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Opinião: Prevenção, enfrentamento, combate, proteção, qualificação: saídas para o fim da extinção da juventude negra no Brasil

29/04/2011

Por Deise Benedito*

 

Em artigo anterior, sob o título “A Rota do Extermínio da Juventude Negra", tracei um breve panorama do “caminho da extinção" de jovens negros (meninos e rapazes mais especialmente) nos últimos 50 anos. No percurso, desses anos inúmeras denúncias solicitavam o fim do abuso de poder cometido por agentes públicos nas abordagens políciais. Essas abordagens, sempre truculentas, eram carregadas de cunho racista. As denúncias provocaram muitas atividades, principalmente voltadas ao combate à violência praticada contra a juventude negra no Brasil.

 

É exemplar a campanha realizada pelo CEAP: “Não Matem Nossas Crianças", nos anos 1990, a partir do macabro episódio da "Chacina da Candelária", precedida por uma outra chacina, a de Vigário Geral, e, depois, “coroada” com o "Massacre do Carandiru" (1992). Inúmeras atividades exigiam o fim da violência policial e o fim da ação de grupos de exterminios. Mas , apesar disso, ações violentas ainda se perpetuam na nossa sociedade.

 

Paralelo a isso, encontramos uma juventude negra que se organiza, ao longo dos anos, denunciando o crescimento de homícidios e execuções sumárias que ficam impunes, na maioria das vezes. Na última década - principalmente nos últimos anos - a juventude negra reforçou sua organização, atuando através do Fórum Nacional da Juventude Negra – FOJUNE. A atuação do Fórum caracteriza-se por denúncias, propostas, sugestões de políticas públicas, campanhas e atividades, sempre com o foco no fim do extermínio da juventude negra, em todo o País.

 

Infelizmente, os indíces não baixam e a impressão que se tem é a de se estar a “enxugar gelo” enquanto aumenta o número de viúvas jovens e negras que permanecem em profunda situação de abandono pelo próprio estado, quando não também vitimadas pela violência contra a mulher e ameaçadas de morte, quando não são executadas como queima de arquivo. Além dessas jovens, temos as mães, tias, avós, irmãs que peregrinam em busca de “Justiça” uma vez que na maioria da vezes não conseguem obter respostas sobre o andamento de um inquérito policial. É fato comum, ainda, a vítima da “execução” ser considerada “ré” mesmo depois de “ babaramente assassinada” ou os inquéritos sobre os assassinatos serem arquivados por “falta de provas”, ou, ainda, os assassinatos serem “justificados” a partir do argumento de “auto de resistência”; “restistência à voz de prisão”;“revide à troca de tiros”.

 

Conforme o “Mapa da Violência 2011”, em 2002, em cada grupo de 100 mil negros, 30 foram assassinados. Esse número saltou para 33,6 em 2008; enquanto entre os brancos, o número de mortos por homicídio, que era de 20,6 por 100 mil, caiu para 15,9.

 

A vitimização da população negra passou a ficar mais evidente a partir de 2002, quando os dados começaram a ser levantados. Em 2002, morriam proporcionalmente 46% mais negros que brancos. Esse percentual cresce de forma preocupante uma vez que salta de 67% para 103%.

 

De acordo com o mesmo “Mapa da Violência 2011: os jovens do Brasil”, em pesquisa encomendada pelo Ministério da Justiça ao Instituto Sangari, constata-se que o grau de vitimização da população negra é alarmante: 103,4% maiores as chances de morrer uma pessoa negra, se comparada a uma branca; sendo 127,6% a probabilidade de morte de um jovem negro [de 15 a 25 anos] à de um branco da mesma faixa etária.

 

Vale ressaltar que não há dados para inventariar.

- o quantitativo de jovens que ficaram mutilados pela violência e incapacitados para o trabalho;

- as referências do impacto da morte desses jovens para suas familia – qual a contribuição financeira (se vivo estivesse)?; qual a projeção de seu trabalho e a perspectiva de estudo e formação?;

- quantos jovens negros e jovens negras são mortos devido ao preconceito por serem gays, lésbicas, travestis, transexuais;

- situações de violência por motivos de intolerância religiosa, especialmente dirigida àqueles/as que professarem religiões de matrizes africanas;

- situações de jovens negros e jovens negras que estão internados em hospitais de custódia e tratamento psiquiátrico, ou mesmo manicômios judiciários, muitas vezes na condição de “mortos vivos”;

- situações de jovens negros e jovens negras que se encontram em cumprimento de pena em penitênciárias, presídios, cadeias públicas, centros de detenção provisória; em situação de superlotação, falta de assistência médica, odontológica, jurídica.

 

Leia o artigo na íntegra.

 

*Deise Benedito é Bacharel em Direito; Membro do Fórum Nacional de Entidades de Direitos Humanos – FENDH; Membro do Fórum Nacional de Mulheres Negras – FNMN; Presidente de Fala Preta Organiozação de. Mulheres Negras.

 

Fonte: Universidade Livre Feminista

     

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