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PAD no Fórum Social das Resistências

30/01/2017

Foto: Luana Almeida / CESE

O Fórum Social das Resistências é um desdobramento do Fórum Social Mundial, que foi criado em 2001 para fazer contraponto ao Fórum Econômico de Davos. Realizado em Porto Alegre (RS), o FSR começou comdebates sobre os desafios da classe trabalhadora e os rumos da América Latina.


O evento foi um processo de articulação política, social e cultural decorrente do Fórum Social Mundial, que aconteceu pela primeira vez em Porto Alegre em 2001. Aconteceu nas mesmas datas que o Fórum Econômico Mundial, para se contrapor ao encontro que reuniu os homens que decidem o rumo da economia mundial.


O PAD, junto com a Abong e a Articulação de Monitoramento dos Direitos Humanos no Brasil participou do Fórum com a realização de atividades envolvendo organizações da sociedade civil e agências de cooperação internacional, na Tenda de Direitos Humanos, no Parque da Redenção.


O Fórum teve início com a MARCHA DE ABERTURA


Cerca de 5 mil pessoas estiveram nas ruas de Porto Alegre. Aos gritos de“Fora Temer” e “Diretas Já”, caminharam até a Praça do Zumbi.


Representantes de organizações e agências que fazem parte do Pad participaram da Marcha.


PLENÁRIA “O avanço da criminalização dos movimentos sociais, das lutas e dos/as defensores/as de direitos humanos no Brasil e seus efeitos sobre a democracia”


No dia 19 de janeiro, foi realizada a plenária organizada pela Abong, PAD e Articulação de Monitoramento dos DH no Brasil conjuntamente com as agências de cooperação internacional, no Fórum Social das Resistências.


Verônica Ferreira da Articulação de Mulheres Brasileiras e do SOS Corpo
trouxe ao debate a importância das mulheres encararem quem são seus antagonistas no nosso país.


“Uma força política que enfrentamos hoje é a força do patriarcado. Do patriarcado capitalista, do patriarcado fundamentalista. O patriarcado de todas essas forças políticas que dominam o parlamento, mas não só. A gente tem uma bancada conservadora, fundamentalista, que está presente no Congresso, mas que também está muito presente no cotidiano.E a gente enfrenta o patriarcado no nosso dia a dia, o patriarcado dos homens, da violência, da opressão. O patriarcado é o nosso antagonista diário”.

Elaine Rice, do MST — Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, atenta para a ofensiva do agronegócio e classifica como “terrível” para os trabalhadores e trabalhadoras do campo os últimos anos.


“De 2003 a 2010, as grandes propriedades no Brasil passaram de 146 milhões de hectares a 238,9 milhões, ou seja, praticamente dobraram”.


A Brisa de Moura e a Andressa, estudantes da Ocupação das Escolas/POA-RS falaram sobre a Escola sem partido.


“A gente não luta há muito tempo só pelo sucateamento das escolas. Pessoas roubam nossas lutas. Presidente quer mudar as escolas, nós também, mas não do jeito que ele quer, no canetaço. O Projeto Escola Sem Partido abre precedentes não só para não falar sobre partidos na escola, mas impedir a discussão sobre gênero, raça, cotas. Não podemos discutir dentro da própria instituição. Precisamos lutar para poder lutar”.


O jurista Jacques Afonsin trouxe a discussão sobre judicialização das causas sociais.


“São 3T contra os quais nós resistimos: política de terras, as teles (monopólio dos meios de comunicação) e títulos (a forma como titulam as pessoas que estão no poder; cai um ministro a cada mês!)”.


“Do ano passado para cá, quase dobrou o número de defensores de direitos humanos assassinados no Brasil: de 36 para 56 mortos”, destaca Diogo Cabral, da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos.


Onir Araújo, da Frente Nacional em Defesa dos Territórios Quilombolas, refletiu sobre as violações de direitos do povo negro em diversas frentes: encarceramento, genocídio da juventude negra, repressão policial.


“ Olha que hoje tem mais negros e negras em situação de privação de liberdade do que existia às portas da abolição da escravatura em 1888.Falar em direitos humanos, falar em re-transformar a sociedade sem reconhecer essa conjuntura, sem reconhecer essa realidade é impossível”.


O Sr. João Padilha, dos povos Kaiagang trouxe em sua fala a luta de todos os povos indígenas pela demarcação de suas terras.


“Até hoje tem parente morando no corredor da estrada e tratado como NÃO HUMANO. Nós estamos fazendo um levantamento e vamos cobrar esse genocídio indígena que fizeram contra nós. E queremos que o país, a sociedade civil obedeçam a Constituição Federal de 1988 e faça a demarcação de nossas terras”.


Foram realizadas ao todo 13 plenárias no Fórum Social das Resistências, com o objetivo de responder três perguntas: contra o que e contra quem nós resistimos; quais os valores que nossa luta/causa oferecem para um outro mundo possível e; qual a agenda que propomos para 2017. A síntese divulgada pelo FSR segue abaixo:


“O momento é de crise social, econômica, democrática e ambiental. A democracia e todos os direitos estão em risco. Há uma ofensiva neoliberal, autoritária como ação orquestrada pelo grande capital. Esta ofensiva visa dividir os povos pela guerra e as violências. Aprofunda a crise ambiental que põe em risco a manutenção da vida de bilhões de seres humanos. Utiliza o patriarcado e o racismo como parte essencial da dominação capitalista. O monopólio dos meios de comunicação de massa é essencial para manter essa dominação.

A tarefa imediata é fortalecer a solidariedade entre os povos. Unir as lutas e movimentos de resistências. Criar metodologias capazes de construir ações conjuntas pela superação das divergências. É preciso unificar as estratégias em todos os territórios”.


