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GEMTTRA realiza seminário sobre tráfico de pessoas

21/06/2010

No dia 10 de junho passado, o Grupo de Estudos Gênero, Mulheres e Temas Transacionais- GEMTTRA, da Universidade de São Paulo- USP, realizou em seminário de estudos sobre migração sul-americana, tráfico de pessoas e refugiados em um dos anfiteatros dessa universidade.

 

No primeiro painel, sobre a imigração sul-americana, foi feito um histórico da migração chilena no Brasil por Oriana Jara Maculet diretora da ONG presença da América latina, PAL, e a pesquisadora Veronica Aravena Cortés. Segundo elas, houve uma grande demandada de chilenos na ditadura de Pinochet, principalmente de adversários do regime. “Porém os migrantes chilenos que vieram para o Brasil- já que aqui também havia uma ditadura, eram pessoas em busca de melhores condições de vida propagadas pelo regime militar brasileiro”.

 

Carmen de Watson, coordenadora do Centro de Apoio Comunitário “Inti Wasi” discorreu sobre a feminização e vulnerabilidade da migração internacional, mostrando a experiência dos migrantes peruanos em São Paulo.

 

No painel de refugiados, a jornalista Alexandra Aparício, gerente na América Latina da “Refugees United”, mostrou o uso da tecnologia via web, na localização de familiares de refugiados realizado por sua ONG. O trabalho feito com refugiados pelo SESC de São Paulo foi explanado pela assistente social Denise Olrandi Collus, assim como Carla Aparecida Aguilar expôs seu trabalho de atendimento na casa do Migrante, onde é coordenadora.

 

O jornalista da Repórter Brasil, Leonardo Sakamoto, mostrou a perversa realidade do trabalho escravo rural em nosso País. Em 2008, essa ONG documentou em filme, um trabalhador rural com 60 cicatrizes de queimaduras feitas com ferro de marcar gado em todo seu o corpo e rosto

 

O motivo do castigo, causado pelo dono da fazendo onde trabalhava, era ter exigido o pagamento atrasado e reclamar da carne podre e cheia de vermes que davam aos trabalhadores rurais, apesar de estarem em uma fazenda onde o gado era abatido praticamente todos os dias.

 

Sakamoto também demonstrou através de gráficos a relação entre o aumento de nossas fronteiras agrícolas, a incidência do trabalho escravo e a devastação ambiental. A possível aprovação da proposta de lei do deputado Aldo Rebello, do PC do B, ampliando para 90% a possibilidade de derrubada de mata nas propriedades rurais, foi mostrada como um perigo para a integridade ambiental de nosso país. Esse jornalista ainda lembrou que o Brasil deverá ser a quinta potência econômica no planeta, na atual década desse século XXI. Porém ele se questiona, ”queremos que esse processo se dê por conta da devastação ambiental e do trabalho escravo de milhares de brasileiros?”

 

Por sua vez, Luiz Machado, da Organização Internacional do Trabalho – OIT, fez a apresentação dos mecanismos de combate ao trabalho escravo usados no Brasil.

 

Tráfico de pessoas

O último painel desse seminário discutiu o tráfico de pessoas- TP, quando Priscila Siqueira, da ONG Serviço de Prevenção ao Tráfico de Mulheres e Meninas- SMM, fez uma análise política desse fenômeno. “O TP é somente a ponta de um perverso ice-berg que é essa sociedade globalizada em que vivemos”, afirma Priscila. A falta de melhores condições de vida, a miséria além de causas culturais como o machismo e o patriarcalismo , juntamente com discriminação de raça e etnia são fatores contundentes na questão do TP. Somando a isso, quanto mais os países ricos dificultam e impedem a entrada de migrantes das partes mais pobres do globo terrestre em seus territórios, mais as redes internacionais de tráfico de pessoas ficam fortalecidas.

 

O advogado Barry Wolf, diretor a ONG SOS Dignity, mostrou a dura realidade dos travestis brasileiros traficados tanto internamente como internacionalmente. Para Barry “o preconceito contra os travestis é muito maior que o que a sociedade mostra contra as mulheres; essas pessoas sofrem muita violência por parte da sociedade da própria polícia”. Não são raros os casos de travestis assassinados.

 

Finalmente o pesquisador da USP, Flávio Antônio Gomes de Azevedo, falou sobre o tráfico de pessoas latino-americanas para o trabalho escravo na cidade de São Paulo.

 

A professora Maria Quinteiro, coordenadora do GEMTTRA, avaliou o seminário como um avanço nas discussões de temas transacionais contemporâneos. Para essa pesquisadora, “é hora da Universidade se aproximar dos problemas que ocorrem na sociedade, para que os membros dessa sociedade e da Academia possam refletir e trabalhar conjuntamente nas soluções dos mesmos”.

 

Fonte: SMM

 

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