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Pará faz da região norte a nova campeã de homicídios no país

06/06/2011

No começo de fevereiro, o delegado Alberto Teixeira, superintendente da Polícia Civil em Marabá, no Pará, decidiu colocar todo o efetivo nas ruas. À noite, liderou um comboio de cerca de 20 carros pela cidade. No jargão local, é o que se chama de "patrulhão".

 

A ideia era fazer uma blitz nos pontos mais notórios de tráfico de drogas. Não demorou para que o patrulhão se desmantelasse. Relatos de assassinatos cometidos por duplas em motocicletas começaram a pipocar em diferentes pontos da cidade, cortada em três setores distintos pelos Rios Tocantins e Itacaiúnas.

 

As equipes de policiais se dividiram para atender aos chamados. Único a percorrer todas as cenas de crimes, o delegado Teixeira contou nada menos que 13 cadáveres antes de o sol nascer. Era seu primeiro dia de trabalho na cidade.

 

"Foi um cartão de boas-vindas mandado pelo tráfico", disse Teixeira, especialista em combate ao crime organizado. "Em 19 anos de polícia, nunca tinha visto nada parecido", acrescentou o delegado, que há pouco mais de quatro meses trocou Belém pelo principal município do "Polígono da Violência" - região no sudeste do Pará que concentra 14 cidades com altas taxas de assassinatos.

Graças principalmente à espiral de violência nessa área, a Região Norte ultrapassou o Nordeste e é, pela primeira vez, a campeã de homicídios no País. Teve quase 34 mortos por 100 mil habitantes em 2009.

 

Cinco anos antes, com taxa de 23/100 mil, estava em quarto lugar, à frente apenas da Região Sul, segundo o Sistema de Informações de Mortalidade, do Ministério da Saúde.

 

Marabá, que reivindica o posto de capital do futuro Estado de Carajás, caso o desmembramento do Pará seja aprovado em plebiscito, está em primeiro lugar no ranking da matança - teve, entre 2007 e 2009, uma média anual de 114 homicídios por 100 mil habitantes.

 

A cidade tem pouco mais de 200 mil moradores, o mesmo que o distrito paulistano de Cidade Dutra, onde 30 pessoas foram mortas em 2009 - em Marabá, a título de comparação, foram 271.

 

Na vizinha Nova Ipixuna, onde foram mortos os líderes extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo, a taxa é de 78 assassinatos por 100 mil habitantes. Na média dos 14 municípios que formam o Polígono da Violência, o índice chega a 91/100 mil - superior ao de Honduras, o país mais violento do mundo, com cerca de 60/100 mil.

 

Os crimes relacionados a conflitos agrários são frequentes - e os de maior visibilidade -, mas não os mais comuns. A venda de drogas alimenta uma disputa armada por territórios que vai desde as grandes quadrilhas até os traficantes de pequeno porte, e jovens envolvidos em furtos e roubos são alvo de grupos de extermínio. "Aqui é mais fácil conseguir um pistoleiro que um táxi", ironizou José Batista Afonso, advogado da Comissão Pastoral da Terra.

 

A situação é agravada pelas altas taxas de imigração - o desarraigo e a falta de empregos alimentam tanto o consumo quanto o comércio das drogas. Praticamente todos os dias a Polícia Civil convoca a imprensa local para fotografar traficantes presos, diante de "petecas" (pequenos pacotes de plástico) de crack e pedras de óxi - droga também derivada da pasta de cocaína, mas mais barata e considerada ainda mais nociva.

 

Debilidades

 

As forças de segurança são o lado mais fraco da batalha. Há apenas 76 policiais civis em Marabá, incluindo os que só fazem serviços administrativos, e 208 em todos os 20 municípios do sudeste do Pará. Em Nova Ipixuna, palco do crime que chamou a atenção para a violência na região, há apenas três investigadores. A Polícia Militar não informou seu efetivo, mas tem apenas três batalhões na região.

 

A Polícia Civil afirma que ampliou o número de detenções nos últimos tempos. Mas nem para o aumento da eficiência policial o Estado está preparado. O único presídio de Marabá tem capacidade para 180 presos e abriga mais de 500. Na terça-feira, a PM foi chamada para controlar um motim.

Se nas áreas urbanas há escassa presença policial, nos assentamentos e nas vilas da zona rural a atuação é praticamente nula. Não só pelo baixo número de agentes, mas também pela dificuldade de acesso à maioria dos locais. O isolamento dos agricultores é agravado pela ausência de telefonia celular nas áreas mais afastadas.

 

Na quarta-feira, o agricultor Marcos Gomes dos Santos foi morto em uma emboscada na zona rural de Eldorado dos Carajás. Sem telefone, e temendo usar a estrada, a família só pôde avisar a polícia 12 horas depois.

 

Fonte: O Estado de S. Paulo (Daniel Bramatti e José Roberto de Toledo)

 

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