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Quilombolas reconvertem território no Espírito Santo

20/07/2010

A comunidade quilombola de São Domingos, tradicionalmente instalada no norte do Espírito Santo, viveu um momento histórico nos dias 26 e 27 de junho. Nesta ocasião, formou-se um grande coletivo solidário a fim de trazer de volta a agrobiodiversidade à terra reconquistada, após anos de uso da área como monocultura de eucalipto de uma empresa privada transnacional. Em cerca de 13 hectares que antes foram posse indevida da Aracruz Celulose (hoje conhecida como Fíbria), iniciou-se a reconversão agrícola, ou seja, a terra voltou a ser usada para cultivo de alimentos saudáveis.

 

Convidados pela comunidade, pela Comissão Quilombola do Sapê do Norte e pela Escola Popular Quilombola de Educação Política e Ambiental, mais de 100 representantes das demais comunidades quilombolas, indígenas, estudantes e parceiros camponeses e urbanos contribuíram com o plantio de mais de 3 mil mudas de espécies frutíferas e nativas da Mata Atlântica, além de muitas sementes alimentares trazidas pelos quilombolas. Organizados em seis grupos e coordenados por lideranças da comunidade, estes voluntários trabalharam na área destinada ao cultivo conforme planejado previamente pelos quilombolas de São Domingos.

 

As tradições agrícolas quilombolas puderam ser transmitidas às diferentes gerações presentes, num agradável trabalho coletivo. O desafio de plantar árvores nativas para recompor as matas ciliares e nascentes ficou para os mais velhos, que ainda guardam na memória a Mata Atlântica que existia ali antes da chegada do eucalipto. As crianças, além de se divertirem nos plantios, ainda brincaram de construir um espantalho da “Aracruz”, fincado ao som de tambores entre os novos cultivos.

 

As mulheres dedicaram-se sobretudo aos plantios de sementes para garantir a produção de alimentos aos seus familiares. Muito a calhar, já que é recente a publicação de um relatório do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República que identificou uma situação de insegurança alimentar e nutricional quilombola na região, em função dos monocultivos de eucalipto em larga escala.

 

O salto na luta pela terra das comunidades quilombolas foi bastante significativo com esta atividade produtiva.

 

Praticamente sem terra, água e mata, pouco restou para as famílias que resistiram na região capixaba do Sapê do Norte, após mais de três décadas de eucaliptal degradando seu território. Muitos passaram a produzir carvão com os resíduos do eucalipto, o que gerou inúmeros conflitos e até a criminalização dos quilombolas. Não foram poucas as ações violentas de repressão contra eles, como a que aconteceu ali mesmo em São Domingos, em novembro de 2009, quando 35 quilombolas foram injustamente presos pela Polícia Militar do Espírito Santo, sem flagrante nem mandado de prisão.

 

Decididos a não se subordinar aos acordos propostos pela Fíbria, de “concessão de terra” e de “plantios que não sejam bem de raízes”, os quilombolas de São Domingos abriram outros horizontes possíveis com esta articulação e afirmação pelo seu território, sua produção de alimentos, sua água, mata e trabalho.

 

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