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Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos divulga nota sobre assassinato de lideranças extrativistas

26/05/2011

A Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH) lançou hoje uma nota de denúncia contra os assassinatos de Maria do Espírito Santo Silva e José Cláudio Ribeiro da Silva, extrativistas defensores dos direitos humanos no Pará. Leia a íntegra abaixo.

 

NOTA PÚBLICA DA SOCIEDADE PARAENSE DE DEFESA DOS DIREITOS HUMANOS-SDDH

 

"Vivo da floresta, protejo ela de todo jeito. Por isso, eu vivo com a bala na cabeça a qualquer hora. Porque eu vou para cima, eu denuncio os madeireiros, os carvoeiros e, por isso, eles acham que eu não posso existir. A mesma coisa que fizeram no Acre com Chico Mendes, querem fazer comigo. A mesma coisa que fizeram com a irmão Dorothy, querem fazer comigo. Eu posso estar hoje aqui conversando com vocês, daqui a um mês vocês podem saber a notícia que eu desapareci". (José Cláudio Ribeiro da Silva).

 

RESPEITAR A VIDA É PRECISO

 

A SDDH junto a outras entidades vem denunciando às autoridades públicas responsáveis pela Segurança em nosso continental Estado do Pará os conflitos fundiários responsáveis diretamente pela morte de muitos trabalhadores e trabalhadoras da área rural.

 

Ainda não encerramos o primeiro semestre de 2011 e somos tomados pelo medo que impera no campo paraense: os assassinatos de MARIA DO ESPÍRITO SANTO SILVA e seu companheiro JOSÉ CLÁUDIO RIBEIRO DA SILVA.

 

A fala de José Cláudio Ribeiro da Silva no último TEDX Amazônia, fórum internacional que discutiu a qualidade de vida no planeta, foi um anúncio do que estava por vir. Seu nome também figurava, como um defensor de Direitos Humanos, na lista de ameaçados de morte suscitada ainda no ano de 2008.

 

Um breve olhar sobre o ano de 2010 nos mostra um quadro assustador no qual 18 pessoas foram mortas em decorrência de conflitos pela posse da terra. Um número 100% maior que em 2009, quando foram registrados 9 mortes, ou seja,  o Pará mantém a liderança em relação ao número de assassinatos relacionados a conflitos fundiários.

 

É um primeiro lugar de não dar orgulho a ninguém, pois infelizmente lembramos também que esse dado corresponde a mais da metade do índice de registro nacional, segundo o Caderno Conflitos no Campo 2010, produzido pela Comissão Pastoral da Terra.

 

O Pará, Estado do Agronegócio e extrativista mineral, que solidifica a balança comercial brasileira numa ascensão pouco vista nos últimos anos, é o Estado que também convive nos últimos treze anos com o maior número de homicídios de trabalhadores no campo.

 

Este triste paradoxo é reflexo de uma estrutura secular de extrema concentração de terras e de opção do Estado por um modelo econômico excludente que privilegia incentivos a grandes empreendimento em detrimento da agricultura, familiar que sabidamente alimenta a a população brasileira.

 

Os trabalhadores assassinados no último dia 24 de maio eram parte de um projeto que privilegiava a sustentabilidade da floresta, algo caro em nossos dias frente a sanha de madeireiros insatisfeitos com medidas que visam a manutenção de nossas florestas.

 

A falta de apuração em relação as inúmeras denúncias de ameaças a trabalhadoras e trabalhadores denúnciadas pela sociedade civil ao Estado é sintomática, posto que isso significa a posição inerte do poder público, principalmente tendo em vista o indicativo do número de assassinatos no campo.

 

Infelizmente a ação do Estado ao invés de tomar medidas para conter a continuidade desse quadro, manifesta-se cada vez mais truculento contra os movimentos sociais, criminalizando defensores de Direitos Humanos.

 

Nossa amiga MARIA DO ESPÍRITO SANTO SILVA e nosso amigo JOSÉ CLÁUDIO RIBEIRO DA SILVA não merecem a omissão do Estado. É necessário, que além de uma apuração rigorosa das circunstâncias de suas mortes, seja também repensado o atual modelo excludente no campo e na floresta e que o Estado crie condições efetivas para a garantia dos projetos de desenvolvimento sustentável, a fim de evitar mais mortes “anunciadas” como estas e que a cultura da impunidade seja dissipada em nome do Direito à Vida.

 

Respeitar a vida é preciso!

Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos

26 de maio de 2011

 

Fonte: Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos

 

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