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Presos três suspeitos do assassinato de Coordenador de Centro de Direitos Humanos no Tocantins

15/03/2011

A Polícia Civil de Gurupi confirmou que prendeu três suspeitos de assassinar o ativista de direitos humanos Sebastião Bezerra da Silva, 40 anos. O ativista, quer era coordenador do Centro de Direitos Humanos de Cristalândia e secretário regional Centro-Oeste do Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), foi localizado morto no domingo 28 de fevereiro em Dueré, no Sul do Estado. O seu corpo estava semienterrado em um formigueiro, com uma corda amarrada no pescoço.

Dos três suspeitos, dois já tinham os seus nomes divulgados pela polícia - os irmãos Janes Miguel Gonçalves Júnior, 19 anos, e Ricardo José Gonçalves, 20 anos. Eles foram presos fora do Tocantins por agentes da Delegacia Especializada em Investigações Criminais (Deic) de Gurupi. A polícia não revelou o Estado em que os irmão foram detidos, mas, antes da prisão dos acusados, os policiais realizaram buscas em Goiânia. Eles devem ser transferidos para Gurupi na terça-feira.

 

A outra pessoa acusada é uma mulher, que não teve a identidade revelada e foi capturada em Gurupi. Entre segunda-feira ou terça-feira, o delegado responsável pela Deic de Gurupi, Jackson Ribas, deve conceder uma entrevista coletiva para dar mais esclarecimentos sobre a prisão.

 

Mobilização
O assassinato do ativista foi um crime de muita repercussão no Tocantins e no Brasil. Representantes de entidades ligadas a direitos humanos se mobilizaram e, por mais de uma vez, cobraram agilidade das autoridades na investigação e conclusão do caso.

Na sexta-feira, durante o lançamento do Fórum Estadual de Lutas por Terra, Trabalho e Cidadania em Gurupi centenas de pessoas carregando faixas pedindo paz reivindicaram providências para o assassinato.Além disso, dirigentes da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e da Pastoral Nacional Carcerárias fizeram discursos defendendo Silveira e criticando a violência.

 

Detalhes
Presos: Janes Miguel Gonçalves Júnior, 19 anos, Ricardo José Gonçalves, 20 anos, e uma outra suspeita que não teve o nome revelado pela Polícia Civil
Vítima: Sebastião Bezerra da Silva, 40 anos, ativista de direitos humanos ▩

 

Leia abaixo a nota pública do Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH) sobre o assassinato do militante de direitos humanos Sebastião Bezerra da Silva:

 

NOTA DO MNDH SOBRE O ASSASSINATO DE SEBASTIÃO BEZERRA

 

O Conselho Nacional, a Coordenação Nacional do MNDH e os dirigentes do Regional Centro-Oeste acompanham com prioridade as investigações sobre o assassinato de Sebastião Bezerra da Silva, militante e defensor dos Direitos Humanos, advogado, assessor educacional do Centro de Direitos Humanos de Cristalândia (TO) e Secretário-executivo da Regional Centro-Oeste do Movimento Nacional de Direitos Humanos.

 

Defensor de Direitos Humanos, comprometido com as causas sociais e a construção de uma sociedade justa e livre de violações, Sebastião, de apenas 40 anos, foi submetido à tortura e assassinado de forma cruel e desumana, no dia 27 de fevereiro, no Estado do Tocantins, quando retornava de uma viagem de trabalho.

 

Sua destacada atuação no Estado levanta sérias suposições de que o crime motivado possa ter questões políticas. Autoridades federais, estaduais, religiosos e entidades dos movimentos sociais mobilizam-se em torno das investigações.

 

Ontem, a Polícia Civil do Estado do Tocantins, através de delegados do Deic, anunciou a prisão de dois jovens suspeitos de terem sido os autores do crime que vitimou Sebastião. A versão apresentada pelos suspeitos é de crime de latrocínio, porém as investigações policiais ainda não são conclusivas.

 

O MNDH, através de sua direção nacional, congratula-se com a atuação do governo do Tocantins, de seus agentes de polícia civil, com a solidariedade da Secretaria de Direitos Humanos e da Secretaria Nacional de Segurança Pública, cujos empenhos vêem proporcionando resultados evidentes no progresso das investigações.

 

Ressalta, ainda, a importância da imediata mobilização da rede de entidades filiadas, da opinião pública internacional, de parceiros, de representante do clero, de amigos e dos familiares de nosso companheiro que impulsionam permanente e incansavelmente a luta por justiça.

 

Porém, é preciso registrar que o assassinato cometido, seja ele por razões políticas, crime comum, por vingança, passional, homofóbico ou simplesmente banalização da violência, é crime hediondo, tipificado como tortura e que foi praticado não apenas contra uma pessoa, mas contra todos e todas/os defensoras/es de Direitos Humanos deste país.

 

O crime violenta nossa dignidade, nossas crenças, mas não faz esmorecer nossa força na luta e na busca pela justiça.

 

O MNDH traz em suas raízes o combate aos crimes contra a vida, defende a federalização dos crimes de tortura praticados contra qualquer defensor/a de Direitos Humanos, indistintamente, e a punição dos responsáveis diretos e seus mandantes. Suas entidades sempre denunciaram a tortura nos porões da ditadura; a tortura dos agentes de segurança pública nas delegacias, nas prisões, nas febens, nas viaturas; os grupos de extermínio; a tortura e a violência domésticas contra mulheres, crianças e adolescentes; a intolerância religiosa e de diversidade sexual; a servidão, o tráfico e a exploração sexual de trabalhadores/as, profissionais do sexo e crianças e adolescentes; os crimes de ódio, racistas, homofóbicos, xenofóbicos; e, teve dezenas de militantes mortos e/ou torturados. Essa é nossa luta!

 

Acreditamos que os esforços envidados até aqui não serão infrutíferos, na medida em que o avanço das investigações policiais aponta para a identificação dos autores do assassinato de Sebastião Bezerra mais rapidamente do que o esperado e que se fará justiça.

 

Por certo, o caso de Sebastião Bezerra não será o último pelo qual teremos que nos mobilizar, somando-se a outros que fazem parte de nossa agenda de luta em todo o país, pelos mais diferentes motivos. Mas, com certeza estamos a cada dia mais qualificados para repudiar a violência, a falta de segurança pública se justiça social, firmes até a vitória de nosso combate.

Coordenação Nacional do MNDH.

 

 

Fonte: Daniel Machado / Jornal do Tocantins e MNDH

 

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