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FSM: Espaço aberto ou movimento com identidade própria?

14/02/2011

Desde seu próprio nascimento o Fórum Social Mundial (FSM) protagoniza um debate interno sobre sua identidade. De acordo com os diferentes momentos de seu desenvolvimento, ele tem aparecido mais ou menos abertamente. No entanto, desde 2001, ele está presente, encoraja pensadores e líderes sociais e exige posicionamentos.

O que é o FSM e qual é seu papel essencial na busca de alternativas ao sistema? As respostas, tão vastas quanto fundamentadas, renovam esta discussão intersetorial. E aparecem, novamente, nesta edição de Dacar.


A visão dos fundadores

O FSM deve seguir sendo um espaço aberto, sem documentos nem declarações finais. Um lugar onde o movimento altermundialista e os próprios atores sociais – movimentos sociais, redes, sindicatos, ONGs – possam intercambiar experiências e definir/acertar agendas comuns. Tal é a posição predominante entre os fundadores. E ela se reflete na Carta de Princípios de 14 pontos que desde 2001 serve de marco conceitual a este processo em andamento.

“Um documento final implicaria horas e horas de discussões intermináveis, um desgaste. Fomentaria também a luta pelo poder dentro do FSM. Com o agravante de que é imaginável, para não dizer impossível, chegar a consensos entre milhares de pessoas” enfatiza Chico Whitaker, um dos ideólogos mais convencidos de que o FSM deve continuar sendo um espaço aberto.


Para um FSM de “ruptura”

O FSM chega nesta etapa a um Senegal com muitos e graves problemas. Hoje a África do Norte protagoniza uma mobilização popular intensa e se constata um contexto político muito favorável aos movimentos sociais.

Por isso “pensamos que este deve ser um FSM de ruptura” salienta Mamadou Diop Castro, representante da União Democrática de Educadores (UDEN) do Senegal e um dos dirigentes sindicais nacionais mais combativos.

“Não devemos seguir com o FSM como espaço de reflexão e de intercâmbio sem conclusões (...). Se continuarmos com esta linha não teremos perspectivas”, insiste o experiente sindicalista.

E sua reflexão integra uma visão geopolítica do altermundialismo. “A América Latina tem aproveitado muito, com movimentos sociais ativos que produziram mudanças significativas no patamar de muitos governos. Mas fora deste continente, temos aproveitado muito menos”.

É o momento, então, de “fortalecer as bases de uma solidariedade ativa. Implica refletir também sobre o que fazer entre um fórum e outro, quer dizer, imediatamente depois que se encerre Dacar”.

Para Diop, é essencial incorporar uma tarefa complementar: a faceta de formação do processo altermundialista em andamento. “Necessitamos muito mais organização e estabilidade como processo. E para ele é fundamental um salto qualitativo na formação política do campo altermundialista para facilitar propostas concretas enquanto gestão do movimento popular”. No que diz respeito aos sindicatos, conclui Diop, vai ser essencial “precisar o papel dos atuantes sindicais e dos movimentos sociais e esclarecer a articulação de ambos no interior do Fórum”.


Um FSM com várias ondas

A formação aparece também como um adicional prioritário na reflexão de Boaventura de Sousa Santos, prestigioso sociólogo português que desde o inicio aponta para dinamizar a reflexão do atual processo “forístico” em curso.

“Penso que futuramente é necessário investir mais forças nesta formação. Isso deveria se tornar uma prioridade do FSM. Até agora têm funcionado em âmbito local, porém, muito menos no plano internacional e, inclusive, intercontinental”, diz.

É uma proposta evidente, que surge da análise do cenário atual dos ditos movimentos, com contradições e diferenças entre uns e outros. “Países onde os indígenas estão contra os camponeses; e estes contra as mulheres; e as mulheres se distanciam de outros setores importantes... É o momento de terminar com isto, e apostar em construir uma sólida sinergia, uma confluência real”.

E quanto à polêmica sobre a natureza do FSM, Boaventura de Sousa Santos aposta em uma opção de confluência. “Devemos manter esta onda do FSM como encontro, como festa, intercâmbio. É muito importante para o que se produz e para o que se constrói em torno”, enfatiza.

Mas, como no mar, a uma onda se segue outra, analisa. E são estas ondas mais profundas, “menos festivas”, as que devemos desenvolver com mais persistência estratégica. Encontrar canais para aprofundar o esforço de diagnóstico e de proposições.

Não é que ache – explica o sociólogo português – que se tenha que repetir as conclusões e documentos do tipo dos que produzem as instituições da ONU e inclusive do Fórum Econômico de Davos. Mas é vital não deixar de lado temas essenciais como as crises civil, financeira, ambiental, de migração, dos meios de comunicação etc.

Penso, conclui, que se poderia chegar mais preparado aos fóruns, com propostas de conteúdos que logo saiam não como declarações do FSM, mas sim de atuantes importantes do mesmo. E que possam ir orientando a ação mundial.

“Por exemplo, no tema dos meios de comunicação. Poderíamos nos posicionar claramente contra as privatizações dos meios públicos; a favor da defesa dos espaços para as rádios comunitárias e de associações; a promoção de novas plataformas tecnológicas de apoio aos movimentos sociais e que ajudem a reduzir a lacuna informativa atual... Tudo isto, sistematizado, seria já um avanço considerável”, conclui.

Fonte: E-CHANGER e Le Courrier (por Sergio Ferrari; tradução: Cainã Vidor)

 

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