ABONG -  - Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais

associe-se

conheça nossas associadas

Procure pelo nome em um dos campos abaixo:

selecione
selecione

Ou faça aqui uma busca detalhada:

selecione
selecione
selecione
selecione
  • APOIO

    • Pão Para o Mundo
  • REDES

    • Plataforma Reforma Política

Entrevista com coordenador pedagógico do Afro Reggae: “A nossa bandeira é o ser humano"

10/12/2010

O Encontro com crianças e adolescentes “Mudanças Climáticas: Nossa Vida está em Jogo!” aconteceu entre os dias 6 e 8 de dezembro de 2010 em Brasília/DF e foi promovido pela Coordenaria Ecumênica de Serviço (CESE) em parceria com Action for Children (Holanda, África do Sul, Índia e Quênia) e Campanha pela Educação (Brasil). Um dos grupos apoiados pela CESE presentes no evento é o Afro Reggae. Confira um bate-papo com Nei Robson, do Grupo Cultural Afro Reggae, que se localiza em Vigário Geral, Rio de Janeiro.

 

CESE – Como você passou a se envolver com o Afro Reggae?

 

Robson – Trabalho no Afro Reggae há quase quatro anos. Sempre trabalhei com movimentos sociais, desde a adolescência, porque minha mãe já trabalhava nesta área, ela é funcionária pública e trabalhou em creches, foi líder comunitária e eu acabei sempre estando envolvido com isso. Na minha adolescência, entrei para um grupo afro, não conhecido como o Afro Reggae, mas um grupo nos mesmos moldes de visão. Na década de 90 houve um ‘boom’ no Rio de Janeiro de surgimento de grupos afro, como uma reprodução do que já acontecia na Bahia, mas não com a mesma força. A partir daí eu conheci o Afro Reggae, de quem eu era apenas admirador até então. Aí me tornei educador social, trabalhei em abrigos pela Prefeitura até chegar a oportunidade de ser chamado pelo Afro Reggae para trabalhar como pedagogo.

 

CESE – O que o trabalho do Afro Reggae tem a ver com esse encontro sobre mudanças climáticas?

 

Robson – Uma das questões com que o Afro Reggae lida é a luta pela igualdade e pelo respeito. O Afro Reggae, no Rio de Janeiro, tem uma cultura de trabalhar dentro das favelas, mas não para segregar o favelado, mas para abrir as portas da favela para quem não vive lá poder entrar e para quem vive lá poder sair. Essa é a prioridade do Afro Reggae: quebrar este muro invisível que existe na nossa sociedade. Por isso, quando viemos para um evento como esse, que fala de mudanças climáticas, preocupado com o respeito ao meio ambiente, o Afro Reggae, com certeza, está em sintonia com este propósito, pois, uma vez que você luta pelo fim da desigualdade, pela promoção do ser humano e pela valorização da cultura, também se tem consciência de que nada disso existe se não houver a natureza, se não houver uma convivência harmônica do ser humano com a flora e fauna de onde vive. É impossível imaginar uma sociedade sem vida.

 

CESE – Na sua comunidade, no bairro onde mora, você sente efeitos de mudança climática?

 

Robson – Moro em Belford Roxo, município da Baixada Fluminense, uma região castigada por fortes chuvas nos últimos anos. Historicamente, sempre houve muitas inundações por ali na época do verão. Só que de um tempo para cá, o que temos visto é que mesmo fora do período das cheias, está acontecendo inundações em alguns bairros que nunca haviam sido atingidos por enchentes. Estas situações mostram uma questão além das mudanças climáticas. Os próprios moradores têm sua parcela de responsabilidade. A má educação dos cidadãos cariocas ainda é muito grande. Ainda precisamos nos conscientizar e não jogar lixo nos rios e de cuidar o meio ambiente, as comunidades precisam se envolver mais neste processo de educação. Tudo isso se soma às questões de poluição, mudanças climáticas, etc.

 

CESE – Recentemente, representantes do Afro Reggae foram tentar um último movimento de negociação com os traficantes do Complexo do Alemão antes da entrada da polícia e das forças armadas. Você é pedagogo. Falou do papel da educação na criação de consciência acerca das mudanças climáticas. Você acha que um dos papéis do Afro Reggae, no Rio de Janeiro, é também pedagógica no meio onde atua, intervindo diretamente em situações que acontecem no seu contexto?

 

Robson – A questão do papel nas ONGs em situações limítrofes tem a ver com a ausência mais contundente do governo na maioria destas mesmas situações. O Afro Reggae, enquanto instituição, enquanto ONG tem seus ideais. Mas é muito complicado dizer se este é ou não o papel do Afro Reggae no Rio de Janeiro. Prefiro falar que o Afro Reggae abraça algumas causas, e a causa da luta contra a violência é uma delas. O próprio projeto surgiu a partir de uma situação de extrema violência que houve em Vigário Geral. Então é muito difícil ver uma situação como esta que se formou no Complexo do Alemão e não interferir buscando ajudar, até pelo contato direto que temos com estas comunidades, após anos de estudo, projetos e atividades pontuais. O Afro Reggae não tem uma bandeira da favela, uma bandeira do traficante, nem uma bandeira da polícia. O Afro Reggae carrega a bandeira do ser humano, da sociedade de modo geral. Então a organização se sente no pape de mediadora destas zonas de conflito.

 

CESE – Você falou em bandeiras... uma das principais atividades com as crianças neste encontro aqui é escrever novas palavras na bandeira do Brasil. Qual palavra você escolheu?

 

Robson – A palavra que escolhi foi “ação”, porque lembrei de uma música do Olodum que diz que “ a gente fala, fala, fala e não resolve nada, não”. E, desde a época em que comecei com os blocos afro escuto esta música e até hoje ela significa muito para mim. Vejo muito discurso e pouca ação.

 

Fonte: Marcelo Schneider, da CESE

 

PALAVRAS-CHAVE

  • PROJETOS

    • Informação, formação e comunicação em favor de um ambiente mais seguro para a sociedade civil organizada

Rua General Jardim, 660 - Cj. 71 - São Paulo - SP - CEP: 01223-010 - Tel.: 11 3237-2122

Horário de funcionamento do escritório: segunda-feira à sexta-feira, das 9h às 19h

design amatraca