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Docentes da USP fazem ato para lembrar um ano do ataque da PM no campus Butantã

15/06/2010

Por Lúcia Rodrigues

A Adusp (Associação dos Docentes da USP) organizou nesta quarta-feira, 09, o ato-debate Polícia no Campus Nunca Mais, para lembrar um ano do ataque da Polícia Militar contra funcionários, estudantes e professores, que ocorreu no campus Butantã, no final da tarde do dia 09 de junho de 2006.

Além de representantes do DCE (Diretório Central dos Estudantes) e da Associação de Pós-Graduandos, participaram do debate o professor aposentado da Faculdade de Direito do Largo São Francisco Fábio Konder Comparato e o diretor do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP), Claudionor Brandão, demitido pela ex-reitora Suely Vilela, em 09 de dezembro de 2008. O presidente da Adusp e professor do Instituto de Física, João Zanetic, representou os professores e coordenou o ato.

A ingerência do governo do Estado sobre a USP foi criticada por Comparato como um dos entraves para resolver os impasses da universidade.  “É o governador quem nomeia o chefe da autarquia (reitor) e a autarquia depende de financiamento do orçamento do Estado. Todo mundo sabe que sendo o reitor nomeado pelo governador, ele jamais vai se opor ao governador. Se nós não eliminarmos essa situação de dependência, é impossível tentar melhorar as condições (da USP)”, ressalta.

Comparato também aproveitou a oportunidade para criticar o presidente Lula ao lembrar o julgamento da ADPF (Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental) pelo Supremo Tribunal Federal que decidiu pela não punição dos torturadores da ditadura militar.

“Na véspera da decisão da ação que pedia a reinterpretação da Lei de Anistia o presidente da República (Lula) convidou todos os ministros do Supremo Tribunal Federal para um jantar no Palácio do Planalto. E ao que consta, o assunto único discutido foi futebol. Isso nos Estados Unidos, por exemplo, acarretaria certamente no impeachment do presidente da República. Em qualquer país da Europa com um mínimo de tradição de independência de poderes, a mesma coisa”, frisou.

A greve dos funcionários também foi destacada no ato-debate. À reportagem da Caros Amigos, Brandão revelou que não descarta uma nova invasão da PM ao campus Butantã, onde a reitoria da universidade permanece ocupada. “Não descarto uma nova invasão da PM.”

Ele conta que além da capital também houve corte de ponto dos funcionários nos campi de Ribeirão Preto e São Carlos. “A greve está fortíssima em Ribeirão Preto e, parcial, mas com peso significativo, em São Carlos. Unidades de Piracicaba e Bauru também estão paralisadas. “Em Pirassununga, a greve começou nesta quarta-feira (09).”

Ocupação continua

“A intransigência e o fechamento ao diálogo dos três reitores e aqui, em particular, representada pelo desconto dos dias parados, coisa inédita nesta universidade em data-base, acabou levando os funcionários que estão em greve a tomarem essa atitude como uma forma de autodefesa”, pondera o professor Zanetic.

Ele conta que a Adusp já procurou o reitor João Grandino Rodas para que o diálogo seja aberto e para que não haja repressão ao movimento. “A melhor forma de resolver esse impasse é com a reabertura da negociação entre as partes. A gente conversa, mas não há diálogo com o reitor.”

O professor antecipa que na próxima quarta-feira, 16, o Fórum da Seis, entidade que reúne professores e funcionários das três universidades públicas paulistas (USP, Unicamp e Unesp) realizam um ato em Campinas, para pressionar pela reabertura das negociações que estão suspensas desde o dia 18 de maio.

O funcionário da ECA (Escola de Comunicações e Artes) Domenico Colacicco não teve o salário cortado, mas está acampado na reitoria em solidariedade aos companheiros. Já dormiu no local duas noites. “A reitoria é fria, o chão é gelado, mas o pessoal ligou o ar condicionado em uma temperatura mais amena”, brinca.

“Independente de não ter tido corte no meu ponto, estamos aqui em solidariedade a quem teve. É um movimento defensivo, porque quem radicalizou foi o reitor ao deixar pais de família em uma situação complicadíssima. Isso é inadmissível.”

Trabalhador da universidade há dois anos, Domenico também estudou na USP. Ele se formou em Ciências Sociais, em 2006. Esta é a segunda greve que participa como funcionário. Segundo ele, a ocupação continua até que o impasse gerado pela reitoria seja resolvido. “Vamos ficar na reitoria até conseguir resolver a questão do corte do ponto e reabrir o diálogo sobre a volta da isonomia salarial.” 

Os funcionários da USP estão em greve desde o dia 05 de maio porque o  Cruesp (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais de São Paulo) rompeu a isonomia entre o reajuste salarial de professores e funcionários da USP, Unicamp e Unesp conquistado com a autonomia universitária, no final da década de 80.

 

Este ano o conselho de reitores resolveu dar reajustes diferenciados para as duas categorias. Professores e funcionários conquistaram 6,57% de reajuste, pago em junho, mas aos docentes o Cruesp concedeu mais 6% de reajuste retroativo a fevereiro sob o argumento de que se trata de uma recomposição salarial para a reestruturação da carreira docente. O argumento é contestado por professores e funcionários.

 

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