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Mulheres e crianças africanas são as principais vítimas dos conflitos no continente

14/02/2011

As violações dos direitos humanos inflingidas às mulheres durante os conflitos foram devastadoras. Em uma pesquisa de 1999, realizada com as mulheres de Ruanda como parte da iniciativa militarista do Fundo Global para Mulheres (GFW), 39% declararam terem sido estupradas durante o genocídio de 1994, e 72% disseram que conheciam alguém que havia sido estuprada.

 

Uma das líderes feministas e filha da África, a estudiosa nigeriana Amina Mama disse que o militarismo está à espreita, principalmente em países como Serra Leoa e Libéria. Ela diz que a guerra e os conflitos estão afetando especialmente as mulheres e as crianças, que são vulneráveis.

Amina falou à IPS durante o Fórum Social Mundial, sobre o militarismo no continente e sobre os debates feministas deste ano no Fórum.

“As mulheres e as crianças se tornaram as principais vítimas dos conflitos, não importa se é chamado de conflito pós-colonização ou não, e eu acredito que os interesses corporativos insuflaram os conflitos”, disse ela.

Em uma pequena amostra das 388 refugiadas liberianas vivendo nos acampamentos em Serra Leoa, três quartos delas declararam terem sofrido abusos sexuais antes de serem expulsas de suas casas na Libéria. O GFW acredita que mais da metade delas sofreram violências sexuais desde a expulsão.

Das mulheres deslocadas na África, entre 50 mil e 64 mil foram alvos de violência sexual durante o longo conflito armado de Serra Leoa.

Amina, que é fundadora do primeiro jornal acadêmico feminista africano, “Feminist Africa”, atualmente preside o conselho do Fundo Global para as Mulheres, que faz doações para organizações mundiais lideradas por mulheres.

“Houve algumas mudanças na natureza dos conflitos e das guerras em algumas partes da África”, ressaltou ela, e “estas mudanças estão levando a um tipo particular de policiamento, vigilância e de violência contra a mulher. Estão se acumulando com o passar do tempo”.

“O Congo é um exemplo, se você rastrear no passado a violência e os estupros, verá que começaram durante o período colonial. Era prática corrente”, explicou.

“E hoje os homens absorveram essa cultura e a missogenia que o militarismo ocidental lhes ensinou.”

Amina está atualmente trabalhando com ativistas africanas na Nigéria, Serra Leoa e Libéria para desenvolver um entendimento claro sobre o impacto dos conflitos armados nas mulheres e crianças.

Fonte: Envolverde/IPS (Por Thandi Winston)

 

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