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A resistência africana é um dos grandes temas do FSM de Dacar

07/02/2011

A resistência africana é o grande tema do Fórum Social Mundial de 2011, que acontece em Dacar, no Senegal. Assim definiu um de seus organizadores, o marroquino Hamouda Soubhi, do Fórum Social de Maghreb. “Escravidão, diáspora e imigração, entre outros temas, serão fortes nesta edição do FSM, assim como em Belém (AM), o principal era a Amazônia”, diz.

 

O FSM será realizado de 6 a 11 de fevereiro, na Universidade Cheikh Anta Diop, a maior universidade pública da África Ocidental. Mas antes do fórum começar, acontecem diversos encontros paralelos. Do dia 2 a 5, por exemplo, acontece a assembléia que vai elaborar a Carta Mundial dos Migrantes, na Ilha de Gorée, próxima à Dacar. Até o século 19, a ilha funcionou como um dos maiores centros de comércio de escravos africanos. Durante o Fórum, o dia 7 será dedicado à África e à diáspora.

 

Este é o segundo FSM que acontece no continente. Em 2007, Nairóbi, no Quênia, recebeu cerca de 50 mil participantes. O mesmo número é esperado nesta edição. Segundo Soubhi, há uma grande mobilização e participação de organizações e sociedade civil do Senegal. Nas ruas, em geral, os habitantes de Dacar estão por dentro do evento que a cidade receberá.

 

“Há uma forte mobilização regional, com pessoas vindo, em caravana, de Camarão, Nigéria, Marrocos, Mauritânia, Benin, Burkina Fasso”, relata Soubhi. O processo do FSM vem crescendo no continente. Somente antes de Dacar, Soubhi informa que foram realizados 10 fóruns africanos. “O FSM passou a fazer parte da agenda dos militantes e ativistas daqui.”

 

Na opinião da coordenadora do Ibase e integrante do Grupo de Reflexão e Apoio ao Processo FSM, Moema Miranda, também uma das organizadoras, este FSM acontecer na África é de extrema relevância. “Tem a ver com pensar o modelo de desenvolvimento a partir de um dos continentes que mais sofrem as conseqüências do atual modelo, não só do neoliberalismo, mas de toda a lógica consumista, privatista, que orienta o crescimento do capitalismo”, explica. “Estar no norte da África neste momento é importante para a dinâmica do processo do Fórum, mas também abre uma enorme possibilidade de um diálogo com o universo islâmico.” No Senegal, em torno de 90% da população é muçulmana.

 

Ações concretas

O FSM 2011 terá os dois últimos dias destinados a assembléias de convergência de ação. Até o momento, 38 já estão inscritas. Soubhi diz que essa era uma demanda dos participantes que se perguntavam por que ir ao fórum se ele não propunha ações concretas. “Mas esse é o modelo do FSM, é se encontrar, discutir, criar redes, criar consensos, encontrar soluções e alternativas”, afirma.

 

Em Belém, em 2009, já foram realizadas assembléias. Mas, agora, em Dacar, serão dois dias só para essas atividades. “Demos um passo para garantir um espaço mais privilegiado para esses momentos de articulação e de conexão, com vistas à ação”, explica Moema.

 

Ações para o encontro Rio + 20, que acontecerá em 2012, no Rio de Janeiro, e qual informação é necessária para outro mundo possível estão entre os temas das assembléias já cadastradas. “Esperamos que de fato esse seja um momento importante de encontro e articulação da sociedade civil planetária, um espaço importante para as lutas que encontram no Fórum um espaço de articulação e avanço”, diz Moema.

 

O processo deve continuar. Esse é o espírito do FSM. Para 2013, segundo a organização, há muitas possibilidades abertas. É possível que entre maio e junho deste ano, o Conselho Internacional defina o local do próximo evento. Uma das cidades que pode sediar o próximo evento é Porto Alegre, já que com a conquista do governo estadual por Tarso Genro cria novas perspectivas altermundistas no ambiente gaúcho.

 

Fonte: Revista Fórum (por Adriana Delorenzo)

 

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