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Opinião: Marias e Josés por uma Amazônia Des-Humanizada

30/05/2011

Por Déa S. Melo*

 

Quem é Maria e quem é José, estampados nos meios de comunicação desta semana, como mais duas vítimas da violência nos campos da Amazônia?

 

Quem  são e serão as tantas outras Marias e Josés que não morrem pelas mãos ou pela “ordem” do poder do capital, porque se rendem a esse poder e trocam suas terras, seus corpos e suas almas por nada e vão para as margens das grandes cidades tentar sobreviver e se adaptar à sedutora esquizofrênica dança do consumo e do des-envolvimento?

 

Neste séc XXI, vivemos no limiar entre uma Pan-Amazônia “gigante pela própria natureza “ – que inclui povos e culturas; como diz o hino nacional; e um território-alvo de mortes anunciadas – de pessoas, de culturas,.de ecossistemas.

 

Um cenário de guerra fria que em síntese, envolve política e relação integral com a vida, num ambiente aparentemente pacífico, mas exibe no palco sem censura, um futuro irreverssivelmente catastrófico, agora!

 

Como revelar, reconhecer e fortalecer  mais, muito mais Marias e Josés, no campo e também na cidade? Pessoas que dissolvem naturalmente as fronteiras entre Natureza/Cultura, Razão/ Imaginação, e são verdadeiros guardiões e guardiãs dessas terras? Como estimular  sujeitos no processo de consciência de si – de “iguais na diferença?

 

A falta de comprometimento com o próprio ambiente, com os valores e saberes ancestrais em diálogo com o conhecimento científico, com as artes – linguagens humanas, apontam para um abismo existente entre os povos originários e tradicionais e a educação formal, não formal e organizações governamentais e não governamentais, com raras exceções..

 

A sociedade gera problemas para si mesma e se vê obrigada diante do inquietante confronto   com a autodestruição. Uma crise do ser no mundo, que se manifesta em toda sua plenitude nas dimensões intima e pública, cada vez que acontecem fatos como os de Maria e José, assassinados há dois dias em Nova Ipixuna/PA,

 

A essência dessa crise ambiental, cultural, educacional e política atual é a incerteza, com a necessidade de redefinir padrões do pensar - fazer – ser - conviver; de desenvolver práticas educativas pautadas por um paradigma, que aponte para ambientes pedagógicos e atitudes reflexivas em torno de uma problemática que envolve ambiente, cultura, educação,  comunicação, política e espiritualidade, não separadas, mas em diálogo e conexão entre si.

 

Em tempos de megabytes, de informação bombando mentes e corações à velocidade da luz, a educação pelas linguagens humanas assume cada vez mais uma função transformadora, por meio da qual o educador e a educadora também são comunicadores, capazes de gerar informação humanizada, mediar conflitos e criar propostas pedagógicas interativas e dialógicas, focadas em comportamentos, atitudes, afirmação de valores humanos, desenvolvimento de competências e revelação de talentos, inerentes à sustentabilidade e à livre comunicação entre as ciências sociais e exatas.

 

O luto e a indignação  por José Cláudio e Maria do Espírito Santo, podem se tornar o impulso necessário, para a reeducação do olhar, do sentimento e da ação na e para a Amazônia, a Pan-Amazônia e o planeta, que para José e Maria, sempre começava no quintal de casa.

 

Belém - Pará - Amazônia - Brasil, 26 de Maio de 2011

 

*Déa S. Melo é Jornalista e Arteducadora da ONG Manamani.

 

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