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Consulta vai consolidar casos de boas práticas brasileiras em biodiversidade

05/08/2010

O PNUD abriu um processo de consulta para coletar estudos, descrições e exemplos de projetos de conservação da biodiversidade do Brasil — país com maior número de espécies nativas, com entre 15% e 20% de toda a diversidade biológica mundial. A ideia é reunir informações para apontar quais os benefícios sociais e financeiros e os custos econômicos de uma gestão de ecossistemas preocupada com a sustentabilidade.

 

A iniciativa será feita em duas etapas. Uma delas é um questionário na internet, que já está no ar e ficará aberto até meados de agosto. A outra é um encontro com especialistas e autoridades na área de meio ambiente, a ser realizado na sede do PNUD, em 23 e 24 de agosto, e que analisará e complementará os dados colhidos pela pesquisa on-line.

 

“Pretendemos sistematizar informações sobre casos e experiências concretas de conservação da biodiversidade”, resume o biólogo Rodrigo Medeiros, um dos assessores do PNUD responsáveis pela consulta nacional. “Vamos consolidar informações sobre o que existe hoje que pode ajudar a dimensionar a importância da conservação da biodiversidade”, completa o economista Carlos Eduardo Young, também assessor do PNUD e membro do comitê técnico da iniciativa.

 

As duas etapas fazem parte de um processo maior de consulta em vários países latino-americanos, chamado “Biodiversidade e Ecossistemas: Por que são Importantes para o Crescimento Sustentável e a Equidade da América Latina e do Caribe”, feita em parceria com o PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) e TEEB (The Economics of Ecosystems and Biodiversity).

 

Já foram realizadas sete reuniões na região, em nações também com grande biodiversidade (México, Peru, Venezuela, Colômbia, Equador, Guatemala e Trinidad e Tobago). Os dados desses sete workshops e da consulta brasileira servirão de subsídio para um documento que será apresentado pelo PNUD e parceiros no 10º Encontro da Conferencia das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica, em Nagoia (Japão), entre 18 e 29 de outubro.

 

Consulta pela internet

Entre os processos de consulta nos países latino-americanos, só no Brasil foi incluída a pesquisa on-line. “Em razão da riqueza da biodiversidade e do tamanho do país, não seria possível limitar o processo a um encontro com 20 ou 30 pessoas. Por isso, optou-se pela estratégia diferente”, diz Young.

 

O objetivo é que técnicos do setor público e privado, representantes de organizações não governamentais, acadêmicos e líderes comunitários apresentem e detalhem experiências em biodiversidade e apontem eventuais ligações dessas práticas com a equidade e a geração de renda.

 

O questionário tem 12 perguntas pede, por exemplo, que se mencionem políticas públicas no setor (federais, estaduais ou municipais) e se identifiquem impactos na produção, na produtividade, no emprego e na renda. Há também questões sobre áreas prioritárias para ações de conservação e mecanismos financeiros inovadores.

 

Com esses elementos, avalia Medeiros, será possível fazer uma comparação entre a produção que desmata e a que não desmata. “Em geral, se diz que a produção predatória é mais barata e mais fácil de fazer. Há experiências, e pretendemos reunir outras, que mostram que não: que o manejo sustentável de gado, madeira e água, por exemplo, é viável e pode ser inclusive mais lucrativo”, afirma o biólogo.

 

Young dá dois exemplos. Em várias regiões do Brasil, o maracujá é polinizado por uma abelha nativa chamada mamangava, que sobrevive em alguns tipos de floresta. Se a vegetação for eliminada, a abelha perderá seu hábitat e “a polinização terá de ser feita artificialmente, o que gera custo”. Também é frequente que, em plantações que ficam próximas a florestas, o controle de pragas seja auxiliado pela ação de morcegos e pássaros.

 

As informações coletadas na consulta virtual e debatidas no workshop de agosto serão posteriormente sintetizadas num relatório sobre a experiência brasileira. A expectativa é que a publicação fique pronta em outubro, segundo Medeiros.

 

Fonte: site do PNUD

 

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