Síntese Plenária de Direitos Humanos, coordenada pelo Pad, Abong e Articulação de Monitoramento de DH foi apresentada na plenária geral pela Tchenna Maso, representante do Mab — Movimento dos Atingidos e Atingidas por Barragens.


“Na liga do feminismo enfrentamos a relação entre o patriarcado e o neoliberalismo no contexto do golpe e das ameaças que as mulheres vem sofrendo. A nossa luta deve ser contra os retrocessos: a reforma previdenciária, a necessidade da democratização da mídia, a questão dos direitos políticos — pois tivemos nossos votos usurpados. É preciso lutar também contra as iniciativas de governabilidade através de portarias e decretos — que violam a Constituição.

Nossa luta também passa pela viabilidade da demarcação das terras indígenas, respeitando o modo de ser dos povos originários e lutar contra as pautas e decretos que tentam retirar os direitos garantidos na Constituição.

É preciso enfrentar os problemas do colonialismo e genocídio e discutir a questão carcerária como uma questão de direitos humanos e não como segurança pública.

Há também a necessidade de nos organizarmos enquanto classe, na luta pela descriminalização das lutas sociais — com recorte de raça, classe e gênero.

Há a necessidade de se pensar uma rede de solidariedade nacional de proteção aos defensores de direitos humanos. E avançarmos na construção de uma Constituinte inclusiva, sem monopólio dos partidos e a descriminalização das drogas, com uma política de redução de danos. E apoiar a luta dos estudantes contra a PL da Escola sem partido”.


“A situação das Organizações da Sociedade civil brasileira na conjuntura pós-golpe”


No dia 20 de janeiro, o Pad, Abong e Articulação de Monitoramento de DH no Brasil organizaram uma Roda de Conversa, Reunindo representantes das OSCs e das agências de cooperação.


A roda para discutir as perspectivas da cooperação internacional na luta por direitos no atual contexto global e nacional, reuniu representantes de OSCs e de agências de cooperação internacional. Construindo uma agenda de continuidade dessa iniciativa no Brasil.


Na abertura da roda de diálogo sobre organizações da sociedade civil, cooperação internacional e direitos humanos, Mércia Alves (Pad)disparou a frase de Erminia Maricato para situar o atual momento político do país, de criminalização dos movimentos sociais e deslegitimação dos sujeitos políticos:


“As ideias fora de lugar e o lugar fora das ideias”.


Cândido Grzybowski, do Ibase, reforça a importância do apoio da cooperação internacional, mas destaca a situação de emergência que estamos vivendo e a necessidade de reflexões de curto e longo prazo.


“Temos que lembrar que a cooperação é para o desenvolvimento. Mas desenvolvimento também é um problema, como efeitos da globalização. Precisamos rever essa relação, cooperação ainda se apoia em modelo colonial e eurocêntrico. A ideia é incorporar a ética da vida, dos direitos humanos, do cuidado”.


O consultor Domingos Armani instiga as organizações presentes.


“Nossas organizações ainda são muito antiquadas. Nossas estratégias de comunicação, por exemplo, são muito falhas”, avalia. O empoderamento de juventudes pode ser, na visão de Armani, uma forma de contribuição para renovar as estratégias de divulgação das resistências.


A Misereor esteve presente no Fórum Social das Resistências e demonstrou, por meio de seu representante Stefan Kramer, solidariedade frente ao atual momento político pós-golpe do Brasil.


Para Sarah Roure, representante da agência Christian Aid no Brasil e Uli Ide, assessor para desenvolvimento de comunidades rurais na América Latina, da Heks/Eper: o mundo mudou e as relações com a cooperação internacional também. E que toda a crise enfrentada no país pede por novas articulações entre as organizações e as agências para um trabalho conjunto.


“Penso que temos uma grande oportunidade de fazer isso de uma forma coordenada. De pensar uma cooperação internacional que contribua pra responder os desafios do nosso tempo, mas também fazer isso em diálogo com a sociedade civil brasileira, que também precisa dar conta de comunicar, de outra forma, o que está acontecendo no nosso contexto. E comunicar o que acontece no contexto brasileiro, penso que significa darmos um salto de qualidade, que não é só um discurso vitimista. Sofremos o golpe…não temos dinheiro. Acho que a gente precisa complexificar isso: e irmos além e sermos capazes de apresentar o que é o sentido da nossa ação política, pra onde a gente tá se movendo e fazer isso em diálogo com os desafios em outros contextos”.

- Sarah de Roure


“O que acontece no Brasil não acontece só no Brasil. É uma coisa global. Olhando hoje para a Europa, está acontecendo a mesma coisa. Então eu acho que é importante ver possibilidades de como explicar, apresentar para o mundo que isso que acontece no Brasil também tem uma relevância grande com a realidade deles lá na Europa, nos Estados Unidos. Essa proposta de pensar estratégias, de agendas coletivas, comuns, organizadas, com gente comprometida, com organizações comprometidas, na Europa, nos Estados Unidos, é algo pra mim, já bastante concreto”.

- Uli Ide


Mathias Fernsebner
, representante da agência Pão para o Mundo no Brasil, não pode estar presente ao Fórum, mas enviou seu abraço solidário da Alemanha, na certeza que:


“A PPM está junto com as organizações da Sociedade Civil e as agências parceiras no novo contexto de país e frente aos novos planejamentos de atuação”.


O Fórum Social das Resistência aconteceu de 17 a 21 de janeiro em Porto Alegre (RS).


Fonte: Medium PAD

 

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