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Suicídio adolescente entre indígenas é tema de informe do Unicef

23/05/2011

Jovens mulheres indígenas expuseram na última quinta-feira (19), na sede do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), em Nova Iorque, um informe sobre o suicídio adolescente em povos indígenas.

 

O estudo analisou os casos do povo Guarani Kaiowá, do Brasil; Embera, da Colômbia e Awajún, do Peru e teve patrocínio do Grupo Internacional de Trabalho sobre Assuntos Indígenas (IWGIA, por sua sigla em inglês) e do Unicef.

 

De acordo com a pesquisa, apesar de a América Latina apresentar uma das menores taxas de suicídio por continente, nos grupos indígenas da região se encontram os maiores índices de suicídio, comparando-se com populações não-indígenas.

 

A situação é atribuída à contínua discriminação que sofrem os indígenas, enfrentando mudanças graves em seu entorno e violações sistemáticas de seus direitos. Isso gera sensação de impotência, falta de perspectivas e traumas individuais e coletivos, podendo levar ao suicídio como resposta aos problemas.

 

Para o Unicef, o informe tem o objetivo de, ao prover informação sobre o problema, estimular os povos afetados a tentar encontrar soluções. Por outro lado, o estudo também se volta aos Estados, para que assumam suas responsabilidades na prevenção, redução do dano e erradicação do suicídio.

No Brasil, dados da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, revelam que a taxa nacional de suicídios indígenas chega a 20 para cada 100 mil indivíduos (quatro vezes a média nacional).

 

O antropólogo e assessor de políticas públicas do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), Ricardo Verdum, baseado no estudo Mapa da Violência 2011 – Os Jovens do Brasil, aponta que as cidades mais afetadas são justamente as que têm maior porcentagem de população indígena.

Em 2008, ocorreram 17 suicídios no município de Amambia, no estado do Mato Grosso do Sul, onde vivem os Guarani Kaiowá. Dos 17, 15 suicídios foram de índios, sendo nove de jovens indígenas. No mesmo estado e período, a cidade de Dourados registrou 25 suicídios, 13 de indígenas, oito deles jovens.

 

Já no estado do Amazonas, a cidade de São Gabriel da Cachoeira está situada na fronteira com a Colômbia e a Venezuela e mais de 90% de sua população é indígena. Em 2008, houve nove suicídios, todos de indígenas, dentre eles sete adolescentes.

 

Nesses dois estados, responsáveis por 81% dos casos de suicídio registrados, as taxas são alarmantes. 32,2 suicídios por cada 100 mil indígenas, no Amazonas, seis vezes maior que a taxa nacional. No Mato Grosso do Sul, a taxa de 166 suicídios por cada 100 mil indígenas é mais do que 34 vezes maior que a média nacional.

 

Quando se passa aos números da população indígena jovem, a situação se agrava. São 101 suicídios por 100 mil indígenas no Amazonas e 446 suicídios para 100 mil indígenas no Mato Grosso do Sul.

Já no caso colombiano, o suicídio no povo Embera, no departamento de Chocó, é o mais alto no país: entre 2000 e 2010, houve 55 suicídios e 139 tentativas de suicídios, de acordo com organizações de direitos humanos.

 

Dentre os fatores desencadeantes estão o despojo territorial por parte de grupos armados, que prejudica a capacidade alimentar dos povos; a militarização por parte desses mesmos grupos; o recrutamento forçado, assédio, ameaças, discriminação racial, deslocamentos e falta de acesso a serviços básicos.

 

Fonte: Adital / Camila Queiroz

 

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