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Relato: Reencontros da diáspora negra no FSM de Dacar

11/02/2011

Por Regina Ribeiro *

 

Em 1978 eu residia em São Paulo, onde fazia curso técnico de propaganda e marketing, estudava dança e trabalhava num escritório na Consolação. Eu tinha uma colega de trabalho muito interessante. Ela tinha consciência política e conversávamos muito sobre negritude. Um dia fui visitá-la e conheci sua irmã que vivia na Inglaterra e na ocasião estava de férias no Brasil. Foi desta irmã que ouvi pela primeira vez que o Egito era negro, que os faraós eram negros e que o berço da civilização é negro.

 

Em 1981 viajei para os Estados Unidos e Europa. Era minha primeira viagem internacional. Ao chegar em Paris, me surpreendi ao ver tantos africanos. Fiquei muito feliz e pensei: esta será a oportunidade para eu iniciar minha pesquisa sobre a "África antes da colonização". Eu estava no início da minha carreira de bailarina, coreógrafa e professora de dança afro e meu interesse pela cultura e história africana era imenso.

 

Miinistrei cursos de dança afrobrasileira no Centre Git Le Coeur, em Paris, durante um ano. Em meu último mês de trabalho, estava preparando um workshop, fui ao correio fazer algumas fotocópias na Rue des Écoles. Viu que eu estava copiando algo com o titulo de "danse afro brésilienne". Expliquei-lhe que era bailarina, professora e coreógrafa paulistana e que estava vivendo fora do Brasil pela primeira vez.

 

Descobri que aquele senhor sereno, tão centrado, simpático e elegante era o professor Diouf. Quando ele contou-me que era senegalês, professor de engenharia na Universidade Sourbonne em Paris, presenti que ele era a pessoa que eu esperava encontrar desde o primeiro dia em que pisei na capital francesa. A pessoa que poderia me conduzir às respostas que eu tanto buscara sobre "a África antes da colonização". Falei com ele sobre minha pesquisa e o professor Diouf disse-me que conhecia pessoalmente o historiador senegalês Cheikh Anta Diop.

Explicou-me que seu ilustre amigo escreveu sobre "o Egito negro". Disse-me que Cheick Anta Diop dedicou sua vida inteira para provar que a história foi falsificada, que o berço da humanidade não é a Grécia, o Egito, não o Egito branco mas sim um Egito com faraós negros e população negra.

 

Ele propôs que nos encontrássemos no dia seguinte, pois tinha material para minha pesquisa. No encontro o professor Diouf chegou com 3 livros de Cheikh Anta Diop.

 

Durante as próximas 4 semanas, nos encontramos quase todos os dias. Ele e sua esposa, que também era senegalesa e professora na Sourbonne, falavam-me todas as noites sobre a África e o trabalho de Cheikh Anta Diop. Este foi o período mais precioso de minha estadia em Paris.

 

A essa altura eu já falava Francês, era difícil para mim compreender a linguagem dos livros que eu havia recebido. A pesquisa do ilustre historiador Senegalês que foi tão perseguido, que por diversas vezes foi preso é realmente muito séria e profunda. Na época, procurei material em português mas só encontrei em inglês.

 

Em setembro de 2010, estive num Festival Africano na França, em Fimmes. Lá tive a felicidade de assistir à uma confêrencia do senhor Jean-Philippe Omotunde (de Guadalupe) sobre a obra de Cheikh Anta Diop. Ter assistido esta conferência foi um presente maravilhoso para mim, pois pude esclarecer tantos pontos através das explicações. Comprei o livro "L’Origine Négro-Africaine Du Savoir Grec" (A Origem Negro-Africana da Sabedoria Grega) de Jean-Philippe Omotunde (Collection: Connaissance Du monde nègre/Editions MENAIBUC). Em nosso breve diálogo, o senhor Omotunde disse-me que atualmente há muito material no youtube. A obra de Cheick Anta Diop foi editada pela "Presence Africaine" de Paris.

 

* Bailarina, coreografa e pesquisadora cedido a Soweto Organização Negra participante do FSM2011/Dakar-Senegal

 

Fonte: Ciranda Internacional da Comunicação Compartilhada/Soweto Organização Negra

 

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