambientais e divulgam algumas práticas e políticas para concessão de crédito.  

No entanto, ele também identificou que ainda existem poucos sistemas e recursos para garantir que projetos que não cumpram com boas práticas socioambientais não sejam financiados. 

Para chegar a esse resultado, foram avaliados quais critérios os bancos levam em conta ao analisar as solicitações de financiamento do setor agrícola, e quais são os sistemas de governança e implementação adotados para que esses critérios sejam, de fato, aplicados. 

Sem critérios específicos

A pesquisa também teve um foco em três principais commodities – soja, carne e óleo de palma. Apenas Santander e Banco do Brasil apresentaram, em suas políticas, critérios específicos para os riscos socioambientais associados à agricultura em geral, e somente o primeiro considera riscos específicos da produção de óleo de palma e soja.  

Com relação à transparência, somente o BB detalha o total de crédito concedido aos segmentos de óleo de palma e carne. 

Esses dois bancos tiveram os melhores resultados da análise, que pontuou as instituições em uma escala de 0 a 10. O Banco do Brasil, responsável pelo maior montante financiado às atividades agropecuárias em 2015, atingiu o resultado de 4,77, ocupando a segunda posição na análise atrás, do Santander (5,07).  

O banco de origem espanhola obteve o melhor desempenho por seus sistemas de avaliação socioambiental nas operações de crédito. Itaú (4,16), Caixa (3,25) e Bradesco (2,71) completam o ranking. 

“O Brasil está entre os maiores produtores de commodities agropecuárias: temos a maior produção de soja e a segunda maior de carne bovina. Portanto, espera-se que, ao investir nesses segmentos, os bancos fiquem atentos a questões que impactam o consumidor diretamente, como os agrotóxicos que chegam à sua mesa, ou indiretamente, como o desmatamento associado a essas atividades.”, afirma Elici Bueno, coordenadora executiva do Idec. 

Direitos humanos 

O relatório mostra que os bancos abordam questões de trabalho escravo, infantil e violação de direitos humanos na avaliação socioambiental dos projetos que financiam, mas também falta clareza quanto aos métodos utilizados para monitorar e negar empréstimos a empresas que violam esses direitos.  Como recomendação, o estudo sugere que as instituições aumentem a transparência sobre o total financiado às principais commodities de suas carteiras e sobre os instrumentos de análise socioambiental dos projetos, além de incluir nas políticas de investimento aspectos específicos para o setor agrícola, como a questão hídrica e de bem-estar animal.  

Sobre o GBR 

Guia dos Bancos Responsáveis (GBR) é uma iniciativa do Idec com o apoio da Oxfam Novib e com atual suporte financeiro da Agência Sueca de Desenvolvimento Internacional (SIDA). O projeto faz parte da Fair Finance Guide International, uma rede internacional de organizações da sociedade civil, que envolve nove países e visa ao fortalecimento do compromisso das instituições financeiras com temas sociais e ambientais.   A pesquisa foi encomendada pela Fair Finance Guide International à Solaron, empresa especializada em pesquisa de questões sociais, ambientais e de governança, e contou com contribuições da equipe do Guia dos Bancos Responsáveis. 


Fonte: Idec

 

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