ABONG -  - Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais

associe-se

conheça nossas associadas

Procure pelo nome em um dos campos abaixo:

selecione
selecione

Ou faça aqui uma busca detalhada:

selecione
selecione
selecione
selecione
  • APOIO

    • Misereor
  • REDES

    • ALOP

Circulação amplia repertório e acesso dos jovens a oportunidades

15/03/2011

Em comparação às outras faixas etárias, a população jovem se constitui como um público mais vulnerável. Segundo o IBGE, em novembro do ano passado, a taxa de desemprego entre jovens de 18 a 24 anos na Região Metropolitana de São Paulo estava em 12,4%, índice mais de duas vezes superior ao referente à população de 25 a 49 anos (4,7%).

Segregados do restante da cidade pela distância e pelas dificuldades de acesso e pela falta de informação, os jovens moradores das periferias dos centros urbanos constituem uma população ainda mais vulnerável. O isolamento em suas comunidades limita suas oportunidades de trabalho, de lazer e mantém esses jovens reféns de suas realidades.

Sem oportunidades de emprego, atraídos pelo mundo do crime ou pelo tráfico, esses jovens acabam engrossando as estatísticas de mortalidade. Segundo dados do Mapa da Violência, no Estado de São Paulo, 67% das mortes entre jovens são provocadas por fatores externos. Desses óbitos, 55,3% são classificados como mortes violentas. Já entre a população não-jovem, 92,3% morrem de causas naturais.

É nesse contexto que vem ganhando força o debate sobre Juventude e Direito à Cidade. A coordenadora de uma das ONGs executoras do Programa Jovens Urbanos, Elaine dos Santos Souza, lembra que é recente a noção de juventude enquanto sujeito de direitos. Prova disso é que há pouco tempo foi feita uma emenda constitucional para incorporar o termo à Constituição Federal.

Como jovem moradora do Grajaú e em função de sua experiência no Programa, Elaine decidiu abordar essa temática em seu trabalho de conclusão de curso na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, onde se graduou em Serviço Social. (Clique aqui para ler a pesquisa)

“A região central da cidade ainda acumula o maior número de oportunidades culturais, de trabalho... Não que a periferia não produza cultura, ela produz muita coisa. Mas a região central ainda concentra as grandes oportunidades”, explica Elaine.

Nesse sentido, a questão da mobilidade urbana desempenha papel fundamental enquanto forma de superação da segregação produzida pela forma como as grandes cidades estão organizadas. “No Brasil, as cidades têm uma distribuição muito desigual das oportunidades econômicas, dos equipamentos culturais, da infraestrutura. Então, a mobilidade tem uma importância no sentido de ampliar o acesso a esses equipamentos e oportunidades ao maior número de pessoas. A mobilidade é um elemento que propicia o usufruto da cidade por parte da população”, afirma o urbanista Kazuo Nakano, do Instituto Pólis.

Para o jovem, a garantia do direito à cidade tem impactos ainda sobre a constituição da sua identidade e de suas perspectivas de vida. Ao circular em outros espaços fora da sua comunidade, ele entra em contato com outras realidades, descobre novas possibilidades, amplia seu repertório. “O jovem passa a ter outras possibilidades de ser, de se constituir enquanto jovem”, acredita Elaine.

“Essa circulação é importante para que os jovens comecem a usar a cidade a favor deles. Moro aqui na região, mas não me sinto marginalizado, porque sei usar os equipamentos da cidade. Então, é justamente essa visão que eu quero que eles tenham”, afirma outro educador, Claudemir Santos, também de São Miguel.

“Tem a Vila Olímpia, por exemplo, com aqueles prédios. De repente, a pessoa olha aquilo e pega pra ela. ‘Eu quero trabalhar aqui, fazer a minha vida aqui’. E faz seus contatos, tem um primo ou irmão que trabalha na empresa tal e é da mesma área. Eu acho que essa troca de informações é muito importante”, pensa o educador Cristiano Correa, de uma das ONGs executoras do Programa Jovens Urbanos em São Miguel Paulista.

A questão da construção de novas redes também é outro ganho obtido por meio da circulação pela cidade. “O patrimônio maior desses jovens são as suas relações. São elas que abrem as possibilidades de trabalho, de encontros, além daquele campo restrito. É esse isolamento que precisa ser rompido”, salienta a doutora em Psicologia Clínica pela PUC-RJ e pesquisadora nas áreas de Juventude e Cidade, Maria Aparecida Cassab.

Preconceito
Por mais que se garantam as condições de mobilidade e se estimule essa apropriação dos espaços públicos da cidade, um outro obstáculo se impõe a esses jovens da periferia: o preconceito.

“Muitos desses jovens quando estão nesses locais passam a ter uma alta visibilidade .São claramente controlados quando entram numa loja, são perseguidos por seguranças. Obviamente isso constitui esse jovem como experiência também”, aponta Maria Aparecida.

“Quando a gente vai com um grupo grande de jovens a um espaço como a Pinacoteca do Estado, as pessoas que estão circulando ali, em geral, não convivem com jovens da periferia”, relata Elaine. “Tem uma questão de achar que aquela arte que é produzida por pessoas que não estão na periferia não é para pessoas da periferia. Tem esse estranhamento que causa um distanciamento no jovem e faz com ele não se sinta bem naquele lugar”, complementa.

Equidade nos espaços públicos
Para Elaine, no entanto, a única forma de superar essa barreira é estimulando o uso desses equipamentos por esses jovens, promovendo, desse modo, uma utilização mais democrática desses espaços e uma convivência mais plural e diversa na cidade.

“Quando o programa proporciona essa circulação, sem dúvida também estamos contribuindo para produzir espaços urbanos com maior equidade”, enfatiza.

A pesquisadora destaca que é igualmente importante que o poder público e a sociedade como um todo se mobilizem em torno dessa questão: “É preciso que o Estado e as organizações instituam na sua pauta essa questão como um ponto importante e reinventem as suas políticas de juventude no sentido de superar essa segregação; naturalmente isso não vai acontecer nunca”.

Fonte: CENPEC

 

PALAVRAS-CHAVE

  • PROJETOS

    • Informação, formação e comunicação em favor de um ambiente mais seguro para a sociedade civil organizada

Rua General Jardim, 660 - Cj. 71 - Osasco- CEP: 01223-010 - São Paulo - SP - Tel.: 11 3237-2122

Horário de funcionamento do escritório: segunda à sábado, das 9h às 19h

design amatraca