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Seis anos depois do assassinado Dorothy Stang, Anapu ainda vive clima de tensão

15/02/2011

Seis anos após o assassinato da irmã Dorothy Stang, a cidade paraense de Anapu continua sofrendo os efeitos da ganância econômica que rondam a floresta. Em comunicado público divulgado esta semana, a Coordenação Nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT) ao mesmo tempo em que relembra a memória de quem lutou por justiça social e por uma convivência equilibrada com a floresta denuncia a continuidade dos crimes contra a natureza e contra os trabalhadores do campo.

 

Em janeiro, Anapu protagonizou momentos de tensão, quando os assentados do Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Esperança, onde a missionária foi morta, interditaram a entrada que dava acesso à área. A medida foi tomada para impedir a saída ilegal de madeira e para chamar a atenção das autoridades locais e nacionais para a falta de fiscalização.

 

De acordo com o comunicado da CPT, para tornar possível a saída da madeira, as empresas madeireiras infiltraram no PDS pessoas que não estão comprometidas com a preservação da floresta e que poderiam facilitar a derrubada e retirada de árvores do local. Até mesmo organizações de trabalhadores, como sindicatos, foram aliciadas para ajudar na exploração ilegal da madeira do PDS.

 

Na tentativa de solucionar o conflito, uma audiência pública foi realizada na região no dia 25 de janeiro. Cerca de mil pessoas participaram, entre elas representantes de órgãos públicos estaduais e federais. Na ocasião, algumas promessas foram feitas aos assentados a fim de amenizar a tensão.

 

"No momento, não está mais saindo madeira ilegal, mas alguns assentados continuam na entrada do PDS para garantir, pois as guaritas prometidas durante a audiência pública ainda não foram construídas. Existe o prazo de 60 dias para a construção", informou irmã Kátia Webster, membro da Congregação Notre Dame, a mesma de Dorothy.

 

A religiosa acrescentou que o clima da cidade está mais ameno e que a fiscalização tem sido constante, no entanto, alerta que é preciso que a vigilância seja constante e não aconteça apenas nos momentos de tensão e conflito. "A Polícia Federal está fazendo investigações, um helicóptero do Ibama está sobrevoando a área e um carro também do Ibama está circulando pela região".

 

Não só em Anapu, mas em boa parte do estado do Pará, a disputa de terras e de controle de recursos naturais é séria e tira a vida de trabalhadores a cada dia. Segundo dados da Comissão Pastoral da Terra, no ano passado foram registrados 18 assassinatos de trabalhadores no Pará, nove a mais que em 2009.

 

No contexto específico de Anapu, Irmã Kátia esclarece que os trabalhadores querem apenas viver em harmonia com a natureza. "O povo quer a preservação da floresta. Quer trabalhar nela, mas sem acabar, sem devastar, de modo que seus filhos e netos também possam usufruir. Querem a implantação de um sistema sustentável e que este sistema seja respeitado", esclarece.

 

A Coordenação Nacional da CPT também deixa seu apelo às autoridades nacionais.

 

"O sangue vertido por irmã Dorothy clama para que a vida e os interesses das comunidades ribeirinhas e das florestas esteja acima dos interesses econômicos. Um desenvolvimento harmonioso, respeitando a natureza e suas riquezas e as comunidades indígenas e camponesas, precisa ser colocado como horizonte de um país novo e justo, sem violência".

 

Fonte: Adital

 

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