ABONG -  - Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais

associe-se

conheça nossas associadas

Procure pelo nome em um dos campos abaixo:

selecione
selecione

Ou faça aqui uma busca detalhada:

selecione
selecione
selecione
selecione
  • APOIO

    • Pão Para o Mundo
  • REDES

    • Mesa de Articulación

Todo povo possui sua revolução, diz organizador do FSM 2011

08/02/2011

O senegalês de origem tunisiana Taoufik Ben Abdallah afirma, em entrevista, a importância de se realizar o FSM pela segunda vez na África, destaca que todo povo é capaz de fazer sua revolução, e que as contribuições com os valores universais não são monopólio dos países ricos. Para Abdallah, os acontecimentos no Egito e na Tunísia colocam em xeque uma linha da diplomacia ocidental.

 

Um dos organizadores e um dos principais responsáveis por levar o Fórum Social Mundial pela segunda vez à África, Taoufik destaca também que todo povo pode contribuir para os valores universais. “Isso não é monopólio dos Estados Unidos e da Europa, ou da Revolução Francesa”. Membro do Conselho Internacional do Fórum, ele acrescenta que os debates em curso em Dacar ajudarão a redefinir o lugar dos africanos no mundo.

Carta Maior – Durante a cerimônia de abertura, o senhor disse que a África deve tomar seu lugar neste mundo em transformação. Gostaria de saber como isso pode acontecer e como o Fórum Social Mundial pode ajudar.

Taoufik Ben Abdallah – De muitas maneiras. O Fórum Social Mundial é um espaço dos cidadãos do mundo. E o fato de o organizarmos aqui significa plenamente que os africanos tomam seu lugar num espaço mundial.

Em segundo lugar, sendo o Fórum um espaço de resistência a um sistema global que todos nós acreditamos ser opressor para todos, significa que a África participa dessa resistência. Ou seja, nós participamos da criação e do fortalecimento da luta contra o sistema hegemônico no mundo. E essa é uma forma de participar do que acontece no mundo.

Mas o Fórum também é um espaço de análise, de troca etc. Neste sentido, vamos analisar o estado em que se encontra o mundo hoje, caracterizado principalmente pela transformação da correlação política e econômica. E enquanto africanos queremos saber qual o nosso lugar neste mundo, amanhã, neste mundo novo.

Vamos simplesmente continuar a nos submeter à transformação do mundo, como aconteceu durante a Guerra Fria, quando a África se tornou simplesmente fornecedora de matéria-prima e um terreno de conflito entre o Leste e o Oeste? Ou vamos, por nós mesmos, poder contar neste mundo no equilíbrio político, no Conselho de Segurança [da ONU], nas instâncias internacionais, de forma com que as regras que definem as relações entre os países não sejam ditadas, mas com as quais possamos contribuir?

Então, vamos estudar todas essas questões. E eu acredito que o Fórum é uma ferramenta para a África redefinir seu lugar no mundo.

Carta Maior O senhor falou também da Tunísia e do Egito. Mas sabemos que os problemas enfrentados por esses povos não são exclusivos deles, tampouco do Maghreb [região no Norte da África]. As ditaduras e os governos que não escutam seus povos estão em todos os lugares. Como o Fórum Social Mundial, realizado simultaneamente aos acontecimentos nesses países, pode apoiar tais movimentos e enviar uma mensagem de apoio a eles? E como as delegações desses países que vêm para cá podem encontrar um FSM que seja realmente um espaço de construção para, digamos, uma contaminação positiva dos outros países da região?

Taoufik Ben Abdallah – É o que nos desejamos, claro. E esperamos. Vocês viram há pouco que, todas as vezes em que falamos da Tunísia, do Egito etc., há uma grande manifestação de apoio do público africano. Isso é porque os cidadãos estão tocados pelo que se passa lá. Em muitos países africanos há transformações fundamentais necessárias. E se esses dois abrem o caminho.

Agora, acredito que ainda não mensuramos todo o impacto dessas duas revoluções, no Egito e na Tunísia. O primeiro impacto é, definitivamente, que hoje sabemos que quando o povo quer uma coisa ele pode conseguir. É simples assim. E que isso não vale apenas para a África, mas para a Europa, para os Estados Unidos e também para a África.

A segunda coisa é que esses acontecimentos estão questionando um certo tipo de diplomacia ocidental que é esquizofrênica. De um lado não há mais ditadores, de forma consciente, organizada, e de outro se produz todo um discurso sobre os direitos humanos, a democracia, a boa governança etc, que é instrumentalizado por interesses próprios, que utilizam instituições como o Banco Mundial ou o FMI, cuja ação vai contra os interesses africanos, mas que devido ao seu peso econômico na região conseguem impor seu discurso e sua política.

Tudo isso está sendo questionado quando vemos a situação em que se encontra a diplomacia europeia hoje, a diplomacia americana. Eles não sabem o que fazer diante da população que critica um regime que eles apoiaram. Tentam ser coerentes, preservando seus interesses... Tudo isso toca e tem um impacto significativo, o que é muito melhor.

Outro aspecto, não menos importante, é que isso mostra claramente que não há exclusividade ou monopólio dos valores universais. E que todo povo, seja ele africano, latino-americano, pode, por sua força, sua vontade, sua história, sua cultura, contribuir, com o que tem, para o que é universal. E que o universal não é monopólio da Europa ou dos Estados Unidos. Não é a criação histórica da Revolução Francesa. Cada um tem sua revolução e cada povo coloca o que produz à disposição do universal.

Carta Maior – Então o slogan do Fórum, "Outro mundo é possível e necessário", ainda é atual?

Taoufik Ben Abdallah – Este outro mundo está em curso, esperamos. Ele não é apenas necessário, mas está em andamento.

 

Fonte: Carta Maior (por Bia Barbosa)

 

PALAVRAS-CHAVE

  • PROJETOS

    • Observatório da Sociedade Civil

Rua General Jardim, 660 - Cj. 71 - Osasco- CEP: 01223-010 - São Paulo - SP - Tel.: 11 3237-2122

Horário de funcionamento do escritório: segunda à sábado, das 9h às 19h

design amatraca