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INESC lança nota pública contra o fundamentalismo no debate eleitoral

19/10/2010

Leia a íntegra da nota:

 

Eleição não é profissão de fé

A trajetória de trinta e um anos de luta pela radicalização da democracia e defesa dos direitos e da cidadania exige que o Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC) se posicione sobre os acontecimentos que tem marcado o segundo turno das eleições para presidente da república. Além de ser uma campanha que mais parece uma guerra, dá sinais de retrocesso no processo da frágil democracia conquistada a duras penas pela maioria da sociedade brasileira.

 

O desespero para ganhar as eleições a qualquer preço levou o candidato da coligação PSDB/DEM/PPS a desviar o debate eleitoral para o obscurantismo com características fundamentalistas. A política foi substituída pela profissão de fé como se fosse necessário para ser eleito apresentar provas da prática religiosa que cada um exercita. E com isso se acua o adversário, se chantageia.

 

A dificuldade de distinguir a religião dos direitos civis tem levado a campanha eleitoral por caminhos obscuros e ressuscitado organizações de triste memória como a TFP e a Opus Dei, que tanta importância tiveram no apoio aos anos de chumbo da ditadura militar/civil. O preconceito e a discriminação contra as mulheres e os homossexuais ganha contornos de inquisição, faltando somente acender a fogueira.

 

A discussão sobre o aborto tornou-se uma questão de posição pessoal. A grande mortalidade de mulheres que são vítimas do aborto ilegal e inseguro é ignorada, mesmo sendo a maior causa de internação de mulheres no SUS.

 

Até agora não se permitiu ao eleitor conhecer, discutir e aprofundar propostas e compromissos de políticas públicas que façam avançar o desenvolvimento econômico, social, político e cultural do país. Os dois projetos distintos para o país não mostraram suas diferenças.  A disputa eleitoral está reduzida ao campo da crença e da fé.

 

Por tudo isso, o Inesc se posiciona contra qualquer proposta de governo que ameace os direitos já conquistados e a radicalização da democracia brasileira. Defende o Estado laico. Apóia propostas de governo que se comprometem com um desenvolvimento socialmente justo, ambientalmente sustentável e que combata todas as formas de desigualdade, preconceito e discriminação.  E que não permita retrocessos.

 

 

Brasília, 18 de outubro de 2010.

 

Fonte: Instituto de Estudos Socioeconômicos - INESC

 

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