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Rio+20: Improviso marca projeto em dois morros escolhidos como ‘modelos de sustentabilidade’

16/06/2011

Os morros da Babilônia e Chapéu Mangueira receberam, em junho de 2009, uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), projeto do governo do Estado. Agora, a prefeitura anuncia intervenções nas duas comunidades, com o objetivo de apresentá-las como “modelos em práticas de sustentabilidade” na Rio+20, que será realizada em junho de 2012. O programa, cujos investimentos serão de R$ 43,4 milhões, recebeu o nome Morar Carioca Verde, após ter sido anunciado, em 2010, como parte do Morar Carioca, que tem a meta de urbanizar todas as favelas da capital até 2020.

 

O prefeito Eduardo Paes (PMDB) promete a utilização de materiais que não impermeabilizam o solo, iluminação pública em LED, coleta seletiva e uso de energia solar nas duas comunidades do Leme. Segundo o projeto, serão usadas estruturas metálicas recicladas e tijolos ecológicos em novas construções, haverá medidores individuais de água e reservatórios para aproveitar água da chuva e de esgotos tratados. São medidas que não estavam previstas na licitação realizada antes da inclusão do “verde” no nome do programa.

 

“Pacificadas com a presença de uma UPP, as duas comunidades foram escolhidas como projeto-piloto porque estão em área de encosta e de proteção ambiental”, informou a Secretaria de Habitação após a visita de Zukang, no início do mês.

 

O lixão da Babilônia fica justamente em uma encosta. Há de tudo ali. De geladeiras escangalhadas a resto de comida, de fraldas usadas a garrafas PET. É preciso andar bastante e atravessar um muro parcialmente derrubado para chegar ao lixão, que fica em uma encosta lateral, no alto. Turistas que visitam a favela ignoram o problema.

 

“A prefeitura promete ações pontuais. Não existe um projeto de sustentabilidade”, afirma Sebastian Archer, da ONG SOS Leme. “Que empresa vai instalar os painéis solares? Isso não está na licitação”, questiona. Segundo ele, até mesmo a anunciada remoção de 90 casas construídas em Área de Proteção Ambiental (APA), no topo do morro, com realocação das famílias em novas moradias, é resultado de uma demanda judicial, e não uma iniciativa do Executivo. “Há lixões escondidos. Isso vira um risco para quem mora em cima do morro e lá embaixo”, afirma, apontando para áreas que sofreram deslizamentos de terra.

 

Drenagem

 

A prefeitura já admite que não será possível fazer tudo o que promete até o início da conferência internacional. De acordo com o secretário de Habitação, Jorge Bittar, “60% a 70% das obras estarão concluídas”.

 

“Teremos coleta integral de esgoto e vamos acabar com as ligações nas galerias pluviais”, afirma Bittar, que acompanhou Zukang na visita à favela. Ele também promete um novo sistema de drenagem e o fim dos lixões, com coleta e reciclagem.

 

Presidente da Associação de Moradores da Babilônia, que recebeu dinheiro da prefeitura até 2009 para um programa de garis comunitários, Percília da Silva Pereira diz que o problema do lixo já foi pior. “Hoje, acredito que 60% das pessoas estão levando o lixo (para locais adequados). Mas 40% ainda jogam nas encostas”, diz ela. “A tarefa de educar os moradores é a mais difícil.”

 

Canteiros de obras ocuparam uma rua do Leme e uma praça recém-reformada da favela. De acordo com a prefeitura, práticas de sustentabilidade adotadas na Babilônia e no Chapéu Mangueira serão “aplicadas em larga escala em outras áreas carentes beneficiadas pelo Programa Morar Carioca”.

 

Reunião aborda economia verde

 

A conferência Rio+ 20, que será realizada de 4 a 6 de junho de 2012, marca os 20 anos da Eco-92. Nessa famosa reunião foram criadas as convenções da biodiversidade e de mudanças climáticas e também foi elaborada a Agenda 21.

 

Na Rio+20, um dos objetivos é buscar um compromisso entre países para tirar a ideia de economia verde do papel. Outro tema será o desenvolvimento sustentável e a erradicação da pobreza. Existe a possibilidade de serem firmadas metas entre os países. A Rio+20 ganha ainda mais relevância depois do fracasso da Conferência do Clima de Copenhague, em 2009, e da lentidão nas negociações de mudanças climáticas desde então. Se o encontro for malsucedido, porém, o ônus em grande parte pode ficar com o Brasil, que sedia a reunião.

 

Fonte: O Estado de S. Paulo (Felipe Werneck) / EcoDebate

 

